NARRATIVA.política, poder e versão

No Paraná, que não pode parar, indústria forte não nasce por acaso. No ranking industrial o estado passa o Sul e o Sudeste

O salto foi de 58 para 89 empresas com mais de mil empregados, um crescimento de 53,4%, muito acima da média nacional, de 32,4%

R
Redação23/07/2026
No Paraná, que não pode parar, indústria forte não nasce por acaso. No ranking industrial o estado passa o Sul e o Sudeste

Foto: Gilson Abreu/AEN

O Paraná acaba de alcançar um resultado que merece atenção para além das estatísticas. Entre 2018 e 2025, o Estado registrou o maior crescimento do número de grandes indústrias entre todas as unidades da federação das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O salto foi de 58 para 89 empresas com mais de mil empregados, um crescimento de 53,4%, muito acima da média nacional, de 32,4%. Hoje, essas empresas empregam mais de 203 mil trabalhadores e injetam aproximadamente R$ 756 milhões em salários todos os meses na economia paranaense.

Os dados desmontam uma ideia recorrente de que o desenvolvimento industrial brasileiro estaria concentrado apenas em São Paulo ou dependente exclusivamente de incentivos fiscais. O caso paranaense demonstra que planejamento de longo prazo, infraestrutura, segurança jurídica, logística eficiente e qualificação da mão de obra continuam sendo fatores decisivos para atrair investimentos.

O crescimento também revela uma característica importante da economia do Paraná: sua diversificação. O Estado não depende apenas do agronegócio, embora este continue sendo um dos motores da economia.

A cadeia de transformação de alimentos, o setor automotivo, papel e celulose, biocombustíveis, máquinas, tecnologia e logística vêm ampliando sua participação, reduzindo a vulnerabilidade às oscilações de um único setor produtivo. Essa combinação torna a economia mais resiliente e competitiva.

Naturalmente, o avanço não pode ser atribuído exclusivamente a um único governo. A instalação de grandes empreendimentos industriais costuma ser resultado de decisões empresariais planejadas durante vários anos. Entretanto, seria igualmente equivocado ignorar o ambiente institucional que permitiu essa expansão. Segurança para investimentos, melhoria da infraestrutura rodoviária, disponibilidade energética e políticas de atração de empresas criam as condições para que esses investimentos efetivamente aconteçam.

Os efeitos dessa industrialização vão muito além das fábricas. Cada grande planta industrial movimenta fornecedores, transportadoras, comércio, serviços especializados e arrecadação tributária para os municípios. Os empregos industriais, em regra, apresentam remuneração superior à média de diversos setores da economia, gerando maior circulação de renda e fortalecendo o mercado consumidor regional.

Mas os números também impõem um desafio. Crescer em quantidade de indústrias não significa, automaticamente, alcançar um desenvolvimento equilibrado. O próximo passo será ampliar investimentos em inovação, pesquisa, tecnologia e formação profissional, para que o Paraná não seja apenas um polo de produção, mas também um centro de desenvolvimento tecnológico e de produtos de maior valor agregado.

Outro desafio será distribuir melhor esse crescimento pelo território estadual. Embora a Região Metropolitana de Curitiba continue sendo um importante polo industrial, o fortalecimento de cidades do interior é essencial para reduzir desigualdades regionais e consolidar novos corredores econômicos.

O desempenho recente mostra que o Paraná vive um momento raro na economia brasileira: combina expansão industrial, geração de empregos formais e atração de investimentos privados. Em um país que frequentemente discute desindustrialização, o Estado caminha na direção oposta.

A boa notícia, portanto, não está apenas no ranking. Está na demonstração de que políticas públicas consistentes, ambiente favorável aos negócios e capacidade produtiva podem transformar indicadores econômicos em oportunidades concretas para milhares de trabalhadores. O desafio agora é fazer com que esse crescimento deixe de ser apenas estatística e se traduza, de forma permanente, em aumento de produtividade, inovação e qualidade de vida para os paranaenses.