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Recorde nas exportações reforça força econômica do Paraná, mas levanta questões

O Paraná ampliou sua presença no comércio internacional. Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações estaduais somaram...

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Redação13/10/2026
Recorde nas exportações reforça força econômica do Paraná, mas levanta questões

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Com US$ 18,7 bilhões em vendas externas nos primeiros nove meses de 2026, Estado registra alta de 5,5% e mantém saldo comercial positivo. Agronegócio lidera os resultados, enquanto importações crescem em ritmo mais acelerado.

O Paraná ampliou sua presença no comércio internacional. Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações estaduais somaram US$ 18,7 bilhões, crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as vendas externas alcançaram US$ 17,7 bilhões.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

O resultado confirma a importância do Paraná na economia brasileira e sua capacidade de abastecer mercados internacionais. O Estado ocupa a sexta posição entre os maiores exportadores do País, com produtos comercializados em 208 mercados. Desde março, as vendas externas paranaenses permanecem acima de US$ 2 bilhões mensais, com o melhor desempenho registrado em julho, quando atingiram US$ 2,37 bilhões.

Os números são positivos, mas também revelam uma característica importante da economia estadual: a forte dependência das exportações de commodities agrícolas e de produtos ligados ao agronegócio. O desafio não está apenas em vender mais para o exterior, mas em transformar esse desempenho em desenvolvimento econômico mais amplo.

Agronegócio continua puxando as exportações

A soja permanece na liderança da pauta exportadora paranaense, com US$ 3,9 bilhões comercializados no exterior. Na sequência aparece a carne de frango in natura, com US$ 3,3 bilhões, seguida pelo farelo de soja, que movimentou US$ 1,1 bilhão.

Entre esses produtos, a carne de frango apresentou um avanço expressivo: crescimento de 25,8% em relação aos nove primeiros meses de 2025. Sua participação nas exportações estaduais passou de 14,7% para 17,5%.

Outro destaque foi o óleo de soja bruto, cujas vendas avançaram 78,9%, passando de US$ 419,5 milhões para US$ 750,5 milhões.

A indústria também aparece nos resultados, com exportações de papel, máquinas de terraplanagem e perfuração, celulose, combustíveis, veículos de carga e automóveis. Essa diversificação é importante para reduzir a dependência de poucos setores e ampliar a capacidade de geração de renda e empregos.

Ainda assim, o peso dos produtos agropecuários mostra como o desempenho externo do Paraná continua diretamente relacionado às condições do mercado internacional, à demanda por alimentos e às oscilações dos preços das commodities.

China concentra quase um quarto das vendas

A China foi o principal destino das exportações paranaenses, com compras de US$ 4,3 bilhões, equivalentes a 23,1% do total registrado entre janeiro e setembro.

A Argentina aparece na segunda posição, com US$ 1 bilhão, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 840,4 milhões, pela Índia, com US$ 774 milhões, e pelo México, com US$ 716,3 milhões.

A presença em 208 mercados demonstra o alcance internacional dos produtos do Estado. Ao mesmo tempo, a concentração de quase um quarto das vendas em um único país reforça a importância de ampliar parcerias comerciais e diversificar destinos.

Em um cenário mundial marcado por disputas comerciais e barreiras tarifárias, essa diversificação pode ajudar a reduzir riscos e abrir oportunidades para produtores e empresas paranaenses.

Importações crescem mais que exportações

Um dado merece atenção na leitura dos resultados: enquanto as exportações avançaram 5,5%, as importações do Paraná cresceram 10,4% no mesmo período, passando de US$ 15,3 bilhões para US$ 16,9 bilhões.

Apesar do aumento das compras externas, a balança comercial permaneceu favorável ao Estado, com superávit de US$ 1,8 bilhão. Isso significa que o Paraná vendeu ao exterior mais do que comprou.

Os fertilizantes e adubos lideraram as importações, somando US$ 2,1 bilhões. O valor continua evidenciando a relevância dos insumos estrangeiros para uma economia agrícola de grande porte.

O crescimento das importações, por si só, não representa necessariamente um problema. Compras externas podem incluir máquinas, equipamentos, componentes industriais e insumos necessários à produção. A questão é compreender quanto desse movimento contribui para ampliar a produtividade e fortalecer a capacidade produtiva estadual.

O desafio é transformar exportações em desenvolvimento

Os US$ 18,7 bilhões exportados representam um resultado relevante para o Paraná. Mas o desempenho do comércio exterior não deve ser confundido, automaticamente, com uma medida completa de desenvolvimento econômico.

O volume vendido ao exterior não informa, isoladamente, como os ganhos se distribuem entre produtores, trabalhadores, indústria e comércio. Também não permite concluir, sem outros indicadores, que houve aumento proporcional da renda das famílias ou melhoria dos serviços públicos.

Para avaliar o alcance desse crescimento, é necessário observar também a geração de empregos, a evolução dos salários, os investimentos industriais, a produtividade e a capacidade de agregar valor à produção dentro do próprio Estado.

O Paraná tem vantagens competitivas importantes, que vão da produção agropecuária à infraestrutura logística e industrial. O próximo passo é aproveitar essa posição para ampliar a industrialização, estimular a inovação e criar oportunidades econômicas que ultrapassem os setores diretamente ligados às commodities.

Exportar mais é importante. Transformar esse resultado em prosperidade compartilhada é o verdadeiro desafio.