Se a disputa pelo Governo do Paraná começa a ganhar contornos mais definidos, a eleição para o Senado é exatamente o contrário: está completamente aberta.
A nova pesquisa Paraná Pesquisas mostra que quatro candidatos aparecem embolados na briga pelas duas cadeiras que o Paraná terá em disputa em outubro. Deltan Dallagnol lidera o cenário estimulado, com 30,8%, seguido por Alexandre Curi, com 28,4%, Gleisi, com 25,7%, e Filipe Barros, com 22,9%. Cristina Graeml aparece mais atrás, com 14,4%, e Dr. Rosinha, com 13%.
Mas há uma particularidade fundamental: cada eleitor poderá escolher dois candidatos.
Por isso, não se trata de uma corrida tradicional em que apenas o primeiro colocado importa. O que está em jogo é quem conseguirá ocupar uma das duas vagas.
E, nesse aspecto, a fotografia é muito mais apertada do que parece.
A diferença entre Deltan, primeiro colocado, e Filipe Barros, quarto, é de apenas 7,9 pontos percentuais.
Isso significa que, hoje, não existe uma dupla de favoritos isolada. Existe um pelotão de quatro candidatos com condições reais de disputar as duas cadeiras.
A espontânea desmonta qualquer sensação de eleição definida
Se o cenário estimulado já é competitivo, a pesquisa espontânea torna a disputa ainda mais imprevisível.
- Sem apresentar os nomes dos candidatos, 71,6% dos eleitores não souberam ou não quiseram indicar em quem votariam.
Deltan aparece com 9,8%; Gleisi, com 6,8%; Alexandre Curi, 3,5%; e Filipe Barros, 2,7%.
É um número gigantesco.
Significa que mais de sete em cada dez eleitores ainda não têm um nome para o Senado na cabeça.
E isso é particularmente relevante porque a eleição para senador costuma depender muito de reconhecimento de nome, identificação política e capacidade de comunicação durante a campanha.
Em outras palavras: a corrida ainda está sendo construída na cabeça do eleitor.
Deltan lidera, mas não está nadando de braçada
Deltan Dallagnol aparece numericamente na frente, com 30,8%.
É uma posição importante, mas não significa liderança consolidada.
Ele está apenas 2,4 pontos à frente de Alexandre Curi e 5,1 pontos à frente de Gleisi. Filipe Barros, por sua vez, está a 7,9 pontos do líder.
Com duas vagas em disputa e margem de erro de 2,8 pontos, a fotografia revela uma disputa extremamente competitiva.
E há outro aspecto que merece atenção: Deltan tem 12% de rejeição, o segundo maior índice entre os candidatos, atrás apenas de Gleisi.
Portanto, sua liderança vem acompanhada de uma resistência eleitoral que não pode ser desprezada.
Gleisi tem um problema muito maior do que os 25,7%
O caso de Gleisi talvez seja o dado mais politicamente contundente de toda a pesquisa.
Ela aparece com 25,7% no cenário estimulado, o que a coloca teoricamente na briga por uma das duas vagas.
Mas sua rejeição chega a impressionantes 42,3%.
É um índice absolutamente distante dos demais candidatos: Deltan tem 12%; Dr. Rosinha, 9,3%; Alexandre Curi, 6,3%; Cristina Graeml, 6,2%; e Filipe Barros, apenas 5,9%.
Isso produz uma situação peculiar.
Gleisi possui uma base eleitoral relevante e aparece competitiva na intenção de voto. Porém, quase metade do eleitorado afirma que não votaria nela de jeito nenhum.
Na prática, sua candidatura tem um teto potencial muito mais visível do que o dos adversários.
Para chegar ao Senado, portanto, Gleisi precisa não apenas conquistar votos. Precisa evitar que a rejeição se transforme em um movimento de voto útil contra ela.
Curi aparece no ponto mais interessante da disputa
Alexandre Curi surge com 28,4%, praticamente colado em Deltan.
Mas seu número mais importante talvez não seja esse.
É a rejeição: 6,3%.
Curi está entre os candidatos mais bem posicionados na intenção de voto e, ao mesmo tempo, apresenta uma das menores rejeições da disputa.
Isso lhe dá uma característica importante: há espaço para ampliar sua votação sem carregar uma rejeição pesada.
A situação ganha ainda mais relevância quando se considera o desenho político da eleição estadual.
Curi é o nome apoiado pelo grupo de Ratinho Junior e está inserido na aliança que sustenta a candidatura de Sandro Alex ao Governo do Paraná.
Ou seja, existe uma tentativa clara de transformar a eleição majoritária em uma disputa articulada: Sandro Alex para o governo e Curi para o Senado.
O desafio será fazer o eleitor entender essa combinação — e, principalmente, transformar o apoio político em voto efetivo.
Filipe Barros é outro nome que não pode ser descartado
Com 22,9%, Filipe Barros aparece apenas 7,9 pontos atrás de Deltan.
E tem uma das menores rejeições da pesquisa: 5,9%. Isso é relevante.
Barros não está apenas dentro do pelotão competitivo; ele está dentro de uma faixa em que alguns pontos percentuais podem alterar completamente a ordem dos candidatos.
Além disso, Deltan e Barros disputam parte importante do mesmo eleitorado de direita. A capacidade de cada um mobilizar esse segmento poderá ser decisiva.
E aqui aparece uma das grandes incógnitas da eleição: a direita conseguirá eleger dois nomes ou dividirá seus votos a ponto de abrir espaço para uma candidatura de outro campo político?
O verdadeiro adversário de todos eles é o eleitor que ainda não decidiu
Há uma ironia nos números.
Enquanto os quatro principais candidatos aparecem relativamente próximos no cenário estimulado, 71,6% dos eleitores não conseguem apontar espontaneamente nenhum deles.
Essa é a verdadeira batalha do próximo mês.
Não basta liderar a pesquisa de hoje. Será necessário transformar reconhecimento em voto, voto em segundo voto e preferência momentânea em decisão definitiva.
Porque, diferentemente de uma eleição para governador, o eleitor terá dois votos para o Senado.
E isso pode produzir combinações absolutamente diferentes das posições atuais da pesquisa.
Um eleitor pode votar em Deltan e Curi. Outro, em Curi e Barros. Outro, em Gleisi e um candidato de direita. Outro pode simplesmente escolher dois nomes de sua preferência sem qualquer preocupação com coligação.
É justamente essa característica que torna a eleição paranaense para o Senado tão imprevisível.
A eleição do Senado ainda não tem dono
A pesquisa de agosto já mostrava Deltan, Curi, Gleisi e Barros no pelotão da frente. Agora, com a nova sondagem, os quatro continuam competitivos, mas a enorme quantidade de eleitores sem voto espontâneo mostra que a disputa está longe de estar resolvida.
Deltan tem a liderança. Curi está colado nele e apresenta baixa rejeição. Gleisi tem uma base expressiva, mas enfrenta uma rejeição extraordinariamente alta.
Barros está suficientemente próximo para sonhar com uma das duas cadeiras. E Cristina Graeml, embora atrás dos quatro primeiros, também não pode ser completamente retirada da equação.
A conclusão é simples:
A eleição para o Senado no Paraná está muito mais aberta do que a corrida pelo Palácio Iguaçu.
E existe um número que resume tudo:
71,6%.
Esse é o tamanho do eleitorado que ainda não sabe — ou não quis dizer — em quem vai votar.
Portanto, antes de comemorar uma liderança ou decretar uma derrota, é preciso entender que a campanha do Senado ainda está diante de uma folha praticamente em branco.
As duas vagas serão decididas por um eleitor que, neste momento, ainda está procurando seus dois nomes.
- E quem conseguir ocupar primeiro esse espaço terá uma vantagem enorme quando chegar a hora de apertar “confirma”.
