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Eduardo Pimentel, Greca, Cristina Graeml e Ratinho Junior: a equação mais delicada da sucessão paranaense

Cristina passou a integrar o PSD, partido de Ratinho Junior, e hoje é considerada uma peça relevante nas articulações eleitorais para 2026.

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Redação18/06/2026
Eduardo Pimentel, Greca, Cristina Graeml e Ratinho Junior: a equação mais delicada da sucessão paranaense

Foto: composição

A eleição de Curitiba em 2024 produziu uma das alianças políticas mais vitoriosas da história recente da capital. Eduardo Pimentel venceu a disputa com o apoio simultâneo do então prefeito Rafael Greca e do governador Ratinho Junior, consolidando a continuidade de um grupo político que administrou Curitiba durante quase uma década.

Naquele momento, Cristina Graeml era a principal adversária do grupo governista na capital. Dois anos depois, a política paranaense deu uma volta surpreendente: Cristina passou a integrar o PSD, partido de Ratinho Junior, e hoje é considerada uma peça relevante nas articulações eleitorais para 2026. Esse movimento criou uma situação inédita para Eduardo Pimentel.

O dilema de Eduardo Pimentel

Politicamente, Eduardo Pimentel é resultado da soma de duas lideranças.

De um lado, Rafael Greca, de quem foi vice-prefeito por oito anos e sucessor na Prefeitura de Curitiba. De outro, Ratinho Junior, líder estadual do PSD e principal responsável pela construção do grupo político que governa o Paraná desde 2019.

Enquanto Greca e Ratinho caminharam juntos, não havia conflito.

Mas a partir do momento em que Rafael Greca confirmou a intenção de disputar o Governo do Paraná e Ratinho Junior manteve Sandro Alex como seu candidato preferencial, surgiu uma divisão dentro da própria base governista.

É justamente por isso que Eduardo Pimentel tem defendido publicamente uma composição entre Sandro Alex e Rafael Greca. O prefeito sabe que uma ruptura obrigaria Curitiba a escolher entre dois projetos políticos que ajudaram a construir sua própria eleição.

Cristina Graeml é um fator novo

É inegável que a entrada de Cristina Graeml no PSD alterou todo o equilíbrio político. Porém, embora tenha sido adversária direta de Eduardo Pimentel em 2024, ela possui uma base eleitoral própria em Curitiba e na Região Metropolitana. Sua eventual participação na chapa apoiada por Ratinho Junior pode ampliar o alcance eleitoral do PSD em setores que tradicionalmente não estavam alinhados ao grupo de Greca.

Ao mesmo tempo, essa movimentação gera desconforto em parte do grupo político que esteve ao lado de Eduardo Pimentel na eleição municipal, justamente porque Cristina representou a principal oposição à candidatura vitoriosa de 2024.

Se houver segundo turno entre Moro e Sandro Alex, onde ficaria Greca?

Essa é a pergunta mais importante do momento. Na prática, existem três hipóteses:

Cenário 1 – Greca apoia Sandro Alex

Este é o cenário mais provável caso Greca permaneça integrado à base do governador.

Apesar das divergências eleitorais, Greca construiu uma relação política sólida com Ratinho Junior nos últimos anos. Foi secretário estadual após deixar a prefeitura e continua participando de espaços importantes do governo. Importante lembrar que Greca, como os demais, está filiado a um partido, o MDB.

Nesse cenário, o MDB poderia negociar participação no futuro governo ou espaço político relevante em troca do apoio no segundo turno.

Cenário 2 – Neutralidade

Caso a disputa entre Greca e Sandro Alex seja extremamente dura durante o primeiro turno, uma posição de neutralidade não pode ser descartada.

Greca preservaria sua autonomia política sem romper definitivamente com Ratinho Junior nem migrar para o campo de Sergio Moro.

Seria uma saída elegante para evitar desgaste com os dois lados.

Cenário 3 – Apoio a Moro

Este parece ser o cenário menos provável.

Greca construiu sua trajetória recente dentro do mesmo campo político que hoje apoia Ratinho Junior e Eduardo Pimentel. Uma adesão explícita a Sergio Moro exigiria uma ruptura profunda com o grupo que governou Curitiba e o Paraná nos últimos anos.

Embora a política nunca permita descartar hipóteses, hoje não existem sinais concretos de que esse movimento esteja sendo construído.

O fator decisivo pode ser Curitiba

Mais importante do que a posição formal de Greca é o comportamento do eleitor curitibano.

Eduardo Pimentel é atualmente a principal liderança eleitoral da capital. Caso ele permaneça alinhado a Ratinho Junior e Sandro Alex, parte significativa da estrutura política construída em Curitiba tende a acompanhar essa orientação.

Por isso, tanto Sandro Alex quanto Rafael Greca têm interesse em manter uma boa relação com o prefeito.

O próprio Eduardo Pimentel já reconheceu publicamente que trabalha para evitar a divisão da base governista. O problema é que, segundo diversos observadores políticos, o tempo para uma composição está se esgotando.

Qual será o lado de Eduardo Pimentel nesta eleição?

A sucessão estadual de 2026 pode ser definida menos pela disputa entre governo e oposição e mais pela capacidade de manter unida a base política que venceu a eleição de Curitiba em 2024.

Ratinho Junior, Eduardo Pimentel, Rafael Greca e agora Cristina Graeml formam um conjunto de lideranças que ocupam espaços importantes do eleitorado da capital e da Região Metropolitana.

Se Sandro Alex chegar ao segundo turno contra Sergio Moro, a tendência natural é que a pressão pela reunificação desse grupo aumente. Afinal, uma eleição estadual costuma transformar antigas divergências em alianças pragmáticas.

A grande incógnita não é se Eduardo Pimentel estará ao lado de Ratinho Junior. Tudo indica que estará. A verdadeira dúvida é saber se Rafael Greca aceitará ocupar esse mesmo palanque ou se escolherá preservar um projeto político próprio para os próximos anos.