A eleição de Sergio Moro para o governo do Paraná produziu uma consequência que vai muito além da mudança no Palácio Iguaçu. A partir de janeiro de 2027, o Estado passará a contar com três senadores alinhados ao novo governador: Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (NOVO) e Luis Felipe Cunha (União Brasil).
Filipe Barros e Deltan Dallagnol foram eleitos diretamente pelos paranaenses neste domingo. Já Luis Felipe Cunha chegará ao Senado por uma circunstância particular: ele é o primeiro suplente de Sergio Moro e assumirá a cadeira quando Moro deixar o Congresso para tomar posse como governador do Paraná. A própria declaração de Moro após a vitória resumiu o novo cenário: será, segundo ele, a primeira vez que o Paraná terá três senadores alinhados ao governo estadual.
O resultado cria uma configuração política inédita para o Paraná. Moro deixa Brasília, mas não perde presença política no Senado. Ao contrário: sua cadeira será ocupada por um aliado próximo, enquanto duas novas cadeiras passam a ser ocupadas por nomes que fizeram campanha no mesmo campo político do governador eleito.
Filipe Barros, deputado federal pelo PL, chega ao Senado como o candidato mais votado na disputa pelas duas vagas. Deltan Dallagnol, ex-procurador da República e nome associado à Operação Lava Jato, conquistou a segunda cadeira.
A terceira peça dessa nova bancada será Luis Felipe Cunha. Advogado, mestre em Direito Econômico e Social pela PUCPR e primeiro suplente de Moro desde a eleição de 2022, Cunha mantém uma relação política e profissional próxima do futuro governador. Ele coordenou o projeto eleitoral de Moro em 2022 e, posteriormente, passou a atuar também na estratégia e articulação política do senador no Paraná.
A mudança significa que o Paraná terá, no Senado, três nomes que chegam a Brasília politicamente conectados ao novo governo estadual. Moro poderá deixar de ser senador, mas terá uma bancada com a qual pretende articular recursos e defender os interesses do Estado no Congresso Nacional. Segundo a Gazeta do Povo, o próprio governador eleito afirmou que pretende contar com Cunha, Barros e Dallagnol nessa articulação.
O cenário também altera a relação entre o Palácio Iguaçu e Brasília. Durante os últimos anos, o Paraná teve uma representação no Senado formada por diferentes correntes políticas. A partir de 2027, as três cadeiras estarão concentradas em um grupo politicamente alinhado ao governador eleito.
Isso não significa que os três senadores votarão necessariamente de forma idêntica em todas as matérias. Cada um terá mandato próprio, partido, posições e responsabilidades institucionais. Mas o vínculo político com Moro estabelece uma nova configuração para a representação paranaense em Brasília.
Para o novo governador, será uma vantagem institucional relevante ter três senadores próximos ao seu projeto político justamente no início do mandato. Para os senadores, o desafio será transformar essa proximidade em resultados concretos para o Paraná, especialmente na liberação de recursos, articulação de projetos e defesa de pautas de interesse do Estado.
A eleição de 2026, portanto, não mudou apenas quem ocupará o Palácio Iguaçu. Mudou também o eixo da representação paranaense no Senado.
A partir de janeiro de 2027, Moro estará no governo e três aliados estarão no Senado.
É uma nova configuração de poder político do Paraná em Brasília.
