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Ratinho Junior mostra força na articulação política e amplia sua vantagem na sucessão do Paraná

Durante muitos anos, Ratinho Junior e Beto Richa ocuparam espaços políticos distintos. Em diferentes momentos estiveram em lados opostos das principais disputas estaduais

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Redação24/07/2026
Ratinho Junior mostra força na articulação política e amplia sua vantagem na sucessão do Paraná

Instagram Beto Richa

Política é, antes de tudo, a arte de construir maiorias. E, quando o assunto é negociação, poucos movimentos recentes foram tão emblemáticos quanto a decisão da Federação PSDB-Cidadania de apoiar a candidatura de Sandro Alex (PSD) ao Governo do Paraná, após uma reunião entre o governador Ratinho Junior, o próprio Sandro Alex e o deputado federal Beto Richa, presidente estadual da federação.

O gesto vai muito além da simples adesão de mais dois partidos à coligação governista. Ele representa a capacidade de Ratinho Junior de fazer aquilo que todo líder político precisa dominar: reunir antigos adversários em torno de um projeto comum.

Durante muitos anos, Ratinho Junior e Beto Richa ocuparam espaços políticos distintos. Em diferentes momentos estiveram em lados opostos das principais disputas estaduais. Ainda assim, quando o objetivo passou a ser a construção de uma base sólida para a sucessão no Palácio Iguaçu, prevaleceu o pragmatismo político.

É justamente essa característica que diferencia lideranças administrativas de lideranças políticas.

Governar exige capacidade de executar obras, administrar recursos públicos e entregar resultados. Liderar politicamente exige algo diferente: convencer, dialogar, negociar e construir consensos, inclusive com quem já foi adversário.

Foi exatamente isso que ocorreu.

A reunião que culminou no apoio do PSDB-Cidadania demonstra que Ratinho Junior continua exercendo influência direta sobre o tabuleiro eleitoral paranaense. Mesmo impedido constitucionalmente de disputar um terceiro mandato consecutivo, o governador permanece como o principal articulador do grupo governista e conduz pessoalmente a montagem da coalizão que pretende manter seu projeto político à frente do Estado.

O movimento também revela um aspecto importante da política contemporânea: as eleições são vencidas não apenas pela popularidade dos candidatos, mas pela capacidade de reunir estrutura partidária, prefeitos, vereadores, lideranças regionais e tempo de propaganda.

Nesse aspecto, Ratinho Junior tem acumulado vitórias.

Antes mesmo da oficialização das candidaturas, seu grupo já havia consolidado o apoio da União Progressista (União Brasil e PP). Agora, incorpora também a Federação PSDB-Cidadania, ampliando significativamente sua base política e reduzindo o espaço de negociação disponível para os adversários.

Esse tipo de articulação dificilmente acontece por acaso.

Na política, alianças desse porte são resultado de meses de diálogo, concessões, construção de confiança e definição clara de objetivos. O fato de Beto Richa, ex-governador e uma das principais lideranças históricas do PSDB no Paraná, anunciar apoio ao candidato escolhido por Ratinho Junior evidencia que o governador conseguiu construir uma ponte onde muitos enxergavam apenas diferenças.

Há também um componente estratégico.

Ratinho Junior compreendeu que sucessão não se constrói apenas com a transferência de popularidade. É preciso oferecer aos aliados segurança política e perspectiva de participação em um projeto de longo prazo. Essa percepção explica por que sua base permanece relativamente coesa às vésperas das convenções.

Naturalmente, alianças não garantem vitória antecipada. Campanhas eleitorais são dinâmicas, os adversários continuam competitivos e o eleitor será quem dará a palavra final nas urnas.

Mas seria um erro ignorar o significado político do movimento desta semana.

Ao convencer a Federação PSDB-Cidadania a integrar o projeto liderado pelo PSD, Ratinho Junior demonstra que sua principal força talvez não esteja apenas nos índices de aprovação da gestão ou nas obras realizadas durante os dois mandatos.

Ela está, sobretudo, na capacidade de negociar, agregar diferentes correntes políticas e transformar adversários de ontem em parceiros de um mesmo projeto.

Essa habilidade sempre foi um dos principais ativos dos grandes líderes políticos brasileiros. No Paraná, os acontecimentos das últimas semanas indicam que Ratinho Junior domina essa arte com notável eficiência.

Em política, quem consegue construir pontes enquanto os adversários levantam muros, costuma entrar na disputa com uma vantagem difícil de ser ignorada.