Quando um partido decide acionar a Justiça Eleitoral para impedir o uso da imagem de uma liderança política, o debate vai muito além de uma questão jurídica. O que está em jogo é a narrativa eleitoral.
A ação movida pelo PSD e pelo governador Ratinho Junior contra Sergio Moro tem um significado político muito mais profundo do que parece à primeira vista. Segundo a representação, Moro teria utilizado imagens de Ratinho Junior ao lado de Jair Bolsonaro durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Paraná, criando a impressão de uma proximidade política que não existe hoje.
A pergunta é simples:
Se Sergio Moro lidera as pesquisas com tanta folga, por que existe a necessidade de associar sua imagem à de Ratinho Junior?
A resposta pode estar justamente nos números mais recentes.
Nos levantamentos divulgados nas últimas semanas, Sandro Alex aparece em trajetória de crescimento, especialmente quando seu nome é apresentado ao eleitor como o candidato apoiado por Ratinho Junior. O Blog Politicamente destacou que a pesquisa IRG mostrou um Sandro Alex muito mais competitivo quando vinculado ao governador do que quando aparece isoladamente.
Isso ajuda a explicar a disputa em torno da imagem de Ratinho.
Hoje, o maior patrimônio eleitoral disponível no Paraná não é Sergio Moro, não é Rafael Greca, não é Requião Filho.
É Ratinho Junior.

Com índices elevados de aprovação e um governo que acumula resultados econômicos e administrativos positivos, Ratinho tornou-se o principal cabo eleitoral da sucessão estadual. E é exatamente aí que surge o desconforto.
Moro construiu sua trajetória política com base em sua atuação na Lava Jato e em sua notoriedade nacional. Mas, pela primeira vez desde que entrou para a política, encontra um adversário que não depende exclusivamente do próprio nome.
Sandro Alex tem algo que Moro não possui: a estrutura política do governo estadual, a máquina de alianças construída nos municípios e, principalmente, a transferência potencial de votos de Ratinho Junior.
A ação judicial do PSD deixa isso muito claro. O partido não quer permitir que o eleitor seja levado a acreditar que Ratinho está em um palanque que, na prática, é adversário do seu projeto político.
E talvez seja justamente esse o ponto mais incômodo para Moro.
Se a liderança nas pesquisas fosse absolutamente confortável, bastaria seguir a campanha normalmente. Mas quando surge a necessidade de disputar a imagem de Ratinho Junior, o debate deixa de ser apenas jurídico e passa a ser eleitoral.
O crescimento de Sandro Alex pode ainda não ter colocado Moro atrás nas pesquisas. Mas já parece ter produzido um efeito importante: obrigou o senador a olhar pelo retrovisor.
E na política, quando um candidato começa a olhar demais para trás, normalmente é porque percebeu que alguém está se aproximando.
Talvez o processo do PSD não seja apenas uma ação judicial.
Pode ser o primeiro sinal público de que a sucessão paranaense está entrando em uma fase em que Sergio Moro deixa de correr sozinho e passa a enfrentar uma candidatura governista que começa, finalmente, a ganhar velocidade.
