Faltam poucos meses para a eleição e o clima entre os candidatos ao Governo do Paraná tende a mudar de intensidade. Se até aqui a pré-campanha foi marcada pela apresentação de nomes, articulações partidárias e formação de alianças, a partir de agora o debate deverá ganhar um tom mais duro, com críticas mais diretas e cobranças sobre a trajetória de cada concorrente.
Esse movimento já começou a aparecer no discurso dos pré-candidatos.
Em entrevista concedida nesta sexta-feira, em Londrina, onde cumpriu agenda ao lado do governador Ratinho Junior, o pré-candidato do PSD, Sandro Alex, afirmou que defenderá as realizações do atual governo, mas deixou claro que também pretende cobrar seus adversários. "Todos eles estão na vida pública. Todos eles também têm que mostrar o que já fizeram pelo Estado do Paraná", declarou.
A frase sinaliza qual poderá ser uma das marcas da campanha governista.
Em vez de concentrar o debate apenas em promessas para os próximos quatro anos, a estratégia tende a incluir uma comparação entre o histórico administrativo dos candidatos. A discussão deixa de ser apenas sobre o que cada um pretende fazer e passa a envolver o que efetivamente realizou ao longo de sua vida pública.
Esse tipo de confronto é comum em disputas majoritárias. À medida que a eleição se aproxima, os discursos naturalmente se tornam mais incisivos. Os candidatos procuram consolidar seus eleitores, conquistar os indecisos e, ao mesmo tempo, expor fragilidades dos adversários. É o momento em que a campanha deixa de ser predominantemente propositiva para incorporar, com maior intensidade, o debate sobre resultados, decisões passadas e coerência política.
No caso do grupo liderado por Ratinho Junior, a estratégia parece ser ancorar a candidatura de Sandro Alex no legado da atual gestão. Ex-secretário de Infraestrutura e responsável por algumas das principais obras do governo, Sandro Alex tem defendido a continuidade dos projetos iniciados desde 2019 e afirmado que pretende preservar esse modelo de administração.
Naturalmente, os demais candidatos também deverão responder no mesmo tom. A tendência é que o governador Ratinho Junior, Sergio Moro, Requião Filho e os demais concorrentes passem a ser cobrados por suas decisões, votações, gestões e posições adotadas ao longo da carreira política. O eleitor verá menos discursos genéricos e mais comparações entre trajetórias.
Se o início da pré-campanha foi marcado pela construção de alianças e pelo anúncio das candidaturas, a fase que se inicia será marcada pelo confronto de currículos. E, em uma eleição cada vez mais disputada, o passado político de cada candidato poderá pesar tanto quanto as promessas para o futuro.
