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Pesquisa: Moro é o segundo mais rejeitado para o governo e a maioria dos paranaenses ainda não decidiu em quem votar

O dado que realmente chama atenção está na combinação entre rejeição, voto espontâneo e o gigantesco contingente de eleitores...

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Redação03/09/2026
Pesquisa: Moro é o segundo mais rejeitado para o governo e a maioria dos paranaenses ainda não decidiu em quem votar

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quinta-feira coloca Sergio Moro na liderança da corrida pelo Governo do Paraná e na vice da rejeição: 45% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 24% de Requião Filho e 17,5% de Sandro Alex.

A manchete parece pronta: Moro lidera com folga.

  • Mas quem olhar apenas para os 45% pode estar enxergando somente metade da fotografia.

O dado que realmente chama atenção está na combinação entre rejeição, voto espontâneo e o gigantesco contingente de eleitores que ainda não escolheu candidato.

  • Moro lidera, mas 24,8% dos paranaenses afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Requião Filho enfrenta um obstáculo ainda maior: 36,6% de rejeição, o maior índice entre os principais candidatos.

Sandro Alex aparece em terceiro na intenção de voto, mas com uma diferença fundamental: sua rejeição é de apenas 10,9%.

É uma distância que não pode ser ignorada.

Enquanto Moro e, principalmente, Requião Filho já carregam uma parcela expressiva do eleitorado que decidiu não votar neles, Sandro Alex tem uma margem muito maior para conquistar novos votos sem precisar primeiro romper uma barreira de rejeição.

E há outro detalhe que pode ser ainda mais importante.

  • Na espontânea, Moro perde quase metade dos votos

Quando o eleitor recebe os nomes dos candidatos, Moro chega aos impressionantes 45%.

Mas quando ninguém apresenta a lista e o eleitor precisa dizer espontaneamente em quem pretende votar, Moro cai para 24,2%.

Requião Filho aparece com 10,2% e Sandro Alex com 6,3%.

  • E então surge o verdadeiro tamanho da eleição que ainda está por acontecer: 51,2% dos entrevistados não sabem em quem votar ou não quiseram apontar nenhum nome.

É mais da metade do eleitorado.

Portanto, a pesquisa mostra duas eleições diferentes acontecendo ao mesmo tempo.

A primeira é a eleição dos candidatos já conhecidos, na qual Moro aparece muito à frente.

A segunda é a eleição que ainda está sendo construída, formada por mais de metade dos paranaenses que ainda não transformaram preferência em voto espontâneo.

É justamente aí que a campanha pode mudar o jogo.

Sandro tem menos votos, mas também tem muito menos resistência

Os números colocam Sandro Alex diante de um cenário peculiar.

Ele está atrás de Moro e Requião Filho, mas sua rejeição é quase três vezes menor que a de Requião Filho e mais de duas vezes menor que a de Moro.

Isso significa que Sandro não precisa convencer 36% do eleitorado a mudar de opinião sobre ele. Precisa, antes, ser conhecido, ocupar espaço e transformar baixa rejeição em voto.

E a espontânea mostra que ele já começa a aparecer no radar do eleitor: 6,3% lembram espontaneamente de seu nome, colocando-o à frente dos demais candidatos fora do trio principal.

Não é suficiente para ameaçar Moro hoje.

Mas é suficiente para mostrar que existe espaço para crescimento.

A eleição começa com Moro na frente. A disputa começa agora.

Moro tem uma vantagem inquestionável. Seria errado tentar escondê-la.

Mas também seria errado transformar uma pesquisa de início de setembro em sentença eleitoral.

  • 45% não são 45% de votos consolidados.
  • E os 51,2% de indecisos na espontânea são grandes demais para serem tratados como mero detalhe estatístico.

A eleição ainda precisa passar pela campanha, pelo debate entre os candidatos, pela exposição dos projetos, pela comparação entre governos e trajetórias e, principalmente, pelo momento em que o eleitor deixa de simplesmente reconhecer um nome e decide efetivamente colocar esse nome na urna.

Moro largou na frente — e largou muito na frente.

Requião Filho tem um problema evidente de rejeição.

Sandro Alex tem um problema de conhecimento e consolidação, mas carrega uma vantagem que os números não permitem ignorar: é, entre os três principais candidatos, aquele que encontra menos resistência no eleitorado.

No fim das contas, a pesquisa deixa uma pergunta muito mais interessante do que a simples liderança de Moro:

  • dos 51,2% que ainda não escolheram espontaneamente um candidato, para onde irá a maioria?

É essa parcela — e não os votos já cristalizados — que pode decidir se os 45% de Moro representam o começo de uma vitória anunciada ou apenas uma grande vantagem na largada.

  • Moro lidera. Mas a eleição ainda está aberta. E quem conseguir transformar indecisão em voto terá nas mãos a chave da disputa.