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Fernanda Richa no centro da disputa: quando um nome vale mais que um partido

Fernanda Richa nunca ocupou um mandato eletivo, mas consolidou uma imagem pública própria durante os períodos em que Beto Richa comandou a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado.

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Redação20/07/2026
Fernanda Richa no centro da disputa: quando um nome vale mais que um partido

Foto: Rogério Machado/SECS

Na política, dificilmente dois adversários enxergam virtudes na mesma pessoa por acaso. Quando isso acontece, é porque aquele nome passou a representar um ativo eleitoral capaz de ultrapassar fronteiras partidárias.

É exatamente isso que revela a informação de que Rafael Greca (MDB) e Requião Filho (PDT) sondaram Fernanda Richa para ocupar a vaga de vice em suas chapas ao Governo do Paraná. Mais do que uma curiosidade de bastidores, a movimentação expõe uma disputa por um patrimônio político construído ao longo de décadas.

Fernanda Richa nunca ocupou um mandato eletivo, mas consolidou uma imagem pública própria durante os períodos em que Beto Richa comandou a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado. À frente de programas sociais, manteve presença constante nas comunidades e preservou um capital político que permanece reconhecido por parcela do eleitorado. Sua recente volta ao PSDB reforçou a percepção de que pretende voltar a participar ativamente da política.

Não por acaso, dois projetos completamente distintos buscaram esse mesmo nome.

Para Rafael Greca, Fernanda representaria uma ponte direta com o eleitorado ligado ao legado político de Beto Richa, especialmente em Curitiba e na Região Metropolitana, onde ambos construíram boa parte de suas trajetórias.

Já para Requião Filho, a eventual composição teria um significado ainda mais simbólico. Historicamente, os grupos políticos de Roberto Requião e Beto Richa protagonizaram algumas das disputas mais intensas da política paranaense. Uma aliança envolvendo Fernanda Richa demonstraria que, em tempos eleitorais, antigos antagonismos podem dar lugar ao pragmatismo.

Independentemente de a composição se concretizar ou não, a simples sondagem revela outro aspecto importante da eleição de 2026: a dificuldade dos candidatos em ampliar seus eleitorados apenas com a força de seus partidos.

A disputa pelo Palácio Iguaçu ocorre em um cenário de elevado índice de eleitores indecisos. Nesse contexto, a escolha do vice deixa de cumprir apenas uma função protocolar e passa a integrar a estratégia eleitoral. O objetivo não é apenas completar a chapa, mas agregar credibilidade, ampliar alianças e dialogar com segmentos específicos do eleitorado.

Ao mesmo tempo, a movimentação mostra que o sobrenome Richa continua exercendo influência na política paranaense. Mesmo sem ocupar atualmente um cargo executivo, o grupo político mantém capacidade de atrair interesse de diferentes candidaturas, evidenciando que sua força eleitoral permanece relevante.

As convenções partidárias dos próximos dias dirão se essas conversas evoluíram ou ficaram apenas no campo das especulações. Mas uma conclusão já pode ser tirada: quando adversários disputam o mesmo nome para compor suas chapas, o debate deixa de ser sobre quem será o vice e passa a revelar quem ainda possui capacidade de transferir confiança, ampliar alianças e conquistar votos.

Na eleição de 2026, a disputa não acontece apenas entre candidatos. Ela também ocorre em torno dos nomes capazes de somar capital político às campanhas. E Fernanda Richa, ao que tudo indica, tornou-se um desses nomes.