Moro tem 35% e Sandro Alex chega a 32%; diferença cai para apenas três pontos e fica dentro da margem de erro. Pesquisa também mostra Sandro com 41% contra 44% de Moro no segundo turno
A corrida pelo Governo do Paraná acaba de ganhar uma nova fotografia — e ela é muito diferente daquela apresentada por outras pesquisas divulgadas nesta mesma semana.
O levantamento do Instituto Índice Inteligência, divulgado nesta quinta-feira (24), coloca Sergio Moro com 35% e Sandro Alex com 32% no cenário estimulado. Requião Filho aparece com 20%.
A diferença entre Moro e Sandro é de apenas três pontos percentuais, enquanto a margem de erro é de 2,83 pontos. Portanto, os dois estão tecnicamente empatados.
Não é um detalhe.
É uma mudança importante na fotografia da eleição.
Sandro não apenas cresceu. A distância diminuiu
A série histórica do próprio Índice Inteligência é ainda mais reveladora.
Sandro Alex saiu de 27,6%, passou por 28,6%, chegou a 30,6% e agora aparece com 32%.
Moro, no mesmo período, oscilou em torno dos 35%:
35,3% → 36,8% → 35,3% → 35%.
A diferença entre os dois, que era de 7,7 pontos, caiu para apenas três.
Ou seja: dentro da série do instituto, Sandro foi reduzindo progressivamente a distância para Moro.
É justamente esse movimento que merece ser colocado no centro da discussão eleitoral.
Não se trata de afirmar que Sandro será o vencedor — pesquisas não permitem essa conclusão. Trata-se de registrar que, nesta pesquisa, o candidato do PSD chegou à faixa de empate técnico com o líder.
E o segundo turno deixa a fotografia ainda mais apertada
O Índice Inteligência também testou um eventual segundo turno entre Moro e Sandro.
Resultado:
Moro: 44%
Sandro Alex: 41%
A diferença é de três pontos. Novamente, dentro da margem de erro.
Ou seja, o próprio levantamento que coloca Moro numericamente à frente no primeiro turno também registra um cenário de segundo turno tecnicamente empatado.
Contra Requião Filho, Sandro aparece com 51% contra 28%.
Moro, por sua vez, registra 54% contra 32% de Requião.
Esses números mostram uma característica importante da pesquisa: o cenário muda significativamente dependendo dos nomes colocados frente a frente.
A grande pergunta: por que as pesquisas estão tão diferentes?
Aqui está talvez o ponto mais importante para o eleitor.
No mesmo dia em que o Índice Inteligência apresentou Moro 35% e Sandro 32%, a Quaest divulgou Moro 36% e Sandro 20%.
E a Neokemp apresentou uma fotografia ainda mais distante: Moro 48,7%, Requião Filho 25,9% e Sandro Alex 20,8%.
Três levantamentos realizados em períodos próximos, portanto, apresentam desenhos consideravelmente diferentes.
Isso não significa que uma pesquisa esteja necessariamente errada.
Mas significa que não é possível tratar uma pesquisa isolada como se fosse a própria realidade eleitoral.
A metodologia importa. A data da coleta importa. O tamanho da amostra importa. A forma de abordagem do eleitor importa. A formulação das perguntas importa.
E, sobretudo, importa saber como cada instituto chegou ao número que está sendo divulgado.
A espontânea também merece atenção
Quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, o cenário fica ainda mais aberto.
Moro aparece com 22%, Sandro Alex com 15% e Requião Filho com 8%.
Mas o dado mais impressionante é outro:
44% não souberam ou não responderam.
Quase metade dos entrevistados não apresentou espontaneamente nenhum nome.
Isso significa que ainda existe uma parcela expressiva do eleitorado que não consolidou uma escolha quando não recebe a lista de candidatos.
É justamente por isso que transformar uma pesquisa em sentença definitiva sobre a eleição seria precipitado.
Sandro chega à reta final em movimento
O que o levantamento do Índice Inteligência efetivamente registra é uma trajetória.
Sandro Alex não está estacionado.
Dentro da série do instituto, ele vem subindo:
27,6% → 28,6% → 30,6% → 32%.
Ao mesmo tempo, Moro permanece praticamente estável na faixa dos 35%.
O resultado é matemático: a distância diminuiu.
E diminuiu até chegar a um ponto em que, considerando a margem de erro, os dois aparecem tecnicamente empatados.
Uma eleição que não cabe em uma única pesquisa
É aqui que a cobertura eleitoral precisa ir além da manchete fácil.
Uma pesquisa aponta Moro com quase 50%. Outra mostra 36%. Outra coloca Moro em 35% e Sandro em 32%. Não são pequenas diferenças.
São fotografias substancialmente diferentes do mesmo eleitorado.
E isso exige do eleitor mais atenção — não menos.
O Índice Inteligência ouviu 1.200 eleitores entre 19 e 21 de setembro, com margem de erro máxima de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número PR-06638/2026.
O que essa pesquisa muda?
Muda uma coisa fundamental: a narrativa de uma eleição com ampla distância entre Moro e os demais candidatos não é reproduzida neste levantamento.
Aqui, a diferença entre Moro e Sandro é de três pontos.
No segundo turno, também são três.
E, na espontânea, Sandro aparece com 15%, contra 22% de Moro.
É uma fotografia que coloca o candidato do PSD muito mais próximo do líder do que mostram alguns outros levantamentos recentes.
Isso não permite dizer que haverá virada.
Não permite dizer quem chegará ao segundo turno.
Mas permite fazer uma constatação objetiva:
- A eleição que aparece na pesquisa do Índice Inteligência é uma eleição muito mais apertada do que aquela apresentada por outros institutos.
E, faltando poucos dias para a votação, essa diferença entre as pesquisas talvez seja tão importante quanto os próprios números.
Porque, no fim das contas, pesquisa é fotografia. E, quando cinco fotógrafos apontam suas câmeras para a mesma paisagem e entregam imagens tão diferentes, o leitor tem o direito — e o dever — de perguntar por quê.
