Há uma mudança importante no comportamento das pesquisas sobre a eleição para o Governo do Paraná. Sergio Moro continua liderando, mas já não exibe a mesma folga que marcou o início da pré-campanha. Sandro Alex, ao contrário, saiu das posições secundárias e passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante na disputa.
É preciso fazer uma ressalva: não existe uma série histórica única, com a mesma metodologia, que permita afirmar que Moro caiu continuamente em todos os levantamentos. Mas, quando se observa o conjunto das pesquisas, a tendência política é difícil de ignorar: Moro perdeu gordura e Sandro ganhou musculatura.
Em maio, o Paraná Pesquisas chegou a registrar Moro com 49,2%, num cenário sem Rafael Greca, enquanto Sandro tinha 11%.
Na pesquisa do mesmo instituto divulgada em julho, Moro aparecia com 42,3% e Sandro com 10,7%, ainda muito distante.
Agora, em agosto, o cenário mudou. O RealTime Big Data encontrou 37% para Moro, 22% para Sandro e 20% para Requião Filho.
E a pesquisa Alfa Inteligência, divulgada nesta segunda-feira (24), colocou Moro em 38% e Sandro em 26%, com Requião Filho em 20%.
Não é uma eleição resolvida. É uma eleição em movimento.
O que incomoda não é apenas o número de Moro. É a direção da curva
O problema de Moro não está necessariamente em continuar na liderança. Está no fato de que sua enorme vantagem inicial não está se transformando em crescimento proporcional à sua notoriedade.
Moro já começou a pré-campanha conhecido por praticamente todo o eleitorado. Carregava a exposição nacional da Lava Jato, o período no Ministério da Justiça, o mandato de senador e uma presença constante na política nacional.
Sandro Alex teve de fazer o caminho contrário.
Precisou apresentar-se como candidato a governador, construir identidade própria, consolidar alianças e convencer o eleitor de que sua experiência no governo estadual poderia ser transformada em projeto para o Paraná.
E, enquanto isso acontece, seus números avançam.
Na pesquisa IRG, por exemplo, Sandro passou de 16,5% para 24,8% entre o levantamento anterior e o realizado em agosto — um salto de 8,3 pontos.
Esse talvez seja um dos sinais mais claros do momento.
Sandro está ganhando voto justamente quando começa a ser efetivamente conhecido como candidato.
E o segundo turno é onde a história fica realmente incômoda para Moro
A Alfa Inteligência trouxe um dado particularmente interessante.
No primeiro turno:
Moro — 38%
Sandro — 26%
Requião — 20%
Mas, quando a disputa fica reduzida a Moro e Sandro, a diferença cai para apenas 5 pontos: 46% a 41%.
Isso é muito diferente de uma candidatura que estaria simplesmente correndo atrás do líder sem capacidade de alcançá-lo.
No IRG de agosto, Moro aparecia com 42,7% contra 38,1% de Sandro no segundo turno — diferença de apenas 4,6 pontos.
E há outro detalhe: em junho, no IRG, o mesmo confronto já mostrava Moro com 42,5% e Sandro com 38,5%.
Ou seja, Sandro não está apenas crescendo no primeiro turno. Está construindo uma candidatura competitiva quando o eleitor precisa escolher entre dois nomes.
A diferença é que Sandro ainda tem espaço para crescer
Talvez essa seja a maior vantagem estratégica do candidato do PSD.
Na pesquisa espontânea da Alfa, Moro tem 23%, Sandro 12% e Requião 10%. Mas 48% não sabem ou não respondem.
É uma quantidade enorme de eleitores que ainda não transformou sua intenção em uma escolha espontânea.
Moro, por sua vez, já tem praticamente toda a vantagem possível de reconhecimento.
Sandro ainda está construindo esse patrimônio eleitoral.
É aí que entram horário eleitoral, debates, sabatinas, entrevistas, redes sociais e presença nos municípios.
Se Sandro continuar convertendo exposição em voto, a distância pode diminuir ainda mais.
Moro tem um problema que dinheiro e televisão não resolvem
A campanha agora começa a cobrar dos candidatos algo que a pré-campanha permitia esconder: conhecimento concreto sobre o Estado e capacidade de apresentar soluções para os problemas paranaenses.
É nesse terreno que Moro terá de provar que sua projeção nacional pode ser convertida em capacidade de governo estadual.
E é justamente nesse momento que sua liderança começa a parecer menos confortável.
Sandro, ao contrário, tem uma narrativa muito mais fácil de sustentar: participou do governo Ratinho Junior, conhece a máquina estadual, tem o apoio do governador, conta com uma aliança que incorporou o MDB e colocou Rafael Greca como vice, e agora aparece em pesquisas nacionais como o principal adversário de Moro.
Além disso, a Alfa mostra que 78% aprovam o governo Ratinho Junior e 64% preferem a continuidade administrativa.
É um ativo eleitoral enorme para Sandro.
A eleição que parecia decidida começa a ficar interessante
Talvez seja esse o ponto central.
No começo da pré-campanha, Moro parecia correr uma prova praticamente sozinho.
Agora existe um segundo candidato ocupando espaço.
Sandro Alex cresceu.
E não cresceu apenas em uma pesquisa.
Apareceu com 24,8% no IRG, 22% no RealTime e 26% na Alfa.
Moro continua à frente — e seria irresponsável dizer o contrário.
Mas a diferença deixou de parecer uma muralha.
E há uma ironia eleitoral nisso tudo: Moro começou a corrida com a vantagem de ser o candidato mais conhecido. Sandro começou praticamente precisando construir seu nome. Agora, enquanto Moro precisa defender a liderança, Sandro precisa apenas continuar crescendo.
É uma situação completamente diferente.
A pergunta que começa a circular na política paranaense já não é mais se Sandro Alex conseguirá chegar ao segundo turno.
A pergunta é quanto tempo levará para chegar em Moro.
E, se essa curva continuar, a eleição de 2026 poderá ser lembrada não pela liderança inicial de Sergio Moro, mas pela velocidade com que Sandro Alex conseguiu transformar uma candidatura de continuidade em uma ameaça real ao favorito.
Se os números da Quaest confirmarem a aproximação, a eleição paranaense entra definitivamente em outra fase: Moro terá de defender sua liderança, enquanto Sandro terá uma oportunidade concreta de continuar avançando.
E, em uma eleição na qual 48% ainda não declaram espontaneamente um candidato, muita coisa ainda pode acontecer.
A liderança de Moro permanece. A tranquilidade, não.
