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Dinheiro nas ruas, crise no Supremo: protesto contra Moraes coincide com racha no STF

As caixas de dinheiro levadas ao protesto traziam a inscrição “Chega de Intocáveis” e faziam referência...

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Redação16/09/2026
Dinheiro nas ruas, crise no Supremo: protesto contra Moraes coincide com racha no STF

Foto: Andre Borges / EFE

Enquanto manifestantes levam uma “montanha de dinheiro” simbólica à Esplanada dos Ministérios, ministros do Supremo protagonizam divergências sobre a investigação que envolve Alexandre de Moraes e o caso Banco Master

Brasília viveu nesta terça-feira (15) uma combinação de acontecimentos que colocou o Supremo Tribunal Federal no centro da crise política e institucional do país. Enquanto manifestantes se reuniam na Esplanada dos Ministérios com uma representação simbólica de uma “montanha de dinheiro” para protestar contra o ministro Alexandre de Moraes, o próprio STF mergulhava em uma sessão marcada por divergências entre seus integrantes.

As caixas de dinheiro levadas ao protesto traziam a inscrição “Chega de Intocáveis” e faziam referência ao contrato de aproximadamente R$ 130 milhões envolvendo o escritório de advocacia da família de Moraes e o Banco Master. O protesto, portanto, utilizou uma representação visual para questionar a relação mencionada nas investigações. Moraes nega irregularidades e afirma que jamais beneficiou o banco ou seu controlador, Daniel Vorcaro.

Mas o fato mais relevante ocorreu dentro do próprio Supremo.

O STF dividido diante de um caso inédito

O plenário analisou nesta terça-feira elementos reunidos pela Polícia Federal a partir do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a reportagem da Gazeta do Povo, foram encontradas 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes, material que deu origem ao pedido para que a conduta do ministro fosse investigada.

A situação ganhou dimensão ainda maior porque a discussão deixou de ser apenas sobre o conteúdo das mensagens. Os ministros passaram a divergir também sobre quem deveria conduzir os procedimentos, como os casos deveriam ser julgados e se os processos envolvendo Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente.

Fachin defendia que os procedimentos permanecessem separados. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes defenderam a reunião dos casos, enquanto Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação. Flávio Dino pediu vista antes da conclusão formal dessa questão, suspendendo a sessão.

O resultado prático foi o adiamento da definição, com nova sessão prevista para 23 de setembro.

Moraes x Mendonça: a crise chegou ao plenário

O episódio também colocou em evidência o confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Mendonça é o relator das investigações relacionadas ao Banco Master e foi responsável por levar ao conhecimento do Supremo elementos obtidos pela Polícia Federal. Moraes, por sua vez, questionou a validade das provas e a condução das investigações, além de ter apresentado pedido relacionado à atuação de Mendonça.

Nos últimos dias, a disputa já havia provocado intervenções de Fachin sobre a condução dos procedimentos. O presidente do STF retirou Moraes da condução do antigo inquérito das fake news e também suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino envolvendo o comando da Polícia Federal.

Agora, a divergência chegou ao plenário, diante de todos os ministros e com transmissão pública.

A imagem que fica

É justamente esse o aspecto que torna o episódio politicamente relevante.

De um lado, manifestantes nas ruas exibem uma montanha simbólica de dinheiro para cobrar explicações e defender a investigação de Moraes. Do outro, dentro do Supremo, os próprios ministros discutem publicamente os limites, procedimentos e responsabilidades relacionados às investigações.

Não se trata de afirmar que o protesto tenha qualquer efeito sobre o julgamento. São acontecimentos distintos. Mas os dois episódios ocorreram no mesmo dia e ajudam a dimensionar o ambiente de pressão em torno da Corte.

A própria sessão foi marcada por declarações fortes. Cármen Lúcia afirmou estar “profundamente consternada e triste” com a crise e mencionou um “mal-estar cívico” provocado pelo episódio. Fachin, por sua vez, defendeu que divergências entre ministros são legítimas, mas que o confronto pessoal não deve conduzir os trabalhos do Supremo.

Uma crise que não termina com a sessão

O episódio desta terça-feira não produziu uma conclusão definitiva sobre a abertura de investigação contra Moraes. A questão processual ficou suspensa pelo pedido de vista de Dino, enquanto o caso relacionado a Mendonça permanece previsto para análise em outra etapa.

O que ficou evidente, porém, é que a crise deixou de estar restrita às decisões individuais de ministros e passou a envolver o funcionamento do próprio colegiado.

Nas ruas, o protesto transformou dinheiro em símbolo para cobrar respostas. No plenário, ministros discutiram justamente quais regras devem orientar a apuração de fatos que envolvem integrantes da própria Corte.

Entre a pressão das ruas e a divisão no plenário, o caso Banco Master colocou o STF diante de uma das situações institucionais mais delicadas de sua história recente. E a próxima resposta virá novamente de dentro do próprio Supremo, em 23 de setembro.

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