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Qual seria a principal arma do PSD para frear Sergio Moro? Cristina Graeml está na área

A jornalista conquistou protagonismo na eleição para a Prefeitura de Curitiba ao construir uma candidatura claramente identificada com valores conservadores

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Redação22/07/2026
Qual seria a principal arma do PSD para frear Sergio Moro? Cristina Graeml está na área

Se a candidatura de Sandro Alex já nasce com uma vantagem importante ao contar com o apoio do governador Ratinho Junior, ela ainda enfrenta um desafio político considerável: disputar um eleitorado majoritariamente identificado com a direita, espaço que hoje tem em Sergio Moro um de seus principais representantes.

É justamente nesse ponto que a eventual escolha de Cristina Graeml para a vice-governadoria pode revelar uma estratégia muito mais sofisticada do que parece à primeira vista.

Nas últimas eleições, o Paraná consolidou um perfil político predominantemente conservador. O desempenho sucessivo de candidatos de direita nas eleições presidenciais, estaduais e municipais demonstra que esse campo ideológico permanece majoritário e continuará sendo decisivo em 2026.

Dentro desse cenário, Sergio Moro chega naturalmente como um dos principais herdeiros do capital político construído pela Operação Lava Jato. Mesmo após anos de intensa exposição política, seu nome continua associado, para uma parcela significativa do eleitorado, ao combate à corrupção e às pautas defendidas pela direita.

Ao lado dele, Deltan Dallagnol, embora impedido de exercer mandato, preserva forte influência sobre esse mesmo público. Sua presença constante nas redes sociais, sua capacidade de mobilização e sua credibilidade junto ao eleitor conservador fazem dele um importante formador de opinião dentro desse segmento.

Se Moro e Dallagnol caminham politicamente na mesma direção, o risco para o PSD seria permitir que esse eleitorado migrasse quase integralmente para uma candidatura identificada com esse campo político.

É aí que Cristina Graeml passa a ter importância estratégica.

A jornalista conquistou protagonismo na eleição para a Prefeitura de Curitiba ao construir uma candidatura claramente identificada com valores conservadores. Sua campanha extrapolou os limites da capital e consolidou uma imagem de independência, firmeza de posicionamento e forte identificação com o eleitorado de direita.

Sua eventual presença na chapa de Sandro Alex pode produzir um efeito que vai além da simples soma de votos.

Ela tem potencial para dividir a atenção do mesmo eleitor que, em condições normais, tenderia a enxergar Sergio Moro como a principal opção desse campo político.

Não significa que Cristina levará automaticamente votos de Moro. A fidelidade de parte do eleitorado ao ex-juiz continua sendo elevada. Mas eleições competitivas raramente são decididas por grandes migrações. Normalmente, são definidas por pequenas mudanças de comportamento em segmentos estratégicos do eleitorado.

Se Cristina Graeml conseguir convencer apenas uma parcela dos eleitores conservadores de que a candidatura apoiada por Ratinho Junior também representa seus valores, o impacto político poderá ser significativo.

Há ainda um fator que diferencia essa possível composição.

Enquanto Moro representa principalmente uma agenda ligada ao combate à corrupção e à sua trajetória na Lava Jato, Sandro Alex oferece a narrativa da continuidade administrativa de um governo que encerra seu mandato com elevados índices de aprovação. Cristina Graeml poderia funcionar como a ponte entre essas duas agendas: gestão pública de um lado e identificação ideológica de outro.

Essa combinação pode tornar a candidatura do PSD mais competitiva justamente no campo onde Sergio Moro tende a ser mais forte.

Do ponto de vista estratégico, portanto, Cristina Graeml não seria escolhida apenas para agregar votos próprios. Sua presença pode ter outra finalidade igualmente relevante: impedir que Moro concentre quase sozinho o eleitorado de direita no Paraná.

Em campanhas majoritárias, neutralizar o crescimento do principal adversário costuma ser tão importante quanto ampliar a própria votação.

Se essa hipótese se confirmar durante a campanha, a disputa pelo Palácio Iguaçu deixará de ser apenas uma comparação entre candidatos. Ela passará a ser, sobretudo, uma disputa pela liderança do eleitorado conservador paranaense.

E, nesse cenário, Cristina Graeml pode transformar-se em uma das peças mais estratégicas do tabuleiro eleitoral de 2026.