O almoço promovido pelo deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli, com a participação da bancada do PSD, para recepcionar Cristina Graeml foi mais do que um encontro político. O gesto demonstra que o partido trabalha para integrar a jornalista ao projeto eleitoral liderado pelo governador Ratinho Junior e reforça os sinais de que seu nome ganha força para ocupar a vaga de vice na chapa de Sandro Alex.
Independentemente da confirmação da composição, o movimento revela uma estratégia clara do PSD: ampliar o alcance eleitoral da candidatura ao Palácio Iguaçu reunindo perfis que dialogam com públicos distintos.
Sandro Alex chega à disputa respaldado pela experiência administrativa e pela forte associação ao governo Ratinho Junior. Como secretário de Infraestrutura e Logística, tornou-se um dos principais responsáveis pelas obras e investimentos realizados no Estado, além de possuir uma base política consolidada no interior do Paraná.
Cristina Graeml, por outro lado, representa um ativo eleitoral diferente.
Sua candidatura à Prefeitura de Curitiba, em 2024, projetou seu nome entre o eleitorado conservador da capital e da Região Metropolitana. Mesmo sem vencer a eleição, conquistou elevada visibilidade, consolidou uma presença significativa nas redes sociais e passou a dialogar diretamente com um segmento do eleitorado que costuma ser bastante mobilizado nas disputas eleitorais.
Caso a composição seja confirmada, Sandro Alex poderá ampliar sua penetração justamente na região onde as eleições estaduais costumam ser decisivas: Curitiba e sua Região Metropolitana, que concentram uma parcela expressiva do eleitorado paranaense.
Outro fator relevante é a complementaridade dos perfis.
Enquanto Sandro Alex construiu sua imagem como gestor e articulador político, Cristina Graeml é reconhecida pela comunicação direta com seus seguidores e pela forte presença no ambiente digital. Em campanhas cada vez mais influenciadas pelas redes sociais, essa combinação pode representar uma vantagem competitiva.
Do ponto de vista político, a eventual escolha também sinaliza que o PSD pretende ampliar seu diálogo com o eleitorado conservador sem romper com a identidade administrativa construída ao longo dos dois mandatos de Ratinho Junior. A estratégia parece buscar o equilíbrio entre continuidade da gestão e ampliação da base de apoio.
Naturalmente, uma eventual composição também apresenta desafios. Cristina Graeml precisará demonstrar a seus apoiadores as razões para integrar um projeto governista, enquanto o PSD terá de harmonizar diferentes trajetórias políticas dentro da mesma campanha.
Ainda assim, sob a ótica eleitoral, a movimentação parece fazer sentido.
Mais do que agregar um nome conhecido, uma vice pode ampliar o alcance da candidatura em segmentos específicos do eleitorado. E poucos nomes, hoje, possuem em Curitiba o nível de reconhecimento político alcançado por Cristina Graeml após a eleição municipal.
A presença da maioria dos deputados estaduais do PSD no encontro organizado por Luiz Cláudio Romanelli também transmite uma mensagem importante: caso a escolha seja oficializada nas convenções, o que já parece bem definido, a tendência é que Cristina Graeml encontre um partido disposto a incorporá-la ao projeto político, reduzindo a percepção de que seria apenas uma composição circunstancial.
Se essa estratégia se converterá em votos, apenas a campanha poderá responder. Mas, do ponto de vista político, a possível dobradinha entre Sandro Alex e Cristina Graeml reúne atributos que podem ampliar o campo de atuação da candidatura governista e fortalecer sua competitividade na disputa pelo Palácio Iguaçu.
