O calendário marca 20 de julho. Faltam pouco mais de dois meses para o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, e a política paranaense entra, definitivamente, em sua fase decisiva. Se até aqui os bastidores foram ocupados por articulações, negociações partidárias e formação de alianças, a partir desta semana a disputa deixa os gabinetes e ganha as ruas.
Os próximos dias serão determinantes porque começam as convenções partidárias, responsáveis por transformar pré-candidaturas em candidaturas oficiais. É nesse momento que os partidos homologam seus nomes, aprovam coligações e apresentam, formalmente, os projetos que pretendem levar ao eleitor.
O dia 25 de julho simboliza bem essa nova etapa. Na mesma data, o PSD oficializará a candidatura do deputado federal Sandro Alex, escolhido pelo governador Ratinho Junior para disputar a sucessão estadual. Também no dia 25, o PDT confirmará a candidatura de Requião Filho, enquanto REDE e PSOL realizarão sua convenção conjunta para definir o nome que representarão na disputa pelo Palácio Iguaçu. A partir daí, não haverá mais espaço para especulações: o tabuleiro eleitoral estará praticamente definido.
Mas existe um dado que torna essa eleição especialmente imprevisível.
As pesquisas divulgadas até agora mostram que mais da metade do eleitorado paranaense ainda permanece indecisa ou admite mudar de voto. É um percentual extremamente elevado para um momento tão próximo da campanha oficial e revela que boa parte dos eleitores ainda não escolheu quem governará o Estado pelos próximos quatro anos.
Esse contingente de indecisos passa a ser o principal alvo de todas as campanhas.
Quem lidera as pesquisas trabalha para consolidar sua vantagem e evitar perdas. Quem aparece atrás precisa crescer rapidamente para garantir presença no segundo turno. Cada agenda no interior, cada entrevista, cada debate e cada inserção nas redes sociais passa a ser planejada para conquistar justamente esse eleitor que ainda observa a disputa à distância.
Naturalmente, o tom da campanha também mudará.
As apresentações protocolares darão lugar ao confronto de ideias, à comparação entre governos e às cobranças sobre a trajetória política de cada candidato. O debate deixará de se concentrar apenas nas promessas para o futuro e passará a examinar aquilo que cada concorrente efetivamente realizou ao longo da vida pública.
Esse movimento já começou.
O pré-candidato do PSD, Sandro Alex, afirmou recentemente que defenderá o legado da gestão Ratinho Junior, mas também pretende cobrar dos adversários o que fizeram pelo Paraná durante suas carreiras políticas. A declaração indica uma estratégia que tende a marcar a campanha governista: colocar lado a lado os resultados da atual administração e o histórico dos demais candidatos.
Do outro lado, oposição e adversários certamente responderão na mesma intensidade. O eleitor verá uma campanha muito mais direta, marcada por comparações de gestões, votações, decisões administrativas e posicionamentos políticos.
Outro fator decisivo será a participação do governador Ratinho Junior. Com elevados índices de aprovação registrados pelas pesquisas, ele deverá assumir papel central na campanha de Sandro Alex, tentando transformar a avaliação positiva de seu governo em votos para o candidato do PSD. É uma estratégia comum nas eleições estaduais e que será colocada à prova nas urnas.
A partir desta semana, portanto, a política deixa definitivamente os bastidores. As convenções encerram o período das expectativas e inauguram a fase das decisões. Até o dia 4 de outubro, cada pesquisa será analisada, cada declaração ganhará repercussão e cada movimento poderá alterar o rumo da disputa.
A eleição de 2026 no Paraná entra agora em sua etapa mais intensa. E, diante de um eleitorado ainda amplamente indeciso, dificilmente haverá espaço para erros. Quem conseguir convencer esse enorme contingente de eleitores terá dado o passo mais importante rumo ao Palácio Iguaçu.
