A disputa eleitoral no Paraná ganhou um novo capítulo — desta vez, dentro do próprio PL. O candidato a deputado federal Jocelino Veloso fez uma denúncia pública contra a direção estadual do partido e questionou os critérios utilizados para distribuir os recursos do Fundo Eleitoral.
“Vocês podem comprar prefeito, podem comprar vereador, podem comprar liderança de comunidade, podem comprar liderança de bairros, podem comprar lideranças de municípios, mas o povo do Paraná vocês não vão comprar”.
O estopim foi a informação de que Rosângela Moro recebeu R$ 2,6 milhões do partido para sua campanha. Segundo os dados divulgados pela Folha de S.Paulo, o valor representa 21,6% dos R$ 12 milhões distribuídos pelo diretório nacional do PL aos 31 candidatos paranaenses e cerca de 34% de todo o dinheiro destinado às candidaturas femininas.
A direção do partido afirma que a distribuição segue uma estratégia eleitoral para fortalecer candidaturas com maior potencial de votação. É uma justificativa legítima do ponto de vista político, mas que não elimina a pergunta feita pelo próprio candidato do PL: quais são, afinal, os critérios utilizados para decidir quem recebe milhões e quem disputa uma eleição praticamente sem recursos?
Jocelino foi além. Segundo a reportagem, afirmou que faz campanha sem dinheiro do Fundo Eleitoral e acusou grupos políticos de utilizarem recursos para conquistar apoio de vereadores e outras lideranças locais. Ele chegou a mencionar valores de R$ 30 mil e R$ 50 mil que, segundo sua denúncia, estariam sendo oferecidos a lideranças para atuação em campanhas. O candidato disse que pretende levar as acusações à Justiça Eleitoral.
A denúncia coloca Filipe Barros, presidente estadual do PL e candidato ao Senado, no centro da discussão. Jocelino cobra publicamente uma explicação de Barros sobre a distribuição da estrutura partidária e dos recursos.
O episódio expõe uma contradição que merece ser discutida: um partido que se apresenta como defensor da renovação política e do combate aos privilégios precisa explicar com transparência como distribui o dinheiro público destinado às campanhas.
Fundo Eleitoral não é dinheiro privado de um dirigente partidário. São recursos públicos. E, justamente por isso, a sociedade tem o direito de saber por que determinadas candidaturas recebem milhões enquanto outras afirmam não receber praticamente nada.
A denúncia ainda precisa ser apurada e comprovada pelas autoridades competentes. Mas politicamente ela já produz um estrago: a guerra eleitoral que deveria colocar o PL contra seus adversários começou a revelar uma guerra dentro do próprio partido.
E quando o dinheiro público entra no centro da disputa, a pergunta deixa de ser apenas quem terá mais votos.
Passa a ser: quem decidiu quem receberia o dinheiro — e por quê?
