Em política, alianças raramente são construídas pela ansiedade. Elas são resultado da combinação entre força eleitoral, capacidade de negociação e perspectiva de poder. É exatamente esse jogo que o governador Ratinho Junior parece estar conduzindo na montagem da base que sustentará a candidatura de Sandro Alex ao Governo do Paraná.
As conversas com dirigentes do PP e do União Brasil, realizadas nos últimos dias, demonstram que o Palácio Iguaçu trabalha para ampliar sua coalizão sem abrir mão do protagonismo do PSD.
Não se trata apenas de somar partidos. O objetivo é construir uma maioria política capaz de oferecer estabilidade durante a campanha e, principalmente, depois da eleição.
Há quem interprete a ausência de definições imediatas como sinal de dificuldade. A leitura, porém, ignora uma característica histórica da política brasileira: partidos médios e grandes costumam levar as negociações até os últimos momentos possíveis para ampliar seu poder de barganha. Isso acontece em praticamente todas as eleições.
Ratinho Junior sabe disso.
Por essa razão, não tem tratado a demora como derrota. Ao contrário, continua conversando com lideranças, oferecendo espaço político, discutindo composições e demonstrando disposição para formar uma ampla aliança em torno de Sandro Alex. As conversas com PP, União Brasil, MDB e Podemos revelam uma estratégia de construção gradual, baseada no diálogo e não na imposição.
Mas existe um fator que diferencia Ratinho Junior da maioria dos governadores que tentam eleger um sucessor: a aprovação popular.
Poucos governantes encerram o segundo mandato mantendo índices de aprovação tão elevados. Esse patrimônio político muda completamente a lógica das negociações. Um governador bem avaliado não oferece apenas cargos ou participação em uma chapa. Ele oferece algo muito mais valioso: a possibilidade de integrar um projeto que chega competitivo às urnas.
É justamente por isso que Sandro Alex entra na disputa em uma posição privilegiada.
Mais do que ser o nome escolhido pelo PSD, ele representa a continuidade de um governo que consolidou investimentos em infraestrutura, fortaleceu a segurança pública, ampliou programas sociais e manteve indicadores econômicos positivos. Para muitos prefeitos e lideranças municipais, essa continuidade pesa mais do que promessas ainda não testadas.
Outro aspecto importante costuma passar despercebido.
Ratinho Junior não busca apenas formar uma coligação eleitoral. Ele trabalha para preservar a governabilidade construída ao longo de dois mandatos. Ao aproximar PP, União Brasil, MDB, Republicanos e outras legendas, o governador procura criar uma base política que ultrapasse o período da campanha e permita ao próximo governo iniciar o mandato com sustentação institucional.
Essa talvez seja sua maior demonstração de maturidade política.
Governadores em fim de mandato frequentemente concentram esforços na própria carreira. Ratinho fez uma escolha diferente. Ao permanecer no cargo, abriu mão da disputa presidencial e assumiu pessoalmente a missão de construir a sucessão estadual. Desde então, transformou sua popularidade em instrumento de articulação política.
É evidente que as negociações ainda produzirão novos capítulos. Partidos continuarão discutindo espaços, candidaturas ao Senado, composição da vice e participação em um eventual governo. Faz parte do processo democrático.
O que parece cada vez mais claro, entretanto, é que as conversas não acontecem porque Ratinho Junior precisa desesperadamente de aliados. Elas acontecem porque praticamente todos os partidos reconhecem que estar ao lado de um governador com elevados índices de aprovação representa uma vantagem eleitoral difícil de ignorar.
Na política, alianças não são construídas apenas por afinidade ideológica. Elas seguem a lógica da viabilidade eleitoral.
E, hoje, poucos ativos têm mais peso no Paraná do que a aprovação de Ratinho Junior. É esse capital político que ele tenta transferir para Sandro Alex, ao mesmo tempo em que amplia uma base de apoio capaz de dar sustentação ao projeto governista.
Se conseguirá reunir todos os partidos desejados, só as convenções responderão. Mas uma coisa já parece evidente: Ratinho Junior entrou na sucessão estadual ocupando a posição mais confortável do tabuleiro.
Não é ele quem precisa provar que tem força política. São os demais atores que precisam decidir se ficarão dentro ou fora de um projeto que chega competitivo porque se apoia, antes de tudo, na aprovação de quem hoje governa o Paraná.
