NARRATIVA.política, poder e versão

Quando a experiência vira arrogância

A política é construída pela vontade popular, não pela autoproclamação de currículos

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Redação24/06/2026
Quando a experiência vira arrogância

A declaração do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ao rejeitar a possibilidade de compor como vice em uma eventual chapa liderada por Sandro Alex, revela mais do que uma divergência política. Ao afirmar que aceitar a vice-governadoria seria uma “negação da sua história” e que só consideraria a hipótese caso Sandro Alex tivesse “o currículo” que ele possui, Greca transmitiu uma imagem de superioridade que dificilmente passa despercebida pelo eleitor.

É inegável que Greca possui uma trajetória extensa na vida pública. Foi prefeito de Curitiba por três mandatos, deputado federal, secretário de Estado e ministro. Sua biografia política é respeitável e faz parte da história recente do Paraná. Contudo, experiência não é salvo-conduto para menosprezar a trajetória dos demais atores políticos.

A política é construída pela vontade popular, não pela autoproclamação de currículos. Ao sugerir que a posição de vice seria incompatível com sua trajetória porque o cabeça de chapa não teria a mesma experiência, Greca parece ignorar que o eleitor não escolhe candidatos apenas pelo número de cargos ocupados. Liderança, capacidade de articulação, identificação popular e conexão com os desafios atuais também pesam na balança.

Além disso, os números disponíveis até aqui não autorizam qualquer sentimento de favoritismo. Pesquisas recentes mostram um cenário competitivo, no qual Greca aparece distante da liderança e inserido em um grupo intermediário de candidatos. Em levantamento divulgado neste mês, ele surge com 11,7% das intenções de voto, em empate técnico com Sandro Alex, que registra 14,4%, enquanto outros concorrentes aparecem em posições mais consolidadas.

Há ainda uma questão estratégica. Parte dos analistas políticos avalia que Greca possui forte reconhecimento em Curitiba, mas ainda enfrenta desafios para ampliar sua presença eleitoral no interior do Estado. Esse cenário levanta uma dúvida legítima: teria sua candidatura alcançado um teto de crescimento? Se a resposta for positiva, a postura de rejeitar alianças e tratar potenciais parceiros como politicamente inferiores pode acabar reduzindo ainda mais seu espaço de manobra.

A história política brasileira está repleta de exemplos de líderes experientes que compreenderam a importância da composição. Ser vice não é diminuição; muitas vezes é um gesto de construção coletiva em favor de um projeto maior. O próprio governador Ratinho Junior já afirmou que Greca seria um nome importante para somar experiência a uma chapa governista, destacando seu papel e sua relevância política.

A declaração do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ao rejeitar a possibilidade de compor como vice em uma eventual chapa liderada por Sandro Alex, revela mais do que uma divergência política. Ao afirmar que aceitar a vice-governadoria seria uma “negação da sua história” e que só consideraria a hipótese caso Sandro Alex tivesse “o currículo” que ele possui, Greca transmitiu uma imagem de superioridade que dificilmente passa despercebida pelo eleitor.

É inegável que Greca possui uma trajetória extensa na vida pública. Foi prefeito de Curitiba por três mandatos, deputado federal, secretário de Estado e ministro. Sua biografia política é respeitável e faz parte da história recente do Paraná. Contudo, experiência não é salvo-conduto para menosprezar a trajetória dos demais atores políticos.

A política é construída pela vontade popular, não pela autoproclamação de currículos. Ao sugerir que a posição de vice seria incompatível com sua trajetória porque o cabeça de chapa não teria a mesma experiência, Greca parece ignorar que o eleitor não escolhe candidatos apenas pelo número de cargos ocupados. Liderança, capacidade de articulação, identificação popular e conexão com os desafios atuais também pesam na balança.

Além disso, os números disponíveis até aqui não autorizam qualquer sentimento de favoritismo. Pesquisas recentes mostram um cenário competitivo, no qual Greca aparece distante da liderança e inserido em um grupo intermediário de candidatos. Em levantamento divulgado neste mês, ele surge com 11,7% das intenções de voto, em empate técnico com Sandro Alex, que registra 14,4%, enquanto outros concorrentes aparecem em posições mais consolidadas.

Há ainda uma questão estratégica. Parte dos analistas políticos avalia que Greca possui forte reconhecimento em Curitiba, mas ainda enfrenta desafios para ampliar sua presença eleitoral no interior do Estado. Esse cenário levanta uma dúvida legítima: teria sua candidatura alcançado um teto de crescimento? Se a resposta for positiva, a postura de rejeitar alianças e tratar potenciais parceiros como politicamente inferiores pode acabar reduzindo ainda mais seu espaço de manobra.

No fim das contas, o eleitor costuma premiar a humildade e punir a soberba. Experiência é um ativo valioso. Arrogância, porém, pode transformar uma virtude em obstáculo. E, em uma eleição que ainda está longe de ser decidida, talvez o maior risco para Rafael Greca não seja a falta de currículo dos adversários, mas a impressão de que seu próprio currículo o levou a acreditar que está acima deles.