A nova pesquisa Neokemp para o Governo do Paraná coloca Sergio Moro na liderança, mas os números trazem um detalhe que merece muito mais atenção do que a simples fotografia da intenção de voto.
Moro aparece com 48,8%, abrindo 25,5 pontos sobre Requião Filho, que tem 23,3%. Sandro Alex aparece logo atrás, com 20,4%, mostrando crescimento em relação ao levantamento anterior, quando tinha 17,7%.
Mas existe uma ressalva importante antes de qualquer interpretação política: a pesquisa não apresenta cenário espontâneo.
O levantamento da Neokemp traz apenas o cenário estimulado, ou seja, aquele em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados para que escolham em quem votariam. Portanto, os 48,8% de Moro representam uma intenção de voto estimulada, e não o percentual de eleitores que espontaneamente lembraram seu nome quando perguntados sobre em quem pretendem votar.
Essa diferença metodológica é fundamental.
E é justamente quando se olha para além da intenção de voto que a pesquisa começa a contar uma história mais interessante.
Moro tem 48,8%. Requião também tem 48,8% — de rejeição
O número mais impressionante do levantamento talvez não esteja na tabela de intenção de voto.
Está na rejeição.
Requião Filho é rejeitado por 48,8% dos entrevistados.
Exatamente o mesmo percentual que declara voto em Sergio Moro.
É uma coincidência numérica que revela um contraste político bastante significativo: enquanto Moro consegue convencer praticamente metade dos entrevistados no cenário estimulado, Requião começa a disputa carregando uma rejeição que também atinge praticamente metade do eleitorado pesquisado.
- Moro, por sua vez, aparece com 31,3% de rejeição.
Ou seja, sua liderança é expressiva, mas não está livre de resistência. Há uma parcela importante do eleitorado que declara que não votaria nele de jeito nenhum.
A situação de Requião, entretanto, é ainda mais delicada.
- Ele tem 23,3% de intenção de voto e 48,8% de rejeição.
Em outras palavras: sua rejeição é mais que o dobro de sua intenção de voto.
E é aí que Sandro Alex aparece como um nome a ser observado
Sandro Alex está em terceiro lugar, com 20,4%, apenas 2,9 pontos atrás de Requião Filho.
Mas o dado que chama atenção é outro.
- Sua rejeição é de apenas 6,3%.
A distância entre intenção de voto e rejeição é enorme.
Sandro tem uma votação ainda inferior à de Moro, mas também carrega uma rejeição muito menor.
Isso significa que, em termos de potencial eleitoral, existe uma diferença importante entre os três principais nomes.
- Moro lidera, mas tem rejeição significativa.
- Requião está em segundo, mas possui a maior rejeição da pesquisa.
- Sandro está em terceiro, mas apresenta uma rejeição muito baixa.
É exatamente esse tipo de combinação que pode fazer uma eleição mudar durante a campanha.
O eleitor ainda precisa conhecer, decidir e escolher
Outro cuidado importante é não transformar uma pesquisa estimulada em previsão de resultado.
As pesquisas são fotografias de um determinado momento e que fatores como metodologia, composição da amostra e forma de apresentação das perguntas podem influenciar os resultados.
E, neste caso, há uma informação que não está disponível: não sabemos quanto cada candidato teria na pesquisa espontânea, justamente porque essa pergunta não foi apresentada no levantamento divulgado.
Esse dado seria particularmente relevante para medir o grau de consolidação do voto.
Um eleitor que espontaneamente cita um candidato demonstra um nível de lembrança e definição diferente daquele que escolhe um nome depois de receber uma lista de candidatos.
Por isso, não é correto afirmar, a partir desta pesquisa, que quase metade dos paranaenses já tenha espontaneamente decidido votar em Moro.
O que se pode afirmar é que, quando os nomes são apresentados, 48,8% escolhem Moro.
E isso, por si só, já representa uma liderança muito forte.
A eleição, entretanto, não termina no primeiro número
A pesquisa mostra Moro muito à frente.
Mas também mostra uma disputa interessante logo atrás.
Requião Filho tem 23,3%, enquanto Sandro Alex chega a 20,4%. Considerando a margem de erro de 3,1 pontos percentuais, os dois permanecem dentro de uma situação de proximidade estatística.
E é justamente nessa faixa que pode estar uma das principais disputas da eleição.
Porque 20,4% com apenas 6,3% de rejeição é um cenário muito diferente de 23,3% com 48,8% de rejeição.
A diferença entre os dois não está apenas nos pontos percentuais de intenção de voto.
Está no tamanho do eleitorado que cada um ainda pode tentar conquistar.
O dado que merece ficar na manchete
Sergio Moro lidera a pesquisa Neokemp. Isso é fato.
Mas existe outro fato que merece ser colocado ao lado da liderança:
- Moro tem 48,8% de intenção de voto. Requião Filho tem 48,8% de rejeição.
E, enquanto Requião carrega quase metade do eleitorado como território praticamente fechado, Sandro Alex aparece com 20,4% de intenção de voto e apenas 6,3% de rejeição.
É por isso que a pesquisa deve ser lida com mais cuidado do que simplesmente reproduzir o ranking.
Moro larga na frente. Requião enfrenta uma rejeição enorme. E Sandro Alex aparece com espaço para crescer.
A eleição ainda está em movimento.
E, como a pesquisa não mediu o voto espontâneo, ainda falta uma peça importante para saber o quanto dessa fotografia representa uma decisão consolidada do eleitor paranaense e o quanto ainda pode mudar até outubro.
A liderança é de Moro. Mas a eleição ainda não está escrita.
