Prefeito de Curitiba, integrante do grupo político de Ratinho Junior, anuncia que vai votar e trabalhar pela candidatura de Flávio no segundo turno. Movimento acontece depois de uma eleição em que Pimentel ficou distante de Cristina Graeml, sua adversária de 2024 e hoje integrante do PSD
Um dia depois do primeiro turno das eleições de 2026, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), fez um movimento político que chama atenção pelo momento e pelo contexto: anunciou publicamente que vai votar e trabalhar pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (5), Pimentel disse que não pretende ficar “em cima do muro” e justificou sua escolha pela necessidade de mudança no país.
A declaração ganha peso porque Pimentel integra o grupo político do governador Ratinho Junior (PSD). Nas eleições estaduais deste domingo, Ratinho apoiou Sandro Alex para o governo do Paraná, mas o candidato do PSD acabou derrotado por Sergio Moro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, pertence ao mesmo PL pelo qual Moro foi eleito governador. Bem Paraná
O movimento também precisa ser colocado dentro do histórico recente da política curitibana.
Em 2024, Pimentel e Cristina Graeml protagonizaram uma disputa acirrada pela Prefeitura de Curitiba. Pimentel venceu o segundo turno com o apoio do grupo de Ratinho Junior. Dois anos depois, Cristina ingressou no PSD, por convite do próprio governador, e foi lançada como candidata ao Senado na chapa governista.
Mas a chegada de Cristina ao partido não significou uma reaproximação automática com Pimentel. O prefeito declarou publicamente que não apoiaria a candidatura dela ao Senado. Na ocasião, afirmou que respeitava a decisão do PSD, mas que sua escolha seria Alexandre Curi.
Na reta final da campanha, Pimentel ainda anunciou seus dois votos para o Senado: Alexandre Curi e Deltan Dallagnol. Para o governo do Paraná, declarou apoio a Sandro Alex e Rafael Greca.
O resultado das urnas, entretanto, redesenhou completamente esse cenário. Moro venceu a eleição para o governo, enquanto Filipe Barros e Deltan Dallagnol foram eleitos para o Senado. Com a ida de Moro para o Palácio Iguaçu, seu suplente, Luis Felipe Cunha, deverá assumir a cadeira no Senado.
É nesse novo tabuleiro que a declaração de Pimentel para Flávio Bolsonaro ganha relevância.
O jogo de 2028 já está no horizonte
Pimentel continua prefeito de Curitiba e seu mandato vai até 2028. A eleição municipal seguinte será, portanto, um dos próximos grandes capítulos da política paranaense.
Por isso, cada movimento do prefeito dentro do campo político da direita passa a ser observado também sob a perspectiva de sua relação com diferentes grupos e lideranças que estarão disputando espaço nos próximos anos.
Não é possível afirmar que o apoio a Flávio tenha sido tomado especificamente com vistas à eleição municipal de 2028. Mas é um fato que Pimentel terá de administrar, daqui para frente, uma equação política mais complexa: pertence ao PSD de Ratinho Junior, convive com uma nova configuração no governo estadual comandado por Moro e, agora, declara apoio ao candidato presidencial do PL.
A situação fica ainda mais interessante porque Cristina Graeml, sua antiga adversária na eleição municipal, também se posicionou no campo bolsonarista e passou a integrar o PSD de Ratinho. A diferença é que, na disputa pelo Senado, Pimentel optou publicamente por outros nomes.
A política paranaense, portanto, começa a desenhar uma nova geometria. Ratinho Junior construiu sua trajetória dentro do PSD; Moro chega ao governo pelo PL; Pimentel permanece no comando da capital pelo PSD; Cristina Graeml ocupa espaço dentro do grupo de Ratinho; e Flávio Bolsonaro disputa agora a Presidência.
Nesse cenário, a declaração de Pimentel não é apenas uma manifestação eleitoral de segundo turno. Ela é mais um movimento no rearranjo das forças políticas do Paraná depois da eleição de 2026.
E, com a próxima eleição municipal já no horizonte de 2028, Curitiba continuará sendo um dos principais palcos dessa disputa.
