A campanha eleitoral de 2026 sequer começou oficialmente, mas uma disputa já tem vencedores definidos.
São os grandes partidos.
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a distribuição de quase R$ 5 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado Fundo Eleitoral. Como determina a legislação, a maior parte dos recursos foi destinada às legendas com maior representação na Câmara dos Deputados e no Senado. Na prática, quem já é grande recebe mais dinheiro para continuar grande.
Entre os maiores beneficiados aparecem o PL, com aproximadamente R$ 881,7 milhões, seguido pelo PT, com R$ 615,4 milhões, e pelo União Brasil, com R$ 526,2 milhões. PSD, PP, MDB e Republicanos também ultrapassam a marca dos R$ 300 milhões. Juntos, apenas os três primeiros partidos concentram cerca de 40% de todo o Fundo Eleitoral.
Valores destinados aos principais partidos (em milhões de reais).

Essa distribuição não é fruto de uma decisão política do TSE. Ela segue critérios previstos na legislação eleitoral, que levam em conta o desempenho dos partidos nas eleições de 2022 e sua representação no Congresso Nacional. Em outras palavras, o sistema premia quem já conquistou espaço político.
Mas é justamente aí que nasce uma discussão que se repete a cada eleição.
O modelo fortalece a democracia ao garantir financiamento público para as campanhas ou amplia a desigualdade entre partidos?
Na prática, partidos pequenos iniciam a corrida muito atrás dos gigantes. Enquanto uma grande legenda pode estruturar campanhas nacionais, estaduais e proporcionais com centenas de milhões de reais, siglas menores precisam disputar espaço com recursos muito mais limitados.
Há outro aspecto que merece atenção.
Quando os valores são analisados por federações partidárias, a concentração é ainda maior. A federação formada por União Brasil e PP ultrapassa R$ 940 milhões, superando inclusive o PL. Já a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, supera os R$ 720 milhões. Isso demonstra que as alianças partidárias passaram a representar não apenas uma estratégia eleitoral, mas também uma forma de ampliar a capacidade financeira das campanhas.
No Paraná, essa distribuição também influencia diretamente a disputa pelo Palácio Iguaçu.
PL, PSD, MDB e PT chegam à campanha com estruturas nacionais robustas, capazes de financiar comunicação, mobilização, logística, pesquisas e organização partidária. Isso não garante vitória, mas oferece uma vantagem relevante na construção das campanhas.
Ao mesmo tempo, o dinheiro não resolve tudo.
A história recente mostra que campanhas milionárias já perderam eleições para candidaturas que conseguiram mobilizar melhor o eleitorado ou captar o sentimento predominante da sociedade. Recursos ajudam, mas não substituem liderança política, alianças consistentes e capacidade de comunicação.
Ainda assim, é impossível ignorar o peso do Fundo Eleitoral.
Antes mesmo de o primeiro programa de televisão ir ao ar, antes dos grandes comícios e antes do início oficial da propaganda, a corrida eleitoral já começa com uma diferença bilionária entre os competidores.
E essa talvez seja a principal reflexão.
No Brasil, a disputa pelas urnas continua sendo decidida pelo eleitor.
Mas a largada da corrida, cada vez mais, depende do tamanho da bancada que cada partido conquistou na eleição anterior.
