O Paraná chega às eleições de outubro com um paradoxo que merece atenção. O Estado passa a ocupar, pela primeira vez, a posição de quinto maior colégio eleitoral do Brasil, com cerca de 8,6 milhões de eleitores aptos a votar. Ao mesmo tempo, esse eleitorado está mudando rapidamente de perfil.
Os números mostram que o Paraná perdeu aproximadamente um quarto de seus eleitores mais jovens nos últimos anos, enquanto o contingente de pessoas com 60 anos ou mais praticamente dobrou.
Não se trata apenas de uma mudança estatística. Trata-se de uma transformação que tende a influenciar o discurso dos candidatos, as prioridades das campanhas e, possivelmente, o resultado das urnas.
Durante muito tempo, campanhas eleitorais concentraram boa parte de seus esforços na conquista do chamado "primeiro voto". A juventude era vista como um eleitorado capaz de definir tendências, impulsionar candidaturas e ampliar a presença política nas redes sociais. Esse grupo continua importante, mas perdeu peso relativo dentro do conjunto do eleitorado.
Em sentido oposto, cresce a influência da chamada geração prateada. Os eleitores mais velhos participam das eleições em índices historicamente elevados, acompanham mais de perto o noticiário político e costumam apresentar menor índice de abstenção. Nacionalmente, o eleitorado com mais de 60 anos já representa cerca de um quarto dos votantes e continua crescendo acima da média da população.
Essa realidade deverá alterar a própria agenda eleitoral no Paraná.
Temas como saúde pública, acesso a medicamentos, atendimento especializado, previdência, mobilidade urbana, segurança e qualidade dos serviços públicos tendem a ganhar ainda mais espaço. Não porque os jovens deixaram de importar, mas porque o peso demográfico mudou. Campanhas eficientes costumam acompanhar o comportamento do eleitorado, e não o contrário.
Ao mesmo tempo, a redução da participação dos mais jovens levanta outro debate importante: o do interesse pela política. A diminuição do eleitorado entre 16 e 24 anos não significa apenas uma questão demográfica. Também acende um alerta sobre o afastamento de parte dessa geração do processo eleitoral, justamente em uma época em que o debate político migrou para as redes sociais.
Há outro aspecto que torna essa eleição ainda mais relevante.
Ao se tornar o quinto maior colégio eleitoral do país, ultrapassando o Rio Grande do Sul, o Paraná amplia seu peso político no cenário nacional. O Estado passa a representar um contingente ainda mais expressivo de votos em uma eleição presidencial e reforça sua importância estratégica para partidos e candidatos.
Para quem disputa o Governo do Paraná, a conclusão é evidente: compreender quem é o novo eleitor tornou-se tão importante quanto apresentar propostas. A campanha que insistir em falar apenas para um segmento específico corre o risco de ignorar a principal transformação demográfica do Estado.
As eleições de 2026 serão decididas por um eleitorado diferente daquele de uma década atrás. Mais experiente, mais envelhecido e numericamente maior. Quem compreender essa mudança terá melhores condições de construir uma campanha conectada com a realidade do Paraná.
