Quem foi à 31ª Festa Nacional do Carneiro no Buraco, em Campo Mourão, para saborear um dos pratos mais tradicionais do Paraná encontrou um ingrediente extra no cardápio: política em abundância.
Se dependesse da quantidade de candidatos, pré-candidatos, padrinhos políticos, futuros aliados e aspirantes a qualquer cargo eletivo, o buraco precisaria ter sido cavado com uma escavadeira.
Afinal, poucos eventos conseguem reunir, ao mesmo tempo, o governador Ratinho Junior, o pré-candidato ao Governo do Estado Sandro Alex, o senador Sergio Moro, o ex-prefeito Rafael Greca, além de dezenas de candidatos ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. Era tanta gente querendo aparecer que, em determinados momentos, parecia haver mais políticos do que convidados.
Campo Mourão transformou-se, por algumas horas, na capital da pré-campanha paranaense.
E não foi por acaso.
Com a convenção do PSD marcada para o próximo dia 25 de julho, cada aperto de mão passou a valer mais que um discurso. Cada fotografia virou moeda política. Cada selfie serviu como demonstração pública de proximidade com quem pode influenciar votos daqui a poucos meses.
Nesse ambiente, o carneiro acabou dividindo espaço com outro prato bastante apreciado em ano eleitoral: a busca por visibilidade.
Ratinho Junior, anfitrião político ao lado do prefeito Douglas Fabrício, aproveitou o evento para reforçar a imagem de gestor próximo dos prefeitos e das lideranças do interior. Sandro Alex circulou intensamente, conversou, cumprimentou aliados e deixou claro que entrou definitivamente em modo campanha.
Enquanto isso, Sergio Moro também marcou presença, alimentando, mais uma vez, as especulações sobre o tabuleiro político paranaense.
Aliás, talvez esse tenha sido um dos aspectos mais curiosos da festa.
Há quem ainda tente vender a narrativa de que Ratinho Junior estaria politicamente alinhado ao projeto eleitoral de Sergio Moro. Os fatos, entretanto, caminham em outra direção. O governador escolheu Sandro Alex como candidato do PSD, organizou uma série de encontros regionais para apresentá-lo ao Estado e retorna das férias justamente para intensificar a articulação da campanha. Não faz sentido imaginar que todo esse movimento tenha como objetivo fortalecer um projeto adversário.
A política, claro, permite fotografias conjuntas. O que ela não costuma permitir é dupla candidatura ao mesmo cargo.
Por isso, quem esperava encontrar algum gesto concreto indicando mudança de rota saiu da festa apenas com boas imagens para as redes sociais — e muitas interpretações produzidas pelos bastidores.
O evento também mostrou outro fenômeno típico dos anos eleitorais: ninguém perde a oportunidade de ser visto.
Prefeitos buscavam fotos com o governador. Deputados faziam fila para conversar com lideranças. Pré-candidatos distribuíam sorrisos com a mesma velocidade com que desapareciam os pratos de carneiro.
Não havia um metro quadrado sem alguém tentando construir uma narrativa política.
E isso explica por que a Festa do Carneiro no Buraco deixou de ser apenas uma celebração gastronômica para se transformar, também, em um termômetro da sucessão estadual.
Nos próximos dias, Ratinho Junior deverá convocar sua bancada, ampliar as conversas com os partidos aliados e acelerar as definições antes da convenção do PSD. A corrida eleitoral entrou na reta em que alianças deixam de ser especulação para virar compromisso.
Em Campo Mourão, todos pareciam saber disso.
No fim das contas, o carneiro continuou excelente. Mas o verdadeiro banquete aconteceu nos bastidores.
Porque, convenhamos, o buraco ficou pequeno para tanta gente querendo dar uma garfada no eleitor paranaense.
Galeria de Fotos

Foto: Jonathan Campos

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