A nova pesquisa do IRG, traz um dado que merece mais atenção do que a liderança de Sergio Moro: Sandro Alex continua avançando e já aparece como o principal adversário do senador na corrida pelo Governo do Paraná.
- No cenário estimulado, Moro aparece com 38,8%, mas Sandro Alex chega a 27%, enquanto Requião Filho registra 21,8%. A distância entre Moro e Sandro é de 11,8 pontos — ainda significativa, mas bem menor do que a fotografia apresentada pelo mesmo instituto algumas semanas antes.
E é justamente quando se olha a evolução que a pesquisa ganha importância.
Sandro está crescendo
No levantamento anterior do IRG, realizado em agosto, Sandro Alex aparecia com 24,8% no cenário estimulado. Agora, chega a 27%: crescimento de 2,2 pontos.
Mais importante ainda é a comparação com o levantamento anterior na pesquisa espontânea.
- Em agosto, Sandro era citado espontaneamente por 6,8% dos entrevistados. Agora, chega a 10,4%. Ou seja, avançou 3,6 pontos justamente no indicador que melhor demonstra se um nome está começando a ocupar espaço na cabeça do eleitor.
Esse talvez seja o dado mais significativo da pesquisa.
Na espontânea, ninguém apresenta uma lista de candidatos. O eleitor precisa lembrar sozinho em quem votaria.
E Sandro já aparece em segundo lugar, com 10,4%, atrás apenas de Moro, que tem 18,4%. Requião Filho aparece com 9,2%.
Portanto, Sandro não está apenas recebendo votos quando seu nome é apresentado. Ele está começando a ser lembrado espontaneamente pelo eleitor.
Isso é particularmente relevante para um candidato que não possui a exposição nacional acumulada por Moro.
Mas o dado que mantém a eleição aberta é outro
54,3% dos eleitores ainda não sabem ou não responderam em quem pretendem votar.
Mais da metade.
É impossível olhar para esse número e tratar a eleição como definida.
Na prática, existe um enorme contingente eleitoral que ainda precisa ser convencido.
E é exatamente nesse eleitorado que uma candidatura em crescimento pode encontrar espaço.
Moro já tem uma vantagem importante: é o candidato mais conhecido e lidera tanto na espontânea quanto na estimulada.
Sandro, entretanto, está aumentando sua presença justamente entre aqueles que começam a formar uma preferência.
A combinação é clara: Sandro cresce enquanto o eleitorado ainda está longe de estar decidido.
O segundo turno muda completamente a fotografia
Talvez o dado mais impressionante da pesquisa esteja justamente na simulação de segundo turno.
- Moro aparece com 44,8% contra 40,5% de Sandro Alex.
- Uma diferença de apenas 4,3 pontos percentuais.
Isso mostra que a distância observada no primeiro turno não necessariamente se reproduz em uma disputa direta.
E existe uma explicação política possível: Moro possui uma base eleitoral bastante consolidada, mas também carrega resistência. Sandro, por sua vez, aparece com uma rejeição muito menor em outros levantamentos recentes e ainda tem espaço para conquistar eleitores que não definiram seu voto.
O IRG, portanto, desenha uma situação bastante interessante: Moro lidera o primeiro turno, mas Sandro já aparece praticamente empatado com ele em um eventual segundo turno.
A eleição está sendo construída agora
A pesquisa foi realizada entre 31 de agosto e 3 de setembro, com 1.200 eleitores, margem de erro de 2,83 pontos percentuais e confiança de 95%.
Ou seja, trata-se de uma fotografia muito recente — e uma fotografia que coincide com o início da reta final da campanha.
O que os números sugerem é que Sandro Alex conseguiu transformar uma candidatura inicialmente pouco competitiva em uma candidatura efetivamente capaz de disputar o segundo turno.
Em agosto, tinha 24,8% na estimulada e 6,8% na espontânea.
Agora, tem 27% e 10,4%, respectivamente.
Enquanto isso, 54,3% continuam sem apontar espontaneamente um candidato.
É aí que está a grande oportunidade.
Não se trata de afirmar que Sandro necessariamente chegará ao segundo turno. Pesquisa não é previsão de resultado. Mas os números mostram que há uma trajetória de crescimento e, principalmente, existe ainda um eleitorado enorme disponível para ser conquistado.
E quanto maior for a parcela de indecisos, maior será o peso da campanha, dos debates, da propaganda eleitoral, da exposição dos candidatos e da capacidade de cada grupo político transformar intenção em voto.
Moro continua favorito. Mas Sandro deixou de ser apenas uma promessa
A leitura mais objetiva da pesquisa é esta:
- Moro continua na frente.
- Sandro Alex continua crescendo.
- Requião Filho perdeu espaço relativo e aparece em terceiro.
E mais da metade do eleitorado ainda não definiu espontaneamente sua escolha.
O mais importante, portanto, talvez não seja perguntar quem lidera hoje.
É perguntar quem está ganhando espaço entre aqueles que ainda não decidiram.
E, nesse aspecto, os números do IRG oferecem uma resposta bastante clara: Sandro Alex está avançando.
Se conseguir manter esse ritmo nas próximas semanas, a distância para Moro pode continuar diminuindo.
E se chegar ao segundo turno, a própria pesquisa já mostra que a disputa começa em outro patamar: 44,8% para Moro contra 40,5% para Sandro.
Com 54,3% do eleitorado ainda sem uma escolha espontânea, há muita eleição pela frente.
Moro tem a liderança. Sandro tem o crescimento. E os indecisos têm a chave da eleição.
