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Faltam 30 dias: A largada foi de Moro, mas a chegada ainda está longe. Sandro tem o tempo — e Ratinho tem a estrutura

Mais da metade do eleitorado ainda não tem uma escolha espontânea.

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Redação04/09/2026
Faltam 30 dias: A largada foi de Moro, mas a chegada ainda está longe. Sandro tem o tempo — e Ratinho tem a estrutura

O relógio eleitoral entrou na reta final. A partir de hoje, 4 de setembro, faltam exatamente 30 dias para o paranaense ir às urnas no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Trinta dias. Apenas trinta.

E, quando se olha para as pesquisas mais recentes, a eleição para o Governo do Paraná apresenta uma contradição interessante: Sergio Moro tem a vantagem do nome conhecido, da exposição nacional e de uma liderança confortável no primeiro turno. Sandro Alex tem algo diferente: espaço para crescer.

Moro não chegou a 2026 como um desconhecido.

Há mais de uma década, seu nome está diariamente no noticiário nacional. Foi apresentado por uma parcela do país como o símbolo do combate à corrupção, especialmente durante a Lava Jato e a prisão de um ex-presidente da República. Depois, passou a ocupar o outro lado da narrativa: os processos da Lava Jato foram anulados pelo Supremo Tribunal Federal, e a imagem do herói anticorrupção passou a ser contestada por seus adversários.

Depois veio a política.

Moro deixou a magistratura, assumiu o Ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro e, em 2020, deixou o cargo em meio a uma ruptura pública com o então presidente. Em 2022, tentou construir uma candidatura presidencial, chegou a transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, mas a estratégia não prosperou. A transferência foi barrada pela Justiça Eleitoral e Moro acabou retornando ao Paraná, onde foi eleito senador.

Agora, novamente pelo PL, o mesmo partido de Bolsonaro, tenta transformar essa trajetória nacional em uma vitória estadual.

Moro chega, portanto, com uma vantagem extraordinária: ninguém precisa explicar ao eleitor quem ele é.

Mas essa mesma exposição que construiu sua força também construiu sua rejeição.

E esse é um dos pontos mais interessantes das pesquisas atuais.

Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada ontem, Moro aparece com 45%, contra 24% de Requião Filho e 17,5% de Sandro Alex. Mas Moro também registra 24,8% de rejeição, enquanto Requião Filho chega a impressionantes 36,6%. Sandro aparece com apenas 10,9% de rejeição.

Na pesquisa IRG divulgada hoje, a fotografia é diferente, mas a tendência chama atenção: Moro aparece com 38,8%, Sandro Alex já alcança 27% e Requião Filho fica em 21,8%.

Ou seja: em uma pesquisa Moro abre 21 pontos sobre Sandro; na outra, a diferença cai para 11,8 pontos.

E não é apenas isso.

Na pesquisa espontânea do IRG, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Moro tem 18,4%, Sandro Alex aparece com 10,4% e Requião Filho com 9,2%. Mas o dado que praticamente grita na pesquisa é outro: 54,3% não sabem ou não responderam em quem votarão.

  • Mais da metade do eleitorado ainda não tem uma escolha espontânea.

É nesse ponto que a candidatura de Sandro Alex precisa ser observada.

Durante boa parte de sua trajetória política, Sandro esteve muito mais associado à região dos Campos Gerais do que ao conjunto do Paraná. Não carregava, portanto, a mesma exposição estadual e nacional de Moro.

Só que isso começou a mudar.

Sandro cresceu.

E a pergunta agora não é mais se ele conseguiu entrar no jogo. Os números mostram que entrou.

A pergunta é se conseguirá continuar crescendo durante os próximos 30 dias.

Há razões objetivas para considerar essa possibilidade.

A primeira é justamente o enorme contingente de eleitores ainda indecisos.

A segunda é a baixa rejeição.

A terceira é a estrutura política que está por trás de sua candidatura.

Sandro não está disputando sozinho.

Ao seu lado está uma máquina política construída ao longo de anos pelo governador Ratinho Junior, que mantém uma avaliação extraordinariamente positiva entre os paranaenses. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho apontou 81% de aprovação ao governador.

Isso não significa transferência automática de votos. Política não funciona como uma operação matemática.

Mas significa que Sandro tem algo que Moro não possui na mesma dimensão: uma estrutura estadual associada a um governo bem avaliado e uma narrativa de continuidade administrativa.

E é justamente aí que os próximos 30 dias podem fazer toda a diferença.

Moro já teve anos para construir sua imagem. Sandro terá apenas um mês para apresentar ao eleitorado paranaense uma imagem muito mais ampla do que aquela que possuía quando a corrida começou.

O desafio é gigantesco.

Mas também existe uma oportunidade gigantesca.

  • Porque eleição não se ganha com a fotografia de 4 de setembro. Ganha-se com o voto de 4 de outubro.

Moro larga na frente. Isso é fato.

  • Mas Sandro tem tempo para diminuir a distância.

E, se a tendência registrada pelo IRG se mantiver, a disputa pode chegar às últimas semanas muito diferente daquela que parecia desenhada há alguns meses. O próprio levantamento mais recente aponta que, em um eventual segundo turno, Moro e Sandro Alex aparecem tecnicamente empatados.

É aí que os 30 dias deixam de ser uma contagem regressiva e passam a ser uma oportunidade.

Moro tem a vantagem da exposição. Sandro tem a possibilidade do crescimento. Ratinho tem a avaliação e a estrutura.

E, com mais da metade dos eleitores ainda sem uma escolha espontânea, ninguém deveria se dar ao luxo de considerar essa eleição decidida.

  • Faltam 30 dias. A largada foi de Moro. Mas a chegada ainda está longe.