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Pesquisa: Metade do Paraná ainda não escolheu e os 51% de indecisos podem virar a eleição de cabeça para baixo

E há outro dado ainda mais interessante: na espontânea, Sandro também avançou...

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Redação28/08/2026
Pesquisa: Metade do Paraná ainda não escolheu e os 51% de indecisos podem virar a eleição de cabeça para baixo

A nova pesquisa Real Time Big Data para o Governo do Paraná traz uma fotografia que merece ser observada com mais cuidado do que simplesmente reproduzir a manchete de que Sergio Moro continua liderando a corrida eleitoral.

Sim, Moro está na frente.

Mas há outros números tão importantes quanto os 35% obtidos pelo senador.

O principal deles talvez seja o avanço de Sandro Alex, que aparece agora com 23%, reduzindo para 12 pontos percentuais a distância para Moro. Requião Filho aparece com 20%.

Na pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada em 18 de agosto, Moro tinha 37%, Sandro Alex 22% e Requião Filho 20%. Ou seja: em cerca de dez dias, Moro oscilou dois pontos para baixo, Sandro Alex avançou um ponto e Requião permaneceu no mesmo patamar.

A diferença entre Moro e Sandro, que era de 15 pontos, caiu para 12.

Não é uma virada. Mas é uma aproximação.

E, em uma eleição que ainda está sendo formada, aproximações merecem atenção.

O dado mais importante pode estar escondido atrás dos 35%

Na pesquisa estimulada, aquela em que os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor, Moro aparece com 35%, Sandro Alex com 23% e Requião Filho com 20%.

Luiz França tem 2%, outros candidatos somam 1%, brancos e nulos representam 6% e 13% não sabem ou não responderam.

É esse o número que provavelmente dominará as redes sociais e as manchetes.

  • "Moro tem 35%."
  • "Sandro tem 23%."
  • "Requião tem 20%."

Mas existe uma informação muito mais reveladora sobre o estágio da eleição quando se olha para a pergunta espontânea.

E aí a história muda bastante.

Quando os nomes desaparecem, a eleição fica muito mais aberta

Na pesquisa espontânea, o entrevistado não recebe uma lista de candidatos.

Precisa dizer, por conta própria, em quem pretende votar.

O resultado:

  • Moro: 16%
  • Sandro Alex: 9%
  • Requião Filho: 7%
  • Ratinho Junior: 4%
  • Outros: 3%
  • Branco/nulo: 10%
  • Não sabe/não respondeu: 51%.
  • Aqui está o número que deveria ser colocado no centro da discussão:

51% dos eleitores ainda não conseguem apontar espontaneamente um candidato.

Mais da metade.

Isso significa que a eleição ainda está longe de ser uma disputa cristalizada na cabeça do eleitor.

E existe uma diferença fundamental entre dizer que um candidato tem 35% em uma lista apresentada pelo pesquisador e afirmar espontaneamente que pretende votar nele.

Moro tem 35% na estimulada, mas 16% na espontânea.

Sandro Alex passa de 23% para 9%.

Requião Filho cai de 20% para 7%.

Isso não significa que os números da estimulada sejam inválidos.

Significa que o eleitor ainda precisa ser lembrado dos nomes para escolher.

E isso é um sinal de que a campanha ainda terá muito trabalho pela frente.

Sandro Alex está se aproximando?

Sim, os números permitem dizer isso.

Mas é preciso fazer uma distinção importante entre aproximação e ameaça imediata à liderança.

Sandro Alex está 12 pontos atrás de Moro na estimulada. Com margem de erro de dois pontos percentuais, essa diferença é grande o suficiente para que não se possa falar em empate ou em disputa tecnicamente igualada.

Mas a direção do movimento chama atenção.

Na pesquisa anterior do Real Time, Moro tinha 37% e Sandro 22%.

Agora, Moro tem 35% e Sandro 23%.

A distância caiu de 15 para 12 pontos.

E há outro dado ainda mais interessante: na espontânea, Sandro também avançou.

Passou de 8% para 9%, enquanto Moro foi de 15% para 16% e Requião Filho de 6% para 7%.

Ou seja, os três principais candidatos cresceram um ponto na espontânea.

Isso pode indicar uma campanha que começa, lentamente, a ganhar maior definição.

Mas ainda está longe de ser suficiente para afirmar que o eleitorado está consolidado.

O segundo turno apresenta uma informação ainda mais interessante

Quando o instituto simula um eventual segundo turno entre Moro e Sandro Alex, a distância diminui ainda mais.

Moro aparece com 44%, enquanto Sandro Alex tem 32%.

São 12 pontos de diferença.

Brancos e nulos somam 13% e 11% não sabem ou não responderam.

É uma diferença importante, mas muito menor do que a observada no confronto Moro x Requião Filho.

Nesse cenário, Moro chega a 54%, contra 27% de Requião.

Já quando Sandro enfrenta Requião Filho, o candidato do PSD aparece numericamente à frente: 35% contra 30%, com 17% de brancos e nulos e 18% de indecisos.

Isso produz uma leitura bastante interessante.

Sandro Alex está se consolidando como um competidor relevante para um eventual segundo turno.

E, dependendo de como a campanha evoluir, a disputa pelo segundo lugar pode ser tão importante quanto a própria liderança de Moro.

O verdadeiro adversário pode ser o eleitor que ainda não decidiu

Há uma característica comum nas pesquisas recentes do Paraná: os percentuais mudam de instituto para instituto, mas aparece repetidamente um eleitorado ainda bastante aberto.

A Quaest, por exemplo, encontrou 73% de indecisos na pesquisa espontânea divulgada no início desta semana. A Alfa encontrou números diferentes, mas também registrou uma parcela significativa de eleitores que ainda não havia definido completamente sua escolha.

Agora, a Real Time Big Data encontra 51% de "não sabe/não respondeu" na espontânea.

São metodologias, períodos e levantamentos diferentes, portanto não se deve somar ou comparar os percentuais como se fossem uma única pesquisa.

Mas há uma conclusão que parece difícil de ignorar:

o eleitor paranaense ainda não está completamente decidido.

E isso muda a maneira como os números devem ser interpretados.

Pesquisa não é eleição

Moro lidera. Isso é fato.

Sandro Alex está mais próximo do líder nesta rodada do Real Time do que estava na pesquisa anterior do mesmo instituto. Isso também é fato.

Requião Filho permanece muito próximo de Sandro no primeiro turno. Outro fato.

Mas transformar esses números em uma previsão do resultado seria um erro.

A própria pesquisa mostra por quê.

  • Se 51% não conseguem citar espontaneamente um candidato, ainda existe uma parcela enorme do eleitorado que pode ser influenciada por campanha, debates, propaganda eleitoral, propostas, alianças, ataques, respostas e acontecimentos que ainda nem ocorreram.

E agora começa uma etapa especialmente importante da eleição: o horário eleitoral gratuito.

A televisão e o rádio passam a dividir espaço com as redes sociais. Os candidatos terão mais capacidade de apresentar propostas, mas também ficarão mais expostos ao confronto político.

E é nesse ambiente que os números podem começar a mudar com maior velocidade.

A pesquisa mostra uma liderança, mas também mostra uma oportunidade

  • Para Moro, o levantamento confirma uma liderança.
  • Para Sandro Alex, mostra que existe espaço para crescer.
  • Para Requião Filho, mostra que a disputa pelo segundo lugar continua aberta.

E para todos eles, existe um dado que deveria preocupar mais do que qualquer percentual individual:

51% dos eleitores ainda não disseram espontaneamente em quem pretendem votar.

Esse é o tamanho do mercado eleitoral que ainda está em disputa.

É muita gente.

E é justamente por isso que ninguém deveria tratar a eleição de agosto como se fosse a eleição de outubro.

A fotografia mudou.

E pode mudar novamente.

  • Sandro Alex ainda está atrás de Moro, mas diminuiu a distância.
  • Moro continua liderando, mas não está eleito.
  • Requião Filho continua competitivo, mas precisa transformar seus 20% em uma posição mais sólida.

E, acima de todos eles, existe um eleitor que ainda está olhando para os candidatos e dizendo:

"Ainda não sei."

Talvez seja esse eleitor — e não os 35%, 23% ou 20% das manchetes — que decidirá o resultado da eleição.