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O fator decisivo da eleição pode não estar no vice de Sandro Alex, mas no Paraná

Enquanto Sergio Moro consolidou sua candidatura ao lado do PL, do Novo e do grupo político ligado a Flávio Bolsonaro, Sandro Alex intensifica uma estratégia diferente

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Redação09/06/2026
O fator decisivo da eleição pode não estar no vice de Sandro Alex, mas no Paraná

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A pré-campanha para o Governo do Paraná entra em uma nova fase. Durante muito tempo, o debate esteve concentrado nos nomes que disputarão o Palácio Iguaçu. Agora, os bastidores começam a se voltar para outro tema: as alianças e a composição das chapas.

Enquanto Sergio Moro consolidou sua candidatura ao lado do PL, do Novo e do grupo político ligado a Flávio Bolsonaro, Sandro Alex intensifica uma estratégia diferente. O deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura tem percorrido o estado praticamente sem interrupções, participando de agendas ao lado do governador Ratinho Junior e, cada vez mais, cumprindo compromissos próprios em diversas regiões do Paraná.

Esse movimento é relevante porque demonstra uma mudança importante na campanha governista. No início, Sandro Alex aparecia como o candidato de Ratinho Junior. Hoje, começa a construir uma identidade política própria, aproveitando a associação com um governo bem avaliado, mas também ampliando sua presença direta junto a prefeitos, vereadores, empresários e lideranças regionais.

A estratégia é simples: transformar a popularidade do governo em conhecimento eleitoral.

O desafio do PSD nunca foi o interior. O governo Ratinho Junior possui forte aprovação em praticamente todas as regiões do estado, impulsionado pelos investimentos em infraestrutura, pela atração de empresas, pela geração de empregos e pelos indicadores econômicos positivos que colocam o Paraná entre os estados mais competitivos do país.

Por isso, o crescimento de Sandro Alex nas pesquisas não é visto como um fenômeno isolado. Ele acompanha uma tendência de transferência gradual da aprovação administrativa para a disputa eleitoral.

Do outro lado, Sergio Moro enfrenta uma situação mais complexa.

Sua candidatura continua competitiva e mantém forte presença no eleitorado conservador. Entretanto, a campanha passa a conviver com os reflexos do cenário nacional. O lançamento de sua pré-candidatura ocorreu ao lado de Flávio Bolsonaro, justamente no momento em que as revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o antigo Banco Master passaram a dominar parte do debate político nacional.

Moro não é alvo dessas denúncias. Porém, a política costuma funcionar por associação. E a decisão de vincular sua campanha ao principal projeto presidencial da direita faz com que parte dos desgastes nacionais inevitavelmente repercuta no Paraná. O próprio senador saiu publicamente em defesa de Flávio Bolsonaro durante a crise.

Enquanto isso, surge outra discussão nos bastidores: a composição da chapa governista.

Nos últimos meses, cresceu a especulação sobre uma eventual aliança envolvendo Rafael Greca. Porém, sinais recentes indicam que o ex-prefeito de Curitiba pode não demonstrar entusiasmo em ocupar uma vaga de vice-governador.

Se isso realmente ocorrer, a pergunta passa a ser inevitável: quem seria o vice ideal para Sandro Alex?

A resposta pode não estar em um nome específico.

Historicamente, a política brasileira atribui enorme importância à escolha do vice. Mas existem eleições em que o peso da gestão supera o peso da composição.

O Paraná vive atualmente um momento singular.

O estado apresenta crescimento econômico consistente, investimentos recordes, forte geração de empregos, equilíbrio fiscal e expansão da infraestrutura. Esses fatores criam um cenário no qual a eleição tende a ser menos uma disputa de currículos individuais e mais um julgamento sobre a continuidade ou não de um modelo de gestão.

Nesse contexto, o eleitor pode atribuir mais importância à pergunta "quem dará continuidade ao governo?" do que à pergunta "quem será o vice?".

Isso não significa que a escolha do companheiro de chapa seja irrelevante. Uma composição forte pode ampliar alianças regionais, agregar tempo de campanha e fortalecer determinadas regiões do estado.

Mas a principal força da candidatura governista continua sendo outra: a percepção de que o Paraná funciona.

E aí?

Se Ratinho Junior conseguir transformar a aprovação administrativa em confiança eleitoral, o vice será importante. Porém, o principal ativo continuará sendo o próprio desempenho do governo.

E é justamente por isso que Sandro Alex segue concentrando esforços no interior, participando de entregas, anunciando investimentos e fortalecendo relações municipais.

No fim das contas, a eleição pode acabar sendo decidida menos pelo nome que estará ao lado do candidato e mais pela resposta que o eleitor dará a uma pergunta simples:

o Paraná está no caminho certo ou precisa mudar de direção?