Mobilização reuniu milhares de pessoas no Centro da capital paranaense em apoio à reeleição do presidente e contra Flávio Bolsonaro e Sergio Moro. Estratégia nacional mira também os eleitores que não compareceram ao primeiro turno.
Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou sua militância a ocupar as ruas e intensificar o diálogo com a população. A estratégia para o segundo turno não se limita à mobilização dos apoiadores já identificados: busca também conquistar eleitores de outros candidatos e atrair quem deixou de votar.

Em pronunciamento após a apuração, Lula destacou o contingente de brasileiros que não compareceu às urnas e pediu empenho para convencê-los da importância da escolha presidencial. O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou a orientação de conversar com eleitores de todas as candidaturas, numa tentativa de ampliar a base eleitoral do governo. Segundo a TV Brasil, mais de 33 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno, o equivalente a 21,8% do eleitorado apto. Esse grupo representa um contingente relevante para as campanhas nesta segunda etapa.
Curitiba responde à convocação
Na noite de quinta-feira (8), milhares de estudantes, militantes e integrantes de movimentos populares ocuparam o Centro de Curitiba em uma manifestação de apoio à reeleição de Lula e de oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro. O ato também incluiu críticas ao governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL).

A concentração começou por volta das 18h na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Depois, os participantes seguiram pelo calçadão da Rua XV de Novembro até a Boca Maldita, um dos pontos tradicionais de manifestações políticas na capital. A chuva interrompeu parcialmente a mobilização, mas parte dos manifestantes permaneceu no local.
A convocação foi organizada pela União Paranaense dos Estudantes (UPE), em parceria com os Diretórios Centrais dos Estudantes da UFPR e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Sindicatos, partidos, coletivos sociais e movimentos populares também participaram.
Um dos aspectos que chamou a atenção foi a presença de torcedores ligados a Athletico Paranaense e Coritiba, reunidos em torno de pautas políticas comuns apesar da rivalidade esportiva. O lema do ato foi: “Nem o pai, nem o filho: em defesa do Brasil e contra o avanço da extrema-direita.”
Educação, democracia e direitos trabalhistas
As bandeiras exibidas durante a manifestação incluíram a defesa da democracia, da educação pública, dos direitos sociais e da soberania nacional. Também houve críticas às privatizações, à precarização das relações de trabalho e pedidos pelo fim da escala 6x1.
Cartazes direcionaram críticas a Flávio Bolsonaro e Sergio Moro, ampliando o alcance político do ato para além da disputa presidencial. No Paraná, onde Moro venceu a eleição para o governo estadual, a manifestação também expressou a oposição de setores estudantis e de movimentos sociais ao novo cenário político do Estado.
A mobilização em Curitiba integra um movimento mais amplo de entidades estudantis e organizações sociais. Na quarta-feira (7), estudantes também realizaram um ato de apoio a Lula no Rio de Janeiro, antes da manifestação na capital paranaense.
O desafio de transformar mobilização em votos
A convocação de Lula evidencia uma das prioridades da campanha petista: ampliar a participação eleitoral e convencer segmentos que ainda não definiram seu voto. Com mais de 33 milhões de ausentes no primeiro turno, a abstenção passou a ser uma variável importante para os dois candidatos.

A presença nas ruas demonstra capacidade de organização dos movimentos que apoiam o presidente, mas não permite, por si só, concluir como esse contingente se comportará nas urnas. O desafio será transformar atos públicos, conversas e mobilização digital em votos efetivos no dia 25 de outubro.
Em Curitiba, a manifestação mostrou que há grupos dispostos a assumir esse papel na reta final da campanha. A disputa presidencial, portanto, não ficará restrita aos debates, às pesquisas e à propaganda eleitoral: também será travada na capacidade de cada candidatura de mobilizar apoiadores e dialogar com quem ainda não decidiu.
Lula pediu que sua militância fosse às ruas e conversasse com a população. Em Curitiba, estudantes, movimentos populares, sindicatos e torcedores responderam com uma manifestação que levou a campanha presidencial ao centro da cidade.
Galeria de Fotos

foto: Renan Gabriel Ribeiro, @imaugenblick_foto

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