NARRATIVA.política, poder e versão

Entre a obra e o discurso

A eleição no Paraná deixou de ser uma disputa comum. De um lado, está um projeto que governou o estado por oito anos e construiu sua base em entregas concretas. De outro,

R
Redação27/04/2026
Entre a obra e o discurso

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

De um lado, está um projeto que governou o estado por oito anos e construiu sua base em entregas concretas.
De outro, uma candidatura que chega com relativa identidade política — mas cuja relação com a gestão pública estadual é inexistente.
A diferença não é apenas de estilo.
É de natureza.

1. A política da entrega X a política da promessa
O nome escolhido por Ratinho Junior, o deputado federal e ex-secretário Sandro Alex, ao contrário do que muitos pensam, não surge do acaso.
Sua candidatura está diretamente vinculada a um eixo central do governo: infraestrutura.
Durante sua passagem pela secretaria, acumulou protagonismo em obras estruturantes — como a Ponte de Guaratuba e o novo pacote de concessões rodoviárias, que somam bilhões em investimentos no estado.
Isso define um tipo de campanha:

É baseada em resultado visível e não em promessas vazias. E as promessas virão, aguarde!

2. O contraste inevitável
Do outro lado, Sérgio Moro entra na disputa com outro tipo de ativo.
• projeção nacional
• associação à Lava Jato
• identidade política em construção
Mas há um ponto central:
Sua trajetória está totalmente dissociada da gestão direta de políticas públicas estaduais. Quem foi Sérgio Moro para o Paraná, nos últimos 4 ou 8 anos?
Isso não é necessariamente uma fragilidade — mas muda o campo de comparação.
A eleição passa a opor:
• quem executou
• e quem representa uma agenda
Na prática, a disputa se dará entre “quem fez e quem não fez”.

3. A estratégia de Ratinho Junior: reduzir o debate ao concreto
A escolha de Sandro Alex revela uma estratégia clara:
Tirar a eleição do campo simbólico e trazer para o campo prático.
Ao fazer isso, o governo desloca o eixo da disputa:
• menos ideologia
• mais resultado
• menos narrativa nacional
• mais impacto local
Isso significa, forçar a eleição a acontecer onde o governo é mais forte.

4. O risco do contraste
Esse tipo de estratégia, porém, não é isenta de risco.
Quando a eleição se organiza em torno de contraste, ela simplifica o entendimento do eleitor.
E simplificações favorecem decisões rápidas.
Se o eleitor enxergar:
• continuidade eficiente → vantagem governista
• necessidade de mudança → vantagem da oposição
o resultado deixa de depender apenas de estrutura e passa a depender de percepção. Claro que, as pesquisas que avaliam o governo Ratinho Junior, não deixam dúvidas sobre o capital politico criado.
É nisso que o candidato do governo, que aliás, sai de dentro do próprio governo, pode levar uma grande vantagem. O discurso da continuidade ultrapassa a mera narrativa e passa a ser uma necessidade.

5. Dois caminhos, dois tipos de voto
A disputa, neste momento, aponta para dois tipos distintos de decisão eleitoral:

🔹 Voto por continuidade
• baseado em entregas
• associado à gestão
• ancorado na aprovação do governo

🔹 Voto por reposicionamento
• baseado em uma identidade política fraca
• associado ao volátil cenário nacional
• ancorado em discurso que reafirma a boa situação do Paraná.

Nenhum dos dois é, por si só, dominante.
Mas cada um responde a um tipo diferente de eleitor.