A discussão desta sexta-feira (3) nunca foi sobre uma publicação em rede social. Foi sobre liderança.
Nos últimos dias, voltaram a circular rumores de que Ratinho Junior poderia rever sua estratégia para a sucessão estadual e substituir Sandro Alex por Rafael Greca como candidato ao Palácio Iguaçu.
Os rumores cresceram.
Mas bastou uma postagem do governador para mudar completamente o ambiente político.
Quando Ratinho Junior escreveu que "seu único pré-candidato é Sandro Alex", ele não estava apenas reafirmando um nome.
Estava reafirmando quem continua comandando o processo político dentro de sua base.
Esse talvez seja o principal recado da publicação.
Governadores que encerram seus mandatos com aprovação superior a 80% não costumam aceitar que terceiros conduzam a sucessão. Muito menos permitem que rumores passem a impressão de que perderam o controle das decisões.
Era justamente essa percepção que começava a surgir. Não porque houvesse qualquer anúncio oficial. Mas porque, na política, silêncio prolongado quase sempre alimenta especulações.
Ratinho decidiu interromper esse movimento.
Não convocou lideranças, não reuniu a imprensa, não telefonou para dirigentes partidários e falou diretamente com o eleitor.
E fez isso porque compreende uma realidade da política contemporânea: hoje, uma publicação pode produzir mais efeito do que uma coletiva inteira.
A resposta de Rafael Greca também merece atenção.
Sua publicação afirmando que "não será vice de ninguém" dificilmente foi apenas uma participação bem-humorada na trend das torres.
Greca é um dos políticos mais experientes do Paraná. Cada palavra publicada por ele costuma ser cuidadosamente escolhida.
Ao afirmar que não pretende disputar a vice-governadoria, o ex-prefeito praticamente eliminou uma das hipóteses que circulavam nos bastidores e, ao mesmo tempo, preservou seu espaço político para qualquer outro cenário.
É uma forma elegante de dizer que continua no jogo. Mas há um aspecto que talvez tenha passado despercebido. A grande vitória política da sexta-feira não foi de Sandro Alex. Foi de Ratinho Junior.
Porque a discussão deixou de ser quem poderia substituí-lo na condução da sucessão. A discussão passou a ser quem tem autoridade para decidir.
E, neste momento, essa resposta continua sendo óbvia. Quem governa o Paraná com índices de aprovação superiores a 80% dificilmente divide a condução de sua sucessão.
Há outro fator importante: Toda sucessão produz ansiedade. Prefeitos começam a fazer contas, deputados avaliam cenários, partidos tentam melhorar sua posição nas negociações.
É natural que nomes apareçam, desapareçam e voltem a surgir. O que não costuma acontecer é um governador popular abrir mão do candidato que escolheu por causa da pressão dos bastidores.
Foi exatamente essa leitura que Ratinho Junior procurou desmontar. A publicação não teve como principal destinatário Rafael Greca.
Também não teve Sandro Alex. O verdadeiro destinatário era a própria base política. O governador disse, sem precisar dizer literalmente:
"Quem continua conduzindo esse processo sou eu."
Na política, autoridade não se exerce apenas tomando decisões. Também se exerce impedindo que outros pareçam tomá-las. Foi isso que Ratinho Junior fez.
E é por isso que a sexta-feira talvez seja lembrada menos pela "trend da torre" e mais pelo momento em que o governador decidiu lembrar a todos que, enquanto houver sucessão para construir, o centro das decisões continua sendo o Palácio Iguaçu.
