Curitiba recebeu, pelo segundo ano consecutivo, a classificação “Ótima” no Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), elaborado pela Transparência Internacional – Brasil. Em 2026, a capital paranaense alcançou 80,99 pontos em uma escala de zero a 100.
É uma boa notícia. E, desta vez, não há motivo para relativizar o resultado.
A avaliação considera transparência, acesso à informação, dados abertos, integridade, participação social e governança. Ou seja, não se trata simplesmente de conferir se a Prefeitura colocou algumas planilhas na internet. A metodologia procura medir o quanto a administração pública disponibiliza informações para que a sociedade possa acompanhar e fiscalizar suas ações.
E Curitiba vem de uma evolução importante.
Em 2024, a cidade tinha apenas 48,3 pontos e era classificada como “Regular”. Em 2025, saltou para 87,5 pontos e entrou na faixa “Ótima”. Agora, mesmo com uma nota menor, conseguiu permanecer acima dos 80 pontos necessários para manter a classificação máxima.
O mérito de Eduardo Pimentel
É impossível falar desse resultado sem mencionar a administração de Eduardo Pimentel.
A atual gestão assumiu a transparência como uma política institucional e fortaleceu a atuação da Controladoria-Geral do Município, além de investir na melhoria dos canais digitais e do Portal da Transparência. Em 2025, a própria Prefeitura já havia atribuído parte importante da evolução à decisão de transformar a transparência em uma política permanente de gestão.
E há algo importante nisso.
Governos costumam gostar muito de divulgar obras, inaugurações, números positivos e rankings que os favorecem. Já abrir os dados da administração para que qualquer cidadão possa conferir como o dinheiro público está sendo utilizado é uma outra história.
É justamente aí que uma boa avaliação de transparência ganha relevância política.
Mas os números também contam uma história
Os 80,99 pontos de 2026 não são uniformes.
Curitiba foi muito bem em Administrativo e Governança, com 88,24 pontos, e em Plataformas, com 86,84. Também passou dos 80 pontos em Transparência Financeira e Orçamentária, com 85,20, e Obras Públicas, com 81,82.
Mas há números que merecem atenção.
Em Comunicação, Engajamento e Participação, a cidade ficou com 78,85 pontos.
E na dimensão Legal, a nota foi de apenas 65 pontos.
Portanto, o resultado é ótimo, mas não significa que Curitiba tenha atingido a perfeição.
Aliás, seria justamente aí que a administração deveria concentrar seus esforços.
Transparência não é favor. É obrigação.
Uma prefeitura transparente não deve ser aquela que fornece informações apenas quando perguntada.
Deve ser aquela em que o cidadão consegue entrar no portal, procurar uma obra, descobrir quanto ela custa, quem venceu a licitação, quanto já foi pago, qual o prazo de execução e se existe algum problema no contrato.
Curitiba avançou bastante nessa direção. O próprio Portal da Transparência reúne informações sobre orçamento, receitas, despesas, contratos, licitações, obras públicas, pessoal e diversos outros dados da administração municipal.
Esse é o tipo de transparência que interessa.
Porque não adianta existir uma montanha de dados públicos se o cidadão comum não consegue entendê-los.
Transparência de verdade não é esconder informação atrás de uma avalanche de informação. É tornar o poder público compreensível para quem paga a conta.
E há uma cobrança que precisa ser feita
Curitiba ficou em segundo lugar entre os 14 municípios da Região Metropolitana avaliados no ITGP, atrás de Contenda, que marcou 81,83 pontos. As duas foram as únicas cidades do recorte paranaense a alcançar a classificação “Ótima”.
Também chama atenção o desempenho no módulo de adaptação climática: 86 pontos e primeiro lugar entre os 14 municípios avaliados.
É um resultado importante, especialmente para uma cidade que precisa lidar cada vez mais com eventos climáticos extremos, enchentes e planejamento urbano.
Mas o verdadeiro teste da transparência não acontece quando chega o ranking.
Acontece quando um cidadão quer descobrir por que uma obra atrasou.
Quando alguém questiona uma licitação. Quando a população quer saber quanto determinado projeto custou. Quando existe uma denúncia. Quando a imprensa faz uma pergunta incômoda.
Quando o governo é obrigado a explicar uma decisão que não agradou.
É nesses momentos que se descobre se a transparência é uma política pública ou apenas uma vitrine.
Pimentel tem o que comemorar — e o que melhorar
Eduardo Pimentel pode, sim, comemorar o resultado.
Manter Curitiba na faixa “Ótima” pelo segundo ano consecutivo demonstra que o salto de 2025 não foi apenas um ponto fora da curva. Existe continuidade no trabalho de transparência e governança.
Mas justamente porque a administração conseguiu chegar a esse patamar, a cobrança agora precisa ser maior.
A nota 80,99 não deve ser tratada como ponto de chegada.
Deve ser tratada como piso.
Porque uma cidade que pretende ser referência em gestão pública não pode se contentar simplesmente em ser bem avaliada.
Precisa fazer com que o cidadão perceba, no cotidiano, que o dinheiro público está sendo administrado de maneira aberta, compreensível e fiscalizável.
E talvez essa seja a melhor maneira de avaliar o legado administrativo de Eduardo Pimentel: não pelo número de prêmios colocados na estante do Palácio 29 de Março, mas pela quantidade de informações que permanecem fora das gavetas e ao alcance de qualquer curitibano.
Transparência, afinal, não é propaganda de governo. É prestação de contas à sociedade.
