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Tony Garcia está fora da eleição deste ano e o tabuleiro se reorganiza e reduz uma frente de desgaste para Sérgio Moro

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Redação16/07/2026
Tony Garcia está fora da eleição deste ano e o tabuleiro se reorganiza e reduz uma frente de desgaste para Sérgio Moro

Fotos: reprodução e Marcos Oliveira/Agência Senado

A política raramente permanece estática. Em poucos dias, o cenário eleitoral do Paraná sofreu uma mudança que, embora passe despercebida para parte do eleitorado, pode produzir efeitos importantes na disputa pelo Palácio Iguaçu.

As informações de bastidores indicam que Tony Garcia não deverá disputar o Governo do Paraná. Ao mesmo tempo, o Democracia Cristã (DC) passa por uma reorganização interna que altera completamente a estratégia da legenda para 2026. O resultado imediato é a retirada de uma candidatura que tinha como principal objetivo político confrontar Sergio Moro durante toda a campanha.

Para o senador, a mudança representa um alívio.

Uma candidatura de Tony Garcia dificilmente alteraria, sozinha, o resultado das eleições. Seu peso eleitoral sempre foi considerado secundário. O problema para Moro estava em outro aspecto: a utilização da campanha como espaço permanente para reavivar episódios envolvendo a Operação Lava Jato e antigas acusações dirigidas ao ex-juiz.

Sem Tony na disputa, esse desgaste tende a perder intensidade.

Outro fator relevante é a reconfiguração do Democracia Cristã.

A legenda havia se transformado em um instrumento de enfrentamento político ao senador. Com a mudança em sua direção estadual, esse cenário deixa de existir. O partido, que foi um dos primeiros a declarar apoio à pré-candidatura de Sergio Moro, volta a um ambiente mais alinhado ao projeto político do senador, encerrando um período de instabilidade interna.

Isso não significa que Moro tenha resolvido todos os seus desafios.

A disputa pelo Governo do Paraná continua sendo uma das mais competitivas do país. O grupo liderado pelo governador Ratinho Junior segue trabalhando para ampliar a base de apoio à candidatura de Sandro Alex, enquanto outras forças políticas ainda negociam alianças e composições.

Se a reorganização do tabuleiro reduz uma frente de desgaste para Sergio Moro, outro desafio permanece no horizonte: enfrentar o peso político de um governador que encerra o mandato com um dos maiores índices de aprovação do país.

Ratinho Junior tem sustentado patamares elevados de aprovação em diferentes levantamentos e decidiu permanecer no governo justamente para participar ativamente da sucessão estadual. A estratégia do PSD é transformar esse capital político em votos para Sandro Alex, repetindo uma dinâmica comum em eleições estaduais, na qual a avaliação positiva do governo se converte em ativo eleitoral para o candidato apoiado pelo chefe do Executivo.

Ainda que pesquisas indiquem Moro competitivo na disputa, a capacidade de Ratinho Junior de mobilizar prefeitos, lideranças regionais e um eleitorado amplamente satisfeito com sua gestão representa um dos principais obstáculos que o senador terá de superar ao longo da campanha.

Mas política também é feita pela eliminação de riscos.

Ao deixar de enfrentar um adversário cuja campanha seria construída praticamente em torno de ataques pessoais e da revisitação de fatos do passado, Sergio Moro ganha espaço para concentrar o debate em temas de gestão, segurança pública, desenvolvimento econômico e propostas para o Paraná.

Ainda há muito caminho até as convenções partidárias, e o cenário continuará sofrendo alterações. Mas uma consequência já pode ser observada: a saída de Tony Garcia da corrida ao Palácio Iguaçu e a reorganização do Democracia Cristã reduzem uma fonte potencial de desgaste para Sergio Moro e reorganizam o tabuleiro político paranaense.