NARRATIVA.política, poder e versão

A pesquisa nacional que muda o jogo no Paraná

Os números mostram Lula liderando com 41% das intenções de voto contra 31% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno

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Redação21/06/2026
A pesquisa nacional que muda o jogo no Paraná

A nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial produz efeitos que vão muito além de Brasília. Seus reflexos já começam a ser sentidos no Paraná, onde os grupos políticos se organizam para a sucessão estadual de 2026.

Os números mostram Lula liderando com 41% das intenções de voto contra 31% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno, a vantagem do presidente permanece em quatro pontos percentuais. Mais do que uma simples fotografia eleitoral, o levantamento indica que a eleição nacional continua aberta, mas revela que a transferência política do sobrenome Bolsonaro possui limites.

A força eleitoral de Jair Bolsonaro não se transfere automaticamente para seu filho. Isso ajuda a explicar por que Flávio ainda não conseguiu reproduzir o mesmo desempenho eleitoral do ex-presidente.

Para Sergio Moro, os dados são especialmente preocupantes.

O senador apostou grande parte de sua estratégia política na aproximação com o bolsonarismo. Nos últimos meses, seu discurso ficou cada vez mais alinhado ao campo político liderado por Flávio Bolsonaro. O problema é que, se a candidatura presidencial do PL encontrar dificuldades para crescer, os candidatos estaduais que dependem dessa mesma onda poderão enfrentar obstáculos semelhantes.

A situação se torna ainda mais delicada porque Moro continua sem apresentar um projeto estruturado para o Paraná. Enquanto o governador Ratinho Junior construiu uma narrativa baseada em programas como o Ganhando o Mundo, obras de infraestrutura, investimentos em educação, modernização da malha rodoviária e atração de empresas, Moro permanece concentrado em temas nacionais.

Seu discurso continua girando em torno do combate à corrupção e da oposição ao PT.

São bandeiras que possuem apelo junto a parte do eleitorado, mas que não respondem às perguntas concretas que os paranaenses começam a fazer sobre o futuro do Estado. Qual é o plano para a infraestrutura? Como ampliar a competitividade econômica? Quais propostas para educação, segurança pública, inovação e desenvolvimento regional?

Até agora, como já mostrei neste blog, as respostas são escassas.

E como dito em outra análise, existe ainda um fator adicional. Flávio Bolsonaro também chega à disputa carregando desgastes próprios. Nos últimos meses, vieram a público informações envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro e o caso Banco Master, além da repercussão política dos áudios relacionados à busca de financiamento para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Embora o senador negue qualquer irregularidade, o episódio ampliou o debate público sobre suas alianças e sua capacidade de ampliar sua base eleitoral além do núcleo bolsonarista tradicional.

No Paraná, isso cria um cenário curioso.

Enquanto a candidatura apoiada por Ratinho Junior tende a explorar resultados administrativos e uma agenda de continuidade da gestão, Moro corre o risco de ficar excessivamente dependente da polarização nacional. E eleições estaduais raramente são vencidas apenas com discursos nacionais.

O eleitor pode até escolher um presidente pensando no Brasil. Mas costuma escolher um governador pensando no Paraná.

É exatamente nesse ponto que a nova pesquisa Datafolha acende um sinal amarelo para Sergio Moro. A força do antipetismo, sozinha, talvez não seja suficiente para construir uma candidatura competitiva ao Palácio Iguaçu.

A pergunta que começa a surgir é simples: quando a campanha sair dos temas nacionais e entrar nos problemas concretos do Paraná, quem terá mais respostas para apresentar?

Essa pode ser a questão decisiva da eleição de 2026.