Emissora alegou incompatibilidade de agendas e retirou da programação o encontro previsto para 11 de outubro. Com a eleição marcada para o dia 25, os debates da Band e da Globo ganham ainda mais importância para os candidatos e para os eleitores.
O cancelamento do debate presidencial que a TV Record realizaria neste domingo (11) reduziu a agenda de confrontos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. A emissora anunciou a decisão na sexta-feira (9), justificando que havia incompatibilidade entre as agendas dos dois candidatos, sem detalhar quais compromissos impediram o encontro. O debate seria o primeiro confronto direto entre os presidenciáveis nesta etapa da disputa.
O episódio repete, em parte, o cenário do primeiro turno, quando Lula e Flávio não participaram juntos de nenhum debate televisivo. A ausência dos dois principais concorrentes esvaziou encontros previstos pelas emissoras e impediu que o eleitor acompanhasse um confronto direto entre os candidatos que acabaram avançando para a decisão.
Agora, com a disputa restrita a dois nomes e a votação marcada para 25 de outubro, o calendário de debates se torna ainda mais relevante. Os encontros oferecem aos candidatos a oportunidade de defender suas propostas, responder a críticas e tentar conquistar eleitores que ainda não decidiram o voto — além de testar a capacidade de reação diante de perguntas e ataques do adversário.
Como fica o calendário dos debates
Com a saída da Record, três debates seguem previstos antes do segundo turno:
- 1 - que reúne veículos como SBT, CNN Brasil, Veja, Exame, Metrópoles, RedeTV!, Rede Vida, Novabrasil FM, Rádio Itatiaia e Terra. O horário ainda deve ser confirmado.15 de outubro — debate organizado pelo grupo “O Momento da Decisão”
- 2 - marcado para as 20h.18 de outubro — debate da TV Bandeirantes
- 3 - previsto para a antevéspera da votação.23 de outubro — debate da TV Globo
As datas foram divulgadas pelas emissoras e veículos que organizam os encontros. A realização efetiva dos debates, porém, depende da participação dos candidatos.
O debate da Globo, por ocorrer apenas dois dias antes da votação, pode ter peso especial na reta final. Já o encontro da Band, marcado para 18 de outubro, será uma das últimas oportunidades de confronto direto com tempo para repercussão política e reação das campanhas.
A responsabilidade também é dos candidatos
A justificativa apresentada pela Record foi a incompatibilidade de agendas. Ainda assim, o cancelamento recoloca uma questão central da campanha: até que ponto os candidatos estão dispostos a se submeter ao confronto público direto?
Debates não substituem entrevistas, programas eleitorais ou o contato com os eleitores. Mas cumprem uma função importante na democracia: permitem comparar propostas, avaliar argumentos e observar como cada candidato responde a questionamentos e contradições. Quando os principais concorrentes não comparecem, o público perde uma oportunidade de avaliação direta.
A responsabilidade pela realização desses encontros não é apenas das emissoras. As campanhas também precisam tratar os debates como parte relevante do processo eleitoral, e não como compromissos opcionais a serem aceitos ou descartados conforme a conveniência política.
O eleitor não pode ficar em segundo plano
O cancelamento da Record não significa que os eleitores ficarão sem oportunidades de acompanhar Lula e Flávio frente a frente. Ainda há três encontros previstos. Mas a sequência de ausências e cancelamentos no primeiro turno torna a confirmação da participação dos candidatos uma questão decisiva.
Em uma eleição polarizada, cada campanha tende a calcular os riscos de expor seu candidato a perguntas inesperadas, ataques do adversário e momentos de improviso. Essa estratégia pode fazer sentido do ponto de vista eleitoral, mas não deve se sobrepor ao interesse público.
O segundo turno exige mais do que a repetição de slogans e acusações nas redes sociais. O país precisa conhecer as prioridades dos dois candidatos para a economia, a segurança pública, a saúde, a educação e as contas públicas — e entender como pretendem transformar suas promessas em políticas concretas.
Com a votação marcada para 25 de outubro, o tempo é curto. A expectativa agora é que os debates restantes sejam mantidos e que Lula e Flávio compareçam. Afinal, a escolha será feita pelos eleitores, que têm o direito de conhecer, comparar e questionar diretamente aqueles que disputam a Presidência da República.
