Eleições não são decididas apenas pelas urnas. Antes da campanha oficial começar, existe uma disputa silenciosa, mas decisiva: a construção das alianças políticas. E, nesse aspecto, o governador Ratinho Junior chega em posição privilegiada à sucessão estadual.
A oficialização da candidatura de Sandro Alex pelo PSD veio acompanhada de um recado claro ao meio político. O projeto de continuidade do governo não está sustentado apenas na popularidade da atual gestão, mas em uma ampla coalizão partidária construída ao longo dos últimos meses. Durante a convenção estadual do PSD, Sandro Alex foi confirmado como candidato ao Governo do Paraná, tendo Alexandre Curi (Republicanos) como candidato ao Senado e Cristina Graeml como candidata a vice-governadora.
O dado mais relevante, porém, está fora do palco da convenção.
Nos dias que antecederam o evento, Ratinho Junior conseguiu consolidar dois movimentos considerados estratégicos: o apoio da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e, na sequência, da Federação PSDB/Cidadania, liderada no Paraná pelo ex-governador Beto Richa. Esses apoios ampliam significativamente a base política da chapa governista e fortalecem sua estrutura eleitoral.
Essas adesões têm um significado que vai muito além da soma de partidos.
A Federação União Progressista reúne duas das maiores forças políticas do país. No Paraná, ambas possuem forte capilaridade, dezenas de prefeitos, centenas de vereadores e lideranças espalhadas por praticamente todas as regiões do Estado. Já a Federação PSDB/Cidadania traz um componente simbólico importante: incorpora ao projeto governista um grupo que, durante muitos anos, protagonizou a política paranaense sob a liderança de Beto Richa.
Na prática, Ratinho Junior conseguiu reunir em torno de Sandro Alex forças políticas que, em outras eleições, estariam disputando entre si.
Essa capacidade de articulação talvez seja seu maior ativo político.
Governadores bem avaliados costumam transferir parte de sua popularidade aos sucessores. Mas essa transferência dificilmente ocorre sem uma base partidária sólida. Ratinho Junior parece ter compreendido que aprovação administrativa, sozinha, não vence eleições. Era necessário construir uma aliança ampla, reduzir resistências e ocupar o centro do tabuleiro político antes mesmo do início da campanha.
O efeito dessa estratégia aparece imediatamente.
Ao atrair partidos com grande presença municipal, a candidatura de Sandro Alex amplia sua capacidade de mobilização no interior do Estado, fortalece a estrutura regional da campanha e aumenta o tempo de propaganda no rádio e na televisão. Segundo estimativas divulgadas durante as negociações, somente essas alianças acrescentam cerca de três minutos ao tempo de televisão da coligação, um ativo valioso em uma disputa estadual.
Há ainda outro aspecto relevante.
As adesões reduzem o espaço de crescimento dos adversários. Em qualquer eleição majoritária, partidos com boa estrutura territorial são disputados porque oferecem muito mais do que tempo de televisão: entregam prefeitos, vereadores, militância organizada, lideranças locais e capacidade de mobilização eleitoral. Quando esses grupos aderem a uma candidatura, deixam de estar disponíveis para compor outras chapas.
É justamente isso que aconteceu.
Ao consolidar a União Progressista e a Federação PSDB/Cidadania, Ratinho Junior não apenas fortaleceu Sandro Alex. Também dificultou a formação de alianças competitivas para seus principais concorrentes, antecipando uma vantagem estratégica antes mesmo do início da propaganda eleitoral.
Outro elemento merece atenção.
A presença de Beto Richa no anúncio do apoio do PSDB/Cidadania simboliza uma mudança importante na política paranaense. Durante anos, PSD e PSDB ocuparam espaços distintos na disputa pelo poder estadual. Hoje, a aproximação demonstra que as divergências do passado deram lugar a um projeto comum de sucessão, evidenciando que, quando existe convergência de objetivos, antigos adversários podem atuar no mesmo campo político.
Naturalmente, alianças não garantem vitória antecipada. A eleição será definida pelos eleitores, e adversários como Sergio Moro e Rafael Greca continuam representando forças relevantes no cenário estadual.
Mas ignorar o peso dessas articulações seria um erro de análise.
Ao reunir partidos de diferentes correntes ideológicas e lideranças historicamente influentes em torno de Sandro Alex, Ratinho Junior demonstra que sua principal força talvez não esteja apenas na elevada aprovação de seu governo, mas na capacidade de negociar, construir consensos e formar uma maioria política consistente.
Na política, vencer a eleição é o objetivo final. Mas, muitas vezes, a primeira grande vitória acontece bem antes da abertura das urnas.
E, ao consolidar uma das maiores coalizões partidárias do Paraná, o governador Ratinho Junior dá sinais de que venceu essa etapa com antecedência, oferecendo a Sandro Alex uma largada politicamente robusta para a disputa pelo Palácio Iguaçu.
