NARRATIVA.política, poder e versão

Ratinho Junior fez mais do que defender Sandro Alex. Defendeu sua própria liderança.

Quando Ratinho Junior escreveu que "seu único pré-candidato é Sandro Alex", ele não estava apenas reafirmando um nome.

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Redação04/07/2026
Ratinho Junior fez mais do que defender Sandro Alex. Defendeu sua própria liderança.

A discussão desta sexta-feira (3) nunca foi sobre uma publicação em rede social. Foi sobre liderança.

Nos últimos dias, voltaram a circular rumores de que Ratinho Junior poderia rever sua estratégia para a sucessão estadual e substituir Sandro Alex por Rafael Greca como candidato ao Palácio Iguaçu.

Os rumores cresceram.

Mas bastou uma postagem do governador para mudar completamente o ambiente político.

Quando Ratinho Junior escreveu que "seu único pré-candidato é Sandro Alex", ele não estava apenas reafirmando um nome.

Estava reafirmando quem continua comandando o processo político dentro de sua base.

Esse talvez seja o principal recado da publicação.

Governadores que encerram seus mandatos com aprovação superior a 80% não costumam aceitar que terceiros conduzam a sucessão. Muito menos permitem que rumores passem a impressão de que perderam o controle das decisões.

Era justamente essa percepção que começava a surgir. Não porque houvesse qualquer anúncio oficial. Mas porque, na política, silêncio prolongado quase sempre alimenta especulações.

Ratinho decidiu interromper esse movimento.

Não convocou lideranças, não reuniu a imprensa, não telefonou para dirigentes partidários e falou diretamente com o eleitor.

E fez isso porque compreende uma realidade da política contemporânea: hoje, uma publicação pode produzir mais efeito do que uma coletiva inteira.

A resposta de Rafael Greca também merece atenção.

Sua publicação afirmando que "não será vice de ninguém" dificilmente foi apenas uma participação bem-humorada na trend das torres.

Greca é um dos políticos mais experientes do Paraná. Cada palavra publicada por ele costuma ser cuidadosamente escolhida.

Ao afirmar que não pretende disputar a vice-governadoria, o ex-prefeito praticamente eliminou uma das hipóteses que circulavam nos bastidores e, ao mesmo tempo, preservou seu espaço político para qualquer outro cenário.

É uma forma elegante de dizer que continua no jogo. Mas há um aspecto que talvez tenha passado despercebido. A grande vitória política da sexta-feira não foi de Sandro Alex. Foi de Ratinho Junior.

Porque a discussão deixou de ser quem poderia substituí-lo na condução da sucessão. A discussão passou a ser quem tem autoridade para decidir.

E, neste momento, essa resposta continua sendo óbvia. Quem governa o Paraná com índices de aprovação superiores a 80% dificilmente divide a condução de sua sucessão.

Há outro fator importante: Toda sucessão produz ansiedade. Prefeitos começam a fazer contas, deputados avaliam cenários, partidos tentam melhorar sua posição nas negociações.

É natural que nomes apareçam, desapareçam e voltem a surgir. O que não costuma acontecer é um governador popular abrir mão do candidato que escolheu por causa da pressão dos bastidores.

Foi exatamente essa leitura que Ratinho Junior procurou desmontar. A publicação não teve como principal destinatário Rafael Greca.

Também não teve Sandro Alex. O verdadeiro destinatário era a própria base política. O governador disse, sem precisar dizer literalmente:

"Quem continua conduzindo esse processo sou eu."

Na política, autoridade não se exerce apenas tomando decisões. Também se exerce impedindo que outros pareçam tomá-las. Foi isso que Ratinho Junior fez.

E é por isso que a sexta-feira talvez seja lembrada menos pela "trend da torre" e mais pelo momento em que o governador decidiu lembrar a todos que, enquanto houver sucessão para construir, o centro das decisões continua sendo o Palácio Iguaçu.