A política paranaense entrou em um momento em que as pesquisas são importantes, mas as alianças começam a ser ainda mais decisivas.
Nos bastidores, uma das hipóteses mais comentadas é a possibilidade de o ex-senador Álvaro Dias abrir mão da disputa ao Senado para facilitar uma composição mais ampla entre MDB e PSD. Embora não haja confirmação pública nesse sentido, a simples especulação já produz efeitos políticos relevantes. Atualmente, o MDB mantém oficialmente as pré-candidaturas de Rafael Greca ao Governo do Estado e de Álvaro Dias ao Senado, sem romper com o grupo do governador Ratinho Junior.
Se uma aproximação mais profunda entre MDB e PSD ocorrer, a principal consequência seria a consolidação de uma frente política capaz de reunir o interior, Curitiba e a Região Metropolitana em uma mesma chapa.
O crescimento de Sandro Alex muda a lógica das negociações.
Há poucos meses, a candidatura de Sandro Alex era vista principalmente como o projeto político do grupo de Ratinho Junior.
Hoje, o cenário é diferente.
As pesquisas recentes passaram a demonstrar competitividade real da candidatura governista, fortalecendo o PSD nas negociações e aumentando o interesse de partidos aliados em participar diretamente da chapa.
Quanto mais Sandro Alex cresce, maior se torna o valor político da vaga de vice-governador.
E é exatamente nesse ponto que Rafael Greca surge como peça estratégica.
Greca resolveria um dos maiores desafios do PSD.
O principal desafio eleitoral de Sandro Alex já não está mais no interior.
Seu maior desafio está em Curitiba e na Região Metropolitana.
Sandro possui forte identificação com o interior, a infraestrutura, o municipalismo e a gestão de Ratinho Junior.
Já Rafael Greca possui capital político consolidado em Curitiba após três mandatos como prefeito e mantém forte identificação com parte expressiva do eleitorado da capital.
Uma eventual chapa Sandro Alex–Rafael Greca produziria um equilíbrio geográfico e eleitoral bastante relevante:
Sandro Alex:
• Interior;
• Campos Gerais;
• Região Norte;
• legado das obras estaduais.
Rafael Greca:
• Curitiba;
• Região Metropolitana;
• eleitor moderado;
• setor empresarial e técnico.
Eduardo Pimentel estaria entre os principais beneficiados.
Existe ainda uma variável frequentemente ignorada.
Eduardo Pimentel é prefeito de Curitiba e pertence ao PSD.
Ao mesmo tempo, construiu sua trajetória política diretamente ligada a Rafael Greca, de quem foi vice-prefeito.
Caso MDB e PSD caminhem juntos,
Eduardo Pimentel deixaria de enfrentar qualquer dilema político entre a lealdade ao grupo de Ratinho Junior e a gratidão política ao grupo de Greca.
Uma composição entre os dois campos transformaria Curitiba em um dos principais polos da campanha governista.
Em vez de dividir forças, a capital poderia se tornar um dos centros de sustentação eleitoral da candidatura.
O principal prejudicado seria Sergio Moro.
Do ponto de vista matemático e eleitoral, uma aliança PSD-MDB reduziria significativamente o espaço disponível para Sergio Moro.
Hoje, Moro depende de três pilares: eleitorado conservador, recall da Lava Jato e forte desempenho em Curitiba.
É justamente nesse terceiro ponto que uma eventual composição envolvendo Greca poderia gerar dificuldades.
Greca continua sendo uma das lideranças mais influentes da capital e sua entrada formal na chapa governista teria potencial para reduzir a margem de crescimento de Moro em Curitiba e na Região Metropolitana.
Isso não eliminaria a força eleitoral do senador, mas mudaria o ambiente da disputa.
E o que faria Álvaro Dias?
Álvaro Dias continua sendo um dos nomes mais respeitados da política paranaense e mantém relevância eleitoral própria.
Caso optasse por não disputar o Senado, sua decisão teria peso muito superior ao de uma simples retirada de candidatura.
Ela poderia representar sinalização de unidade do campo de centro-direita, fortalecimento do grupo de Ratinho Junior e reorganização completa das alianças para outubro.
Naturalmente, isso dependeria de negociações partidárias complexas e de interesses regionais que ainda estão em movimento.
O cenário que começa a se desenhar.
Se as pesquisas continuarem apontando crescimento de Sandro Alex e competitividade contra Sergio Moro, a tendência natural da política é a concentração de forças.
Partidos e lideranças costumam se aproximar de projetos percebidos como viáveis.
Nesse contexto, uma eventual composição entre PSD e MDB teria capacidade de reunir Ratinho Junior, Sandro Alex, Rafael Greca, Eduardo Pimentel, prefeitos do PSD e do MDB e parte significativa da estrutura municipalista do estado.
Seria uma chapa construída com forte presença administrativa, ampla capilaridade regional e grande peso eleitoral em Curitiba.
E aí?
Neste momento, ainda se trata de uma hipótese política, não de um cenário definido.
Mas é uma hipótese que faz sentido dentro da lógica eleitoral.
A aproximação entre PSD e MDB poderia resolver simultaneamente três desafios: ampliar a presença de Sandro Alex na capital, integrar Rafael Greca ao projeto sucessório de Ratinho Junior e pacificar a relação política envolvendo Eduardo Pimentel.
Se esse movimento ocorrer, a disputa pelo Governo do Paraná deixará de ser apenas um confronto entre Sergio Moro e Sandro Alex.
Passará a ser uma disputa entre dois grandes blocos políticos organizados, com potencial para redefinir completamente o equilíbrio eleitoral do estado nas semanas que antecedem as convenções partidárias.
