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Coisa di loco: Augusto Cury entra para a política e decide transformar sessão de terapia em campanha eleitoral

O Brasil definitivamente abandonou qualquer compromisso com previsibilidade institucional.

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Redação08/05/2026
Coisa di loco: Augusto Cury entra para a política e decide transformar sessão de terapia em campanha eleitoral

Foto: Elias Oliveira / Governo do Tocantins

Augusto Cury na política: o Brasil finalmente decidiu transformar sessão de terapia em campanha eleitoral.
O Brasil já teve como candidato, sindicalista, militar, juiz, empresário, influencer político, outsider profissional, entre outros.

Agora, oficialmente, entra em cena uma nova categoria: o candidato terapeuta.
O psiquiatra e escritor Augusto Cury lançou sua pré-candidatura à Presidência da República em Belo Horizonte, pelo Avante, prometendo equilíbrio, inteligência emocional e superação da polarização.
E talvez o Brasil realmente precise disso.
Porque, olhando o cenário político atual, parece evidente que o país inteiro já ultrapassou qualquer estágio razoável de ansiedade coletiva.

Brasil entrou na fase da autoajuda eleitoral.
A entrada de Augusto Cury na política parece quase inevitável.
Depois de anos de crise institucional, polarização permanente, redes sociais em combustão, debates transformados em surtos coletivos, a política brasileira finalmente chegou ao estágio clínico.

O discurso é curioso — e inteligente.
Cury tenta ocupar um espaço que praticamente desapareceu no Brasil: o da antipolarização emocional.
Enquanto uns gritam “democracia” e outros gritam “liberdade”, ele aparece dizendo: “respirem”.
Politicamente, isso pode parecer estranho, mas eleitoralmente, talvez faça sentido. Porque é inegável que o eleitor brasileiro está cansado. Muito cansado.

A candidatura que parece roteiro de streaming.
Há algo quase cinematográfico no horizonte político-eleitoral do país: o juiz virou senador, o coach virou candidato, o influencer virou liderança política, e agora o psiquiatra quer governar o país.
O Brasil definitivamente abandonou qualquer compromisso com previsibilidade institucional.

O risco para Cury.
O problema é que a política brasileira não costuma premiar serenidade.
Ela premia conflito.
E campanhas presidenciais normalmente funcionam como o exato oposto de uma sessão terapêutica.

O detalhe mais irônico.
Talvez Augusto Cury seja o primeiro candidato da história cujo eleitorado pode precisar menos de proposta econômica e mais de acompanhamento emocional.
Porque, honestamente, depois dos últimos anos, não está fácil para ninguém.

E aí maluco?
A pré-candidatura de Augusto Cury talvez não mude a eleição, mas muda o retrato do momento político brasileiro.
Porque ela revela um país cansado, emocionalmente exausto e procurando alguém que pareça minimamente equilibrado.
O que, convenhamos, já seria uma inovação relevante na política nacional.

Fato.
O Brasil passou tanto tempo discutindo quem salvaria a democracia, que agora parece procurar alguém que salve a saúde mental coletiva.
E talvez isso diga mais sobre o país, do que sobre Augusto Cury.