Reeleito para o quarto mandato com quase 100 mil votos, deputado do PSD transforma experiência de oito anos como líder do governo em credencial para disputar a presidência da Alep em 2027
A eleição terminou, mas as articulações políticas no Paraná apenas começaram. E um dos primeiros movimentos importantes dentro da nova Assembleia Legislativa veio justamente de quem passou os últimos oito anos no centro das decisões do Palácio Iguaçu e do Legislativo: o deputado estadual Hussein Bakri (PSD).
Reeleito para o quarto mandato, Bakri obteve 99.700 votos, ficando na sexta colocação entre os deputados estaduais mais votados do Paraná. Mais do que garantir a permanência na Assembleia, o resultado reforçou seu peso político e eleitoral justamente no momento em que a Casa começa a discutir quem comandará a Mesa Diretora a partir de 2027.
E Bakri não esperou sequer esfriar a apuração para colocar seu próximo objetivo sobre a mesa. Nesta terça-feira (6), anunciou oficialmente sua pré-candidatura à presidência da Assembleia Legislativa, para a nova legislatura que começa em fevereiro de 2027.
O movimento tem lógica política.
O homem que esteve oito anos no centro do governo
A trajetória de Bakri é mais longa do que sua passagem pela Assembleia. Natural de União da Vitória, iniciou a vida pública como vereador em 1988 e foi prefeito do município por dois mandatos, entre 2001 e 2008. Antes de chegar ao Legislativo estadual, portanto, já havia construído uma carreira baseada na política municipal.
Em 2014, foi eleito deputado estadual pela primeira vez, pelo PSC, com 26.682 votos. No Legislativo, ocupou posições de liderança e presidiu a Comissão de Educação. A partir de 2019, já no PSD, assumiu a liderança do governo na Assembleia, função que manteve durante os dois mandatos seguintes de Ratinho Junior.
Essa talvez seja sua principal credencial para a disputa de 2027.
Durante oito anos, Bakri foi um dos principais responsáveis pela interlocução entre o Executivo e o Legislativo. Participou da construção de maiorias, da negociação de projetos, da articulação com deputados e da defesa das propostas encaminhadas pelo governo.
Em outras palavras, conhece por dentro o funcionamento da Assembleia e sabe onde estão as forças que podem definir uma eleição interna.
E ele próprio apresentou esse argumento ao anunciar sua candidatura.
“Fui oito anos líder do Governo, criei uma ótima relação com vários colegas aqui. Acho que tenho essa condição de me colocar à disposição como pré-candidato a presidente da Assembleia”, afirmou.
Uma votação que fortalece a candidatura
Os 99.700 votos obtidos por Bakri têm significado político além do número absoluto.
Em 2022, ele havia recebido 97.681 votos. Agora, aumentou sua votação e terminou novamente entre os parlamentares mais votados do Estado.
Na região de União da Vitória, sua força foi ainda mais evidente. Somente em nove municípios da região da AMSULPAR, Bakri somou 29.931 votos. Em União da Vitória, seu principal reduto eleitoral, recebeu 13.421 votos, correspondentes a 48,16% dos votos válidos para deputado estadual no município.
É uma demonstração de que o deputado não depende exclusivamente da estrutura partidária para manter sua posição. Possui uma base eleitoral própria, construída ao longo de décadas de atividade política.
Isso pesa quando começam as conversas para a formação da Mesa Diretora.
A nova Assembleia será diferente — e mais disputada
A composição da Assembleia para 2027 terá mudanças importantes. O PSD continuará sendo uma das maiores forças da Casa, com 14 deputados eleitos, o mesmo número do PL. Ao mesmo tempo, haverá renovação significativa entre os parlamentares.
É nesse ambiente que Bakri pretende construir sua candidatura.
A eleição para a presidência não será uma simples extensão da eleição estadual. O novo governador será Sergio Moro, enquanto o PSD continuará tendo uma bancada robusta e uma rede política espalhada pelo Paraná.
Isso torna a presidência da Assembleia ainda mais estratégica.
Para Moro, ter um presidente da Casa capaz de estabelecer diálogo com diferentes bancadas pode ser fundamental para a governabilidade. Para o PSD, manter protagonismo na Mesa Diretora significa preservar espaço institucional depois de oito anos de comando do Executivo.
E Bakri está exatamente no ponto de encontro dessas duas necessidades.
De líder de Ratinho a possível presidente sob Moro
Há, evidentemente, uma mudança importante no cenário.
Bakri foi o líder do governo Ratinho Junior durante os oito anos de mandato. A partir de 2027, entretanto, o governo será comandado por Sergio Moro, que derrotou o candidato apoiado pelo grupo de Ratinho, Sandro Alex.
A eleição colocou Moro e o PSD em lados opostos na disputa pelo Palácio Iguaçu. Mas a política institucional começa agora a exigir outra lógica.
Bakri pode ser uma das pontes desse processo.
Sua experiência como líder do governo lhe permite conhecer as necessidades do Executivo. Ao mesmo tempo, sua permanência na Assembleia e sua relação com os deputados lhe dão condições de negociar dentro da Casa.
Não por acaso, ao anunciar sua pré-candidatura, Bakri disse que pretende procurar os parlamentares que formarão a próxima legislatura e afirmou: “Vou colocar meu bloco na rua. E vou lutar, sempre no campo democrático.”
A frase mostra que a campanha pela presidência já começou.
A disputa está apenas começando
Bakri, porém, não terá caminho livre.
A nova Mesa Diretora será resultado de uma negociação que envolverá partidos, grupos políticos, interesses regionais e, naturalmente, a relação com o novo governo estadual. Outros nomes e grupos já começam a se movimentar para ocupar espaços na presidência e na 1ª Secretaria.
É justamente por isso que a candidatura de Bakri ganha relevância.
Ele chega à disputa com quatro mandatos, experiência como prefeito, oito anos como líder do governo, forte votação nas urnas e uma ampla rede de relações construída dentro e fora da Assembleia.
Mas há algo ainda mais importante: Bakri conhece o poder por dentro.
Durante oito anos, foi um dos principais operadores políticos do governo Ratinho Junior dentro da Assembleia. Agora, tenta transformar essa experiência em comando institucional da própria Casa.
Se conseguir, será uma mudança significativa de posição: de líder do governo para presidente do Legislativo.
E, dependendo de como forem construídas as relações entre Sergio Moro e a bancada do PSD, a eleição da Mesa poderá ser também o primeiro grande teste da convivência entre o novo governo e a força política que deixou o Palácio Iguaçu, mas continua muito presente na Assembleia e nos municípios paranaenses.
A disputa pela presidência da Assembleia será decidida apenas em fevereiro de 2027. Mas Hussein Bakri já deixou claro que pretende chegar lá.
E, depois de quase 100 mil votos, oito anos na liderança do governo e quatro mandatos no currículo, ele não entra nessa disputa como coadjuvante.
