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Pesquisa BTG/Nexus confirma polarização, expõe limites de Flávio Bolsonaro e coloca o Paraná no centro da disputa de 2026

Ratinho Junior acompanha atentamente esse cenário porque sua estratégia nacional depende, em grande medida, do desempenho do candidato apoiado

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Redação13/07/2026
Pesquisa BTG/Nexus confirma polarização, expõe limites de Flávio Bolsonaro e coloca o Paraná no centro da disputa de 2026

A nova pesquisa Nexus/BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (13), confirma que a eleição presidencial de 2026 permanece aberta, mas revela um dado que merece atenção: Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança em todos os cenários testados, enquanto Flávio Bolsonaro consolida-se como principal nome da direita, embora ainda encontre dificuldades para romper seu teto eleitoral.

Na pesquisa espontânea — considerada um importante indicador da força natural das candidaturas — Lula aparece com 35%, contra 24% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 11 pontos percentuais demonstra que o presidente ainda preserva vantagem significativa antes mesmo do início oficial da campanha. O dado mais relevante, contudo, é o elevado índice de indecisos: 22% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar ou preferiram não responder. Trata-se de um contingente suficiente para alterar o cenário ao longo dos próximos meses.

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula registra 40%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 34%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, seguido por Renan Santos e Romeu Zema, ambos com 4%. Os demais nomes permanecem abaixo de 2%.

Embora Lula continue liderando, o crescimento de Flávio no cenário estimulado indica que o eleitorado bolsonarista permanece altamente mobilizado. O sobrenome Bolsonaro continua sendo um ativo eleitoral importante, especialmente quando o eleitor é confrontado com as opções disponíveis.

O teste decisivo, entretanto, continua sendo o segundo turno.

No confronto direto, Lula obtém 47%, contra 44% de Flávio Bolsonaro. A diferença de apenas três pontos percentuais configura empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa. Nenhum outro nome da direita apresenta desempenho semelhante. Contra Ronaldo Caiado, Lula vence por 47% a 38%. Contra Romeu Zema, a vantagem é de 47% a 40%. Já diante de Renan Santos, Lula amplia a distância para 49% a 35%.

A conclusão é evidente: neste momento, Flávio Bolsonaro é o único candidato do campo conservador que demonstra capacidade de transformar a eleição presidencial em uma disputa efetivamente competitiva.

Mas os números escondem outro desafio.

A pesquisa de rejeição mostra que Flávio Bolsonaro também carrega uma das maiores resistências do eleitorado brasileiro. 50% afirmam que não votariam nele de maneira alguma, percentual superior ao de Lula (46%) e inferior apenas ao de Aécio Neves (61%). Isso significa que, embora consiga reunir praticamente todo o eleitorado bolsonarista, Flávio ainda encontra dificuldades para ampliar sua votação entre os eleitores moderados e independentes.

Esse dado ganha ainda mais importância diante das turbulências internas enfrentadas pelo próprio bolsonarismo. As notícias sobre divergências entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, além da necessidade de intervenção de Jair Bolsonaro para preservar a unidade do grupo, revelam que a principal força de oposição chega ao processo eleitoral enfrentando desafios políticos que vão além da disputa contra Lula.

Para o Paraná, os reflexos são imediatos.

Ratinho Junior acompanha atentamente esse cenário porque sua estratégia nacional depende, em grande medida, do desempenho do candidato apoiado pelo eleitorado conservador. Se Flávio Bolsonaro conseguir manter a competitividade demonstrada nesta pesquisa, cresce a tendência de fortalecimento dos palanques alinhados ao bolsonarismo nos estados, aumentando a pressão para que lideranças regionais estreitem vínculos com a campanha presidencial.

Por outro lado, caso Flávio encontre dificuldades para reduzir sua elevada rejeição ou administrar os conflitos internos do grupo, Ratinho Junior ganha espaço para consolidar uma posição própria como principal liderança da centro-direita administrativa do país. Essa alternativa ampliaria sua influência nacional e daria maior autonomia à candidatura de Sandro Alex ao Governo do Paraná.

A pesquisa também reforça outra característica da sucessão paranaense. Diferentemente da eleição presidencial, a tendência é que a disputa estadual seja pautada menos pelo confronto ideológico e mais pela avaliação da gestão de Ratinho Junior. Nesse contexto, Sandro Alex poderá explorar os resultados administrativos do governo estadual sem depender exclusivamente da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O levantamento Nexus/BTG Pactual revela, portanto, três mensagens centrais. A primeira é que Lula continua sendo o favorito na corrida presidencial. A segunda é que Flávio Bolsonaro permanece como o único nome da direita capaz de levar a disputa para um segundo turno competitivo. A terceira, talvez a mais importante para o Paraná, é que o resultado da eleição presidencial influenciará diretamente a sucessão estadual e o projeto nacional de Ratinho Junior.

Ainda faltam meses para o início oficial da campanha. Com 22% de indecisos na pesquisa espontânea, alta rejeição aos dois principais candidatos e um segundo turno tecnicamente equilibrado, a eleição de 2026 permanece aberta. E, como em poucas vezes na história recente, o Paraná poderá exercer um papel decisivo na definição não apenas do próximo presidente da República, mas também da nova liderança da direita brasileira.