A candidatura de Sérgio Moro carrega força — mas também carrega um problema estrutural que não pode ser ignorado: ela foi construída longe da gestão.
E isso, numa eleição estadual, cobra um preço.
Não se trata de questionar biografia.
Trata-se de reconhecer adequação.
O Paraná não está escolhendo um símbolo.
Está escolhendo quem vai operar uma máquina pública complexa, com orçamento bilionário, pressão política constante e necessidade de execução diária.
E aqui surge o contraste incômodo.
De um lado, um grupo que passou anos governando, com erros e acertos — mas com experiência concreta de gestão;
Do outro, uma candidatura que se sustenta, até aqui, muito mais naquilo que representa do que naquilo que executou.
Isso não é detalhe.
É o centro da eleição.
Porque quando o debate sai do campo simbólico e entra no campo prático, a régua muda.
E, sob essa régua, o discurso precisa responder a uma pergunta simples:
Onde estão as entregas?
Até agora, essa resposta ainda não apareceu com clareza.
