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Gilmar Mendes devolve aposentadoria a Requião e encerra uma das maiores pendências políticas do Paraná

Se o benefício continua existindo para todos os demais ex-governadores que obtiveram decisões favoráveis,

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Redação06/07/2026
Gilmar Mendes devolve aposentadoria a Requião e encerra uma das maiores pendências políticas do Paraná

Foto: Pedro França/Agência Senado

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que restabeleceu a aposentadoria especial do ex-governador Roberto Requião, vai muito além dos cerca de R$ 34 mil mensais que voltarão a ser pagos ao ex-chefe do Executivo paranaense.

O que o STF fez foi colocar um ponto final em uma situação que, na prática, produzia uma evidente desigualdade entre ex-governadores do Paraná.

Requião era o único ex-governador que permanecia fora da lista de beneficiários da aposentadoria especial. João Elísio, Paulo Pimentel, Mario Pereira, Beto Richa e Orlando Pessuti já haviam obtido o restabelecimento do benefício por decisões judiciais. Com a decisão, de Gilmar Mendes entendeu que manter apenas Requião excluído contrariaria os princípios da isonomia, da segurança jurídica e da coerência das decisões do próprio Judiciário.

Independentemente da opinião que cada cidadão tenha sobre aposentadorias especiais para ex-governadores, a lógica adotada pelo Supremo parece difícil de contestar.

Se o benefício continua existindo para todos os demais ex-governadores que obtiveram decisões favoráveis, qual seria a justificativa jurídica para impedir apenas Roberto Requião de recebê-lo?

Foi exatamente essa incoerência que Gilmar Mendes resolveu eliminar.

A discussão política, entretanto, é outra.

Em 2019, o governador Ratinho Junior patrocinou a emenda constitucional que acabou definitivamente com a aposentadoria vitalícia para os futuros ex-governadores do Paraná. A medida foi amplamente comemorada pela opinião pública e representou uma mudança importante no tratamento dos chamados "benefícios especiais".

O detalhe é que a mudança não alcançou automaticamente situações já consolidadas ou posteriormente reconhecidas pela Justiça.

É justamente aí que se insere a decisão envolvendo Requião.

Não houve criação de um novo privilégio.

Houve o reconhecimento de que, diante das decisões já existentes em favor de outros ex-governadores, não seria juridicamente sustentável manter apenas um deles fora do mesmo regime.

Politicamente, a decisão também recoloca Requião no centro do debate estadual.

Mesmo afastado dos principais espaços de poder e fora do comando do MDB, o ex-governador continua sendo um personagem de enorme relevância na história política paranaense. Toda decisão envolvendo seu nome inevitavelmente desperta reações favoráveis e contrárias.

Há quem veja o julgamento como uma correção de uma desigualdade.

Há quem considere inadequada a manutenção de qualquer aposentadoria especial para ex-governadores.

Esses dois debates podem coexistir.

Uma coisa é discutir se o benefício deveria existir.

Outra, completamente diferente, é decidir se ele pode ser negado apenas a um único ex-governador quando todos os demais, na mesma condição, já o recebem.

Foi essa segunda questão que o Supremo resolveu.

No aspecto jurídico, a decisão parece encerrar uma longa disputa iniciada há anos.

No aspecto político, porém, Roberto Requião mostra mais uma vez uma característica que marcou toda a sua trajetória pública: mesmo fora do governo, continua sendo um dos poucos personagens capazes de influenciar o debate político paranaense apenas pelo peso do seu nome.

No Paraná, Requião raramente passa despercebido.

E, gostem ou não seus adversários, essa continua sendo uma de suas maiores marcas políticas.