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Nova pesquisa Neokemp traz mais perguntas do que respostas sobre a disputa no Paraná

A ausência do espontâneo é um problema para a análise...

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Redação01/10/2026
Nova pesquisa Neokemp traz mais perguntas do que respostas sobre a disputa no Paraná

A nova pesquisa Neokemp para o Governo do Paraná chega à reta final da eleição com um resultado que, à primeira vista, parece repetir a fotografia já conhecida: Sergio Moro aparece na liderança, com 47,7%, seguido por Requião Filho, com 26%, e Sandro Alex, com 23%. Mas uma leitura mais cuidadosa mostra que há mais perguntas do que respostas nesse levantamento.

O primeiro ponto é o crescimento de Sandro Alex.

Na rodada anterior da Neokemp, Sandro tinha 20,8%. Agora aparece com 23%. São 2,2 pontos a mais. Como a margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, essa variação isoladamente não permite afirmar que houve crescimento estatisticamente significativo.

Mas existe uma tendência que merece ser observada.

Na primeira pesquisa da série, Sandro tinha 17,7%. Depois foi a 20,4%, recuou para 19,4%, chegou a 20,8% e agora aparece com 23%. Ou seja, entre a primeira e a atual rodada, o crescimento nominal é de 5,3 pontos percentuais.

Não é correto transformar essa trajetória automaticamente em uma previsão eleitoral. Mas também seria um erro ignorá-la.

A ausência do espontâneo é um problema para a análise

Há outro aspecto que chama ainda mais atenção: a nova pesquisa não apresenta cenário espontâneo.

O levantamento mostra apenas a intenção de voto quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados. Não sabemos, portanto, quantos eleitores citariam Moro, Requião ou Sandro espontaneamente, sem receber uma lista de opções.

Essa informação seria especialmente importante neste momento da campanha.

Na pesquisa anterior da Neokemp, por exemplo, o instituto também não apresentou cenário espontâneo. Já outros levantamentos recentes mostram diferenças expressivas entre o voto estimulado e aquilo que o eleitor consegue declarar sem receber os nomes.

Por isso, simplesmente olhar para os 23% de Sandro no cenário estimulado não permite saber quanto desse percentual representa uma decisão consolidada e quanto depende do reconhecimento do nome apresentado ao entrevistado.

Na reta final, essa distinção é relevante.

E onde está a rejeição?

Outro dado que desapareceu da nova rodada é a rejeição.

Na pesquisa anterior da Neokemp, Requião Filho tinha 47,5% de rejeição, Moro 34,9% e Sandro Alex apenas 6,5%.

Esse é um dado que não deveria ser secundário.

A intenção de voto mostra quem o eleitor escolhe naquele momento. A rejeição ajuda a identificar quais candidaturas encontram maior resistência e quais possuem maior espaço potencial para crescer.

A diferença entre os números é expressiva. Na pesquisa anterior, Sandro tinha 20,8% de intenção estimulada e apenas 6,5% de rejeição. Moro tinha 48,7% e 34,9% de rejeição. Requião tinha 25,9% e 47,5% de rejeição.

Como a nova pesquisa não atualiza esse indicador, ficamos sem saber se esse quadro mudou justamente nos últimos dias de campanha.

Afinal, a pesquisa é confiável?

A resposta precisa ser cuidadosa.

A pesquisa apresenta elementos formais de um levantamento eleitoral regular: está registrada no TSE, informa amostra, período de coleta, margem de erro e nível de confiança. A rodada atual ouviu 1.008 eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro e utiliza margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

Isso não significa, porém, que seus números devam ser tratados como uma previsão do resultado das urnas.

A pesquisa foi realizada pelo método automatizado URA, e seu próprio desenho precisa ser considerado quando os números são comparados com levantamentos realizados por outros institutos e por outros métodos. A existência de registro no TSE demonstra que a pesquisa foi formalmente registrada; não transforma o resultado em uma verdade definitiva sobre a eleição.

E existe uma razão adicional para cautela: a eleição está sendo retratada por institutos diferentes com números bastante distintos. O Real Time Big Data, por exemplo, havia encontrado 36% para Moro, 28% para Sandro e 23% para Requião em levantamento realizado entre 24 e 28 de setembro.

É uma diferença grande demais para ser ignorada.

A fotografia não explica todo o filme

A nova Neokemp confirma a liderança de Moro dentro de sua própria pesquisa, mas também registra Sandro Alex no maior percentual de toda a série do instituto.

O problema é que faltam justamente dois instrumentos importantes para interpretar esse movimento: o voto espontâneo e a rejeição atualizada.

Por isso, a pergunta que fica não é simplesmente quem está na frente.

É outra:

quanto do voto de cada candidato está realmente consolidado e quanto ainda pode mudar nos últimos dias?

A Neokemp oferece uma fotografia. Mas, a poucas horas da eleição, talvez seja justamente o filme — a evolução das séries, a metodologia, o voto espontâneo, a rejeição e as diferenças entre os institutos — que ajude o eleitor a compreender melhor o que está acontecendo.

Pesquisa informa. Quem decide é a urna.

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