A pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3) para o Senado do Paraná ganhou um componente inesperado poucas horas depois de sua divulgação: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu o registro da candidatura de Deltan Dallagnol.
E isso muda completamente a forma como os números precisam ser lidos.
O levantamento da Quaest, realizado nos dias 2 e 3 de outubro, apontava Filipe Barros com 25% dos votos válidos, enquanto Alexandre Curi e Deltan apareciam empatados com 21%. Gleisi Hoffmann tinha 15%. Foram realizadas 804 entrevistas presenciais, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O problema é que, no momento da divulgação, a fotografia já estava prestes a se tornar juridicamente ultrapassada.
Deltan aparece com 21%, mas sua candidatura foi indeferida
A decisão tomada neste sábado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, indeferiu o registro de Deltan e determinou que os votos atribuídos à chapa sejam considerados nulos. A decisão também alcança os suplentes.
Isso cria uma situação excepcional para o eleitor paranaense.
A pesquisa que chega às mãos do público mostra Deltan com 21% dos votos válidos, tecnicamente empatado com Alexandre Curi e apenas quatro pontos atrás de Filipe Barros.
Mas esses 21% não representam mais uma candidatura juridicamente válida para a disputa, segundo a decisão do TSE.
A própria Justiça Eleitoral determinou que os votos eventualmente atribuídos a Deltan sejam considerados nulos, mesmo que não haja tempo hábil para retirar seu nome da urna eletrônica.
Portanto, há uma diferença fundamental entre estar fisicamente na urna e ter os votos computados como válidos.
A pesquisa não consegue medir o efeito da decisão
Esse talvez seja o principal ponto a ser observado.
A Quaest foi realizada antes da decisão do TSE. Portanto, não existe, nessa pesquisa, nenhuma informação sobre o que os eleitores fariam diante da notícia de que Deltan não terá os votos contabilizados como válidos.
Não sabemos, a partir desse levantamento, para onde eventualmente iriam as intenções de voto que estavam associadas a Deltan.
E é justamente por isso que seria precipitado simplesmente redistribuir os 21% entre os demais candidatos.
Eleitor não é uma equação matemática.
Alguns podem escolher outro candidato. Outros podem votar em branco ou nulo. Outros podem simplesmente não ter a mesma disposição de voto quando a candidatura inicialmente escolhida deixa de ser válida.
A pesquisa não responde a essa pergunta porque a decisão judicial aconteceu depois da coleta das entrevistas.
E a disputa pelas duas vagas?
O cenário anterior à decisão já mostrava uma corrida bastante concentrada.
- Filipe Barros aparecia com 25%, Alexandre Curi e Deltan com 21% cada e Gleisi Hoffmann com 15%.
Como o Paraná elegerá dois senadores, a diferença entre os candidatos que estavam próximos na pesquisa era pequena. A margem de erro de três pontos também precisa ser considerada.
Mas, depois do indeferimento de Deltan, o desenho jurídico da disputa mudou.
Isso não significa que seja possível afirmar quem ocupará as duas vagas. Significa apenas que a pesquisa divulgada neste sábado não captura o cenário produzido pela decisão do TSE.
E essa é uma distinção fundamental.
Uma eleição dentro da eleição
A decisão do TSE acrescenta uma variável de última hora a uma disputa que já estava apertada.
Deltan tinha aparecido em levantamentos anteriores com percentual competitivo e, na Quaest realizada imediatamente antes da decisão, registrava 21% dos votos válidos. Agora, entretanto, o TSE determinou que os votos atribuídos à sua chapa sejam nulos.
O eleitor que eventualmente pretendia votar em Deltan se encontra diante de uma situação diferente daquela existente quando respondeu à pesquisa.
E isso acontece na véspera da eleição.
É justamente por isso que qualquer tentativa de projetar matematicamente o resultado a partir dos 21% de Deltan seria especulativa.
O dado objetivo é outro: uma candidatura que aparecia empatada na segunda posição na última pesquisa disponível foi juridicamente retirada da disputa poucas horas antes da votação.
O que o eleitor precisa saber
Há ainda uma questão prática importante.
Mesmo com a decisão, o nome e o número de Deltan podem permanecer na urna eletrônica caso não haja tempo técnico para atualização dos equipamentos. Nesse caso, conforme a determinação divulgada após a decisão, os votos atribuídos à chapa deverão ser considerados nulos na apuração.
Isso torna ainda mais importante que o eleitor esteja atento às informações oficiais da Justiça Eleitoral antes de votar.
A pesquisa Quaest continua tendo valor para mostrar como estava a corrida pelo Senado no momento em que as entrevistas foram realizadas.
Mas ela não deve ser apresentada como retrato do cenário posterior à decisão judicial.
Uma pesquisa que ficou velha em poucas horas
A peculiaridade desta eleição é justamente essa.
A Quaest ouviu os eleitores nos dias 2 e 3 de outubro e encontrou uma disputa na qual Deltan aparecia com 21%.
Na noite do dia 3, o TSE indeferiu sua candidatura e determinou a nulidade dos votos atribuídos à chapa.
Entre uma fotografia e outra, aconteceu um fato jurídico capaz de alterar o significado dos próprios números.
Agora, resta uma pergunta que nenhuma pesquisa realizada antes da decisão consegue responder:
como o eleitor que pretendia votar em Deltan se comportará diante da nova realidade eleitoral?
Essa resposta não está na pesquisa Quaest.
Estará nas urnas deste domingo, 4 de outubro.
