Durante muitos anos, o Centro de Curitiba foi o principal cartão-postal econômico, cultural e comercial da capital. Entretanto, assim como ocorreu em diversas grandes cidades brasileiras, a região passou a enfrentar desafios cada vez mais visíveis: aumento da sensação de insegurança, crescimento da população em situação de rua, degradação de imóveis históricos e afastamento gradual de consumidores, moradores e investidores.
Comerciantes relatavam dificuldades crescentes. Muitos clientes passaram a evitar determinadas áreas, especialmente à noite. Em algumas regiões, estabelecimentos conviviam diariamente com pessoas dormindo em calçadas, ocupação irregular de espaços públicos e ocorrências criminais que comprometiam a atividade econômica e a circulação de pedestres.
Foi diante desse cenário que a Prefeitura de Curitiba decidiu adotar uma estratégia mais ampla do que simples ações de fiscalização ou segurança. A aposta passou a ser a revitalização completa da região central, combinando investimentos públicos, incentivos econômicos, recuperação urbana e atração de novos moradores e empreendedores.
Uma mudança de conceito
A administração do prefeito Eduardo Pimentel estruturou o programa "Curitiba de Volta ao Centro", que tem como objetivo estimular a recuperação urbana, atrair investimentos privados, fomentar atividades econômicas e ampliar a presença de moradores na região central. O programa prevê investimentos e incentivos que podem chegar a R$ 163 milhões até 2032.
A lógica é simples: centros urbanos movimentados, ocupados e economicamente ativos tendem a ser mais seguros e mais atrativos
Por isso, a revitalização não se resume à recuperação de fachadas ou melhorias paisagísticas. O projeto busca criar um novo ciclo econômico para o Centro de Curitiba.
Incentivos para quem investir
Um dos pilares mais importantes da iniciativa é a criação de incentivos fiscais para atrair empresas, profissionais liberais e investidores.
Entre as medidas adotadas estão:
isenções e reduções de tributos municipais;
incentivos para restauração de imóveis históricos;
estímulo ao retrofit de edifícios antigos;
descontos em impostos como ISS, IPTU e ITBI;
ampliação do potencial construtivo para novos empreendimentos.
A prefeitura também regulamentou benefícios que podem garantir até 100% de isenção de ISS para determinadas atividades instaladas na região central até 2032, beneficiando profissionais como médicos, advogados, contadores, dentistas e outros prestadores de serviço.
Além disso, editais de subvenção econômica poderão custear até 50% do valor de obras de revitalização e retrofit, reduzindo significativamente o custo para investidores interessados em recuperar imóveis da região.
Segurança e ocupação dos espaços
A revitalização do Centro também passa pela ocupação qualificada dos espaços urbanos.
Experiências em diversas cidades demonstram que ruas movimentadas, imóveis ocupados, comércio ativo e presença constante de moradores contribuem diretamente para reduzir a degradação urbana e aumentar a sensação de segurança.
Por isso, a estratégia da prefeitura busca combinar:
- moradia;
- comércio;
- cultura;
- serviços;
- turismo;
e preservação histórica.
O objetivo é transformar o Centro novamente em um local de convivência permanente, e não apenas uma área de passagem durante o horário comercial.
A recuperação da identidade histórica
A reabertura e recuperação de estabelecimentos tradicionais também fazem parte desse processo.
Casos como o do histórico Bar Stuart simbolizam uma política que procura preservar a memória da cidade ao mesmo tempo em que estimula novos investimentos e atividades econômicas no Centro.
A revitalização não pretende apagar a história da região, mas utilizar esse patrimônio como elemento de atração para moradores, turistas e empreendedores.
Um projeto de longo prazo
A transformação do Centro de Curitiba não ocorrerá de forma imediata.
A própria legislação que instituiu o programa estabelece um planejamento de longo prazo, com ações graduais de requalificação urbana, integração entre moradia, trabalho, segurança, cultura e lazer.
O desafio continua sendo grande.
Entretanto, a estratégia adotada pela prefeitura parte de um diagnóstico amplamente compartilhado por comerciantes e moradores: a recuperação do Centro exige mais do que policiamento. Exige atividade econômica, ocupação dos espaços, investimentos privados e presença permanente de pessoas circulando pela região.
A aposta da gestão Eduardo Pimentel é justamente essa: devolver vida ao Centro para que a segurança, o comércio e a qualidade urbana voltem a caminhar juntos.
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