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Sandro Alex é o alvo dos adversários e transforma confronto em espaço para mostrar força política

Isso tem uma explicação política evidente: Sandro representa a continuidade do atual grupo que administra o Paraná, enquanto...

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Redação30/09/2026
Sandro Alex é o alvo dos adversários e transforma confronto em espaço para mostrar força política

Foto: reprodução rpc

O debate da RPC, realizado na noite de terça-feira (29), deixou uma constatação importante: Sandro Alex foi o candidato mais atacado pelos adversários. Em vez de concentrar o confronto no líder das pesquisas, Sergio Moro e Requião Filho direcionaram boa parte de suas críticas ao candidato do PSD, que acabou ocupando o centro da disputa durante boa parte do programa.

Foi possível observar justamente essa dinâmica que, embora Moro aparecesse como líder nas pesquisas, foi Sandro quem se viu, em alguns momentos, mais acuado pelos adversários. Os confrontos entre Moro e Requião Filho foram consideravelmente mais amenos.

Isso tem uma explicação política evidente: Sandro representa a continuidade do atual grupo que administra o Paraná, enquanto Moro e Requião Filho disputam espaços distintos de oposição.

E foi justamente por assumir esse papel que Sandro teve de responder a uma sequência de ataques.

Sandro não apenas se defendeu

O debate começou com um confronto direto entre Sandro e Moro. O senador questionou as alianças políticas do candidato do PSD, enquanto Sandro respondeu trazendo para o centro da discussão a relação de Moro com a família Bolsonaro e o episódio envolvendo a indicação de Flávio Dino ao STF.

Sandro repetiu o tema em diferentes momentos do debate, procurando colocar em discussão a coerência política do adversário.

A estratégia de Sandro foi insistir na tese de que Moro deveria permanecer no Senado, inclusive para atuar nas questões envolvendo o STF, em vez de disputar o Governo do Paraná.  Sandro lembrou também sua atuação conjunta com Jair Bolsonaro em obras no Estado e na construção do modelo de concessão das rodovias paranaenses.

Mais importante, porém, foi que Sandro conseguiu deslocar o debate de sua própria candidatura para a trajetória política de Moro.

Obras, educação e saúde

Sandro também procurou fazer aquilo que uma candidatura de continuidade precisa fazer: defender o que considera resultados concretos da atual administração estadual.

Na educação, defendeu os indicadores do Paraná e o modelo das escolas cívico-militares. Requião Filho contestou a política e apresentou sua própria visão para o ensino, defendendo ampliação do ensino integral e profissionalizante.

Na infraestrutura, Sandro voltou a falar sobre obras realizadas no Estado e respondeu aos questionamentos sobre investimentos e rodovias.

Também houve confronto sobre a saúde, com Sandro questionando a atuação de Moro em Brasília e defendendo a estrutura estadual.

Em outras palavras, Sandro tentou fazer a campanha deixar de ser apenas uma disputa entre biografias e acusações e recolocar no debate aquilo que está sob responsabilidade direta de quem pretende governar o Paraná: obras, serviços públicos, infraestrutura, educação e saúde.

O preço de ser o candidato da continuidade

Sandro carregou durante todo o debate o chamado “ônus de ser o candidato representado pelo governo”.

Isso significa enfrentar, simultaneamente, dois candidatos interessados em explorar problemas da atual administração.

Sandro foi questionado sobre a obra da PR-415, sobre o caso envolvendo o Credcesta e também recebeu ataques de Requião Filho, que tentou associá-lo à estrutura política de Ratinho Junior.

Mas existe outro lado dessa equação.

Quem é mais atacado também é quem está sendo considerado relevante pelos adversários na estratégia eleitoral.

Não é possível transformar isso automaticamente em resultado eleitoral, mas o próprio desenho do debate mostrou que Sandro estava no centro da disputa pelo segundo turno.

Moro e Requião: confronto mais ameno

Enquanto Sandro esteve envolvido nos embates mais duros, Moro e Requião Filho tiveram momentos de convergência e um relacionamento muito menos agressivo ao longo do debate. Os dois chegaram a discutir temas como combate à corrupção, feminicídio e a privatização da Copel sem reproduzir a mesma intensidade dos confrontos com Sandro.

Isso produziu uma situação peculiar: o candidato que não lidera as pesquisas acabou ocupando o centro do debate.

Sandro precisou responder aos ataques, mas também teve espaço para apresentar sua visão de governo e confrontar diretamente Moro e Requião.

O debate termina, a disputa continua

O debate não permite afirmar quem “venceu”. Mas uma coisa ficou clara: Sandro Alex foi o personagem central dos confrontos da noite.

Chegou ao debate pressionado, foi atacado por dois adversários, respondeu, apresentou propostas e procurou defender o legado da administração estadual.

E há um dado político que não pode ser ignorado: quando a maior parte dos ataques converge para um mesmo candidato, é sinal de que a disputa pelo espaço eleitoral está concentrada naquele ponto da corrida.

Agora resta saber se a exposição produzida pelo debate será refletida nas últimas pesquisas e, principalmente, se conseguirá transformar o desempenho na televisão em voto nas urnas.

Porque, a poucos dias da eleição, o debate acabou. Mas a disputa pelo segundo turno está longe de ter terminado.

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