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Frio exige mais do que discursos: exige presença do poder público

Em vez de esperar que a pessoa em situação de rua procure uma unidade de saúde, equipes compostas por médico,

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Redação25/06/2026
Frio exige mais do que discursos: exige presença do poder público

Foto: Hully Paiva/SECOM

Quando as temperaturas despencam, o frio deixa de ser apenas um fenômeno climático. Para quem vive nas ruas, ele se transforma em uma questão de sobrevivência.

É justamente nesse momento que se mede a capacidade de uma gestão pública de agir onde a população mais precisa.

A decisão da Prefeitura de Curitiba de ampliar o horário de atendimento do Consultório na Rua durante as noites mais frias demonstra uma compreensão importante: combater os efeitos do frio não significa apenas oferecer abrigo. Significa levar o Estado até quem, muitas vezes, sequer procura ajuda.

A estratégia adotada é simples, mas eficiente. Em vez de esperar que a pessoa em situação de rua procure uma unidade de saúde, equipes compostas por médico, enfermagem e profissionais multiprofissionais percorrem a cidade realizando atendimento diretamente nas calçadas, praças e locais onde essa população permanece. É uma política pública ativa, não passiva.

Há um aspecto que merece destaque.

Nos últimos anos, o debate sobre população em situação de rua frequentemente foi capturado por discursos polarizados. De um lado, quem reduz o problema exclusivamente à segurança pública. De outro, quem acredita que apenas ampliar o número de vagas em abrigos resolve a questão.

A realidade é muito mais complexa.

Muitas dessas pessoas apresentam doenças respiratórias, ferimentos, infecções, transtornos mentais, dependência química e outras condições que se agravam drasticamente durante o inverno. Em vários casos, uma abordagem rápida pode evitar internações e até mortes por hipotermia.

Por isso, ampliar o funcionamento do Consultório na Rua representa mais do que uma ação emergencial. É uma política preventiva. Custa menos ao sistema de saúde do que tratar complicações graves e, principalmente, preserva vidas.

Outro mérito da iniciativa está na integração entre diferentes órgãos municipais. Saúde, assistência social e Defesa Civil atuam de forma coordenada, utilizando previsões meteorológicas para mobilizar equipes sempre que o frio se intensifica. Esse planejamento evita improvisos e permite respostas mais rápidas.

Naturalmente, nenhuma política pública resolve, sozinha, o problema da população em situação de rua. O acolhimento, a reinserção social, o tratamento da dependência química, o acesso ao mercado de trabalho e à moradia continuam sendo desafios permanentes.

Mas há uma diferença importante entre administrar um problema e ignorá-lo.

Quando uma cidade decide ampliar equipes, estender horários de atendimento e ir ao encontro das pessoas mais vulneráveis justamente nas noites em que o risco é maior, ela demonstra que a gestão pública pode ser medida também pela forma como protege aqueles que possuem menos condições de se proteger.

No frio intenso, a solidariedade da sociedade é fundamental. Mas ela não substitui a responsabilidade do poder público. A presença das equipes do Consultório na Rua mostra que políticas públicas bem planejadas podem transformar um gesto de assistência em uma estratégia efetiva de saúde, prevenção e dignidade.

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