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Pesquisa Quaest mostra Lula na frente, mas eleição continua aberta

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 28%

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Redação15/07/2026
Pesquisa Quaest mostra Lula na frente, mas eleição continua aberta

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) produz um efeito duplo sobre a corrida presidencial de 2026. De um lado, oferece ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um argumento político importante: ele lidera todos os cenários testados pelo instituto. De outro, mostra que a disputa ainda está longe de ser definida e que o campo de oposição continua procurando um nome capaz de unificar o eleitorado de centro e de direita.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 28%. A vantagem de 12 pontos confirma a liderança do presidente, mas também evidencia que quase um terço do eleitorado permanece identificado com o principal grupo de oposição. Além disso, 11% dos entrevistados ainda se declaram indecisos e outros 8% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto. Trata-se de um contingente eleitoral suficientemente grande para alterar o cenário ao longo da campanha.

Os números do segundo turno também merecem atenção.

Lula vence todos os adversários testados pela Quaest, mas não alcança uma vantagem capaz de eliminar a competitividade da disputa. Contra Flávio Bolsonaro, a diferença é de oito pontos percentuais. Contra Ronaldo Caiado, cai para nove pontos. Em ambos os casos, permanece um universo expressivo de eleitores que ainda não escolheu definitivamente um lado ou admite rever sua posição durante a campanha.

Talvez o dado mais relevante da pesquisa não esteja propriamente na liderança de Lula, mas na fragmentação do campo oposicionista.

Enquanto o presidente concentra praticamente todo o eleitorado identificado com a esquerda, a direita continua dividida entre diferentes projetos. Flávio Bolsonaro lidera esse espaço, mas Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outras lideranças ainda disputam protagonismo. Essa pulverização favorece Lula neste momento, porque impede a consolidação de um único adversário competitivo no primeiro turno.

Outro aspecto importante é que a pesquisa foi divulgada em um momento de intensa movimentação política. Nos últimos dias, o governo federal enfrentou novos desafios políticos e econômicos, enquanto a oposição segue reorganizando seu discurso e discutindo qual candidatura terá maior capacidade de enfrentar o presidente. Mesmo assim, Lula preserva a liderança e registra sinais de recuperação na avaliação do governo em levantamentos recentes da Quaest.

Mas seria um erro transformar esta fotografia em previsão do resultado eleitoral.

A história recente das eleições brasileiras demonstra que pesquisas realizadas mais de um ano antes da votação costumam medir o grau de conhecimento dos candidatos e o humor momentâneo do eleitor, não necessariamente o comportamento final das urnas. As campanhas presidenciais alteram percepções, redefinem alianças e frequentemente reorganizam o eleitorado durante os meses decisivos.

Também chama atenção o elevado índice de rejeição dos dois principais polos políticos. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro figuram entre os nomes com maior resistência do eleitorado, indicando que a campanha de 2026 continuará marcada pela forte polarização. Ao mesmo tempo, esse cenário abre espaço para que candidaturas alternativas tentem ocupar o eleitorado que demonstra cansaço da disputa entre PT e bolsonarismo.

A pesquisa, portanto, transmite três mensagens centrais.

A primeira é que Lula continua sendo o candidato a ser batido. A segunda é que a direita ainda não encontrou um nome capaz de unificar seu eleitorado desde a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. E a terceira é que ainda existe um enorme espaço para mudanças, principalmente se surgir uma candidatura capaz de reunir parte do eleitorado conservador sem carregar os elevados índices de rejeição que hoje marcam os principais protagonistas da disputa.

Em outras palavras, a Quaest confirma a liderança de Lula, mas não encerra a eleição. Pelo contrário: mostra que o jogo apenas entrou em uma nova fase, em que alianças, definição de candidaturas e desempenho das campanhas poderão pesar tanto quanto os números registrados hoje.