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A nova pesquisa Genial/Quaest muda o ambiente político nacional e pode ter reflexos na disputa pelo Paraná

O desafio é que a política nacional e a estadual começam a se comunicar de forma mais intensa conforme o calendário eleitoral avança

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Redação10/06/2026
A nova pesquisa Genial/Quaest muda o ambiente político nacional e pode ter reflexos na disputa pelo Paraná

Foto: composição

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) trouxe um novo elemento para o tabuleiro político de 2026. O levantamento mostrou o presidente Lula na liderança da corrida presidencial, com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro aparece com 29%, uma diferença de dez pontos percentuais. A pesquisa foi realizada com 2.004 eleitores, entre os dias 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O dado ganha relevância porque, até poucos meses atrás, Flávio Bolsonaro aparecia em um cenário de maior equilíbrio com Lula. Agora, a nova pesquisa indica uma mudança de ambiente político, com crescimento da vantagem do atual presidente e um aumento das dificuldades para o principal nome do bolsonarismo na disputa nacional.

Em outro indicador importante, Flávio Bolsonaro registra o maior índice de rejeição entre os presidenciáveis testados pela Quaest: 56% dos entrevistados afirmaram que o conhecem e não votariam nele, contra 53% de Lula.

O impacto dessa mudança ultrapassa Brasília e chega aos estados. No Paraná, a eleição para o Governo tem em Sergio Moro um dos principais representantes do campo político ligado ao PL e ao projeto nacional de Flávio Bolsonaro. O senador lançou sua pré-candidatura cercado pelas principais lideranças bolsonaristas do Estado e busca justamente transformar a força da direita paranaense em vantagem eleitoral.

O desafio é que a política nacional e a estadual começam a se comunicar de forma mais intensa conforme o calendário eleitoral avança. Quando um candidato escolhe se vincular fortemente a um projeto presidencial, ele passa a compartilhar seus pontos positivos, mas também seus desgastes.

Moro segue sendo um nome competitivo no Paraná, beneficiado pelo alto conhecimento público, pela imagem construída durante a Operação Lava Jato e pelo apoio consolidado de uma parcela significativa do eleitorado conservador. Entretanto, a eventual perda de fôlego de Flávio Bolsonaro em nível nacional pode retirar parte do impulso que o bolsonarismo esperava transferir para as disputas estaduais.

Esse cenário abre espaço para uma estratégia diferente do grupo do governador Ratinho Junior. A candidatura de Sandro Alex tem buscado se afastar da polarização nacional e concentrar seu discurso na continuidade de um modelo de gestão estadual que apresenta indicadores positivos na economia, geração de empregos, investimentos em infraestrutura e capacidade de atração de empresas.

Outro fator importante é que a disputa no Paraná ainda está longe de consolidada. As pesquisas estaduais mostram um número significativo de eleitores que ainda não escolheram um candidato ou que conhecem pouco alguns dos pré-candidatos. Nesse ambiente, a capacidade de crescimento de uma candidatura pode ser tão importante quanto a fotografia atual das intenções de voto.

A grande questão para os próximos meses será saber qual narrativa terá mais força entre os paranaenses: a nacionalização da eleição, conectando o Estado ao embate entre Lula e Flávio Bolsonaro, ou a defesa de um modelo de administração estadual associado ao governo Ratinho Junior.

A pesquisa Genial/Quaest não decide a eleição presidencial e muito menos a eleição paranaense. Mas ela envia um sinal político relevante: o campo bolsonarista, que imaginava entrar em 2026 em uma posição de maior equilíbrio, passa a enfrentar novos desafios nacionais. E, como Sergio Moro escolheu estar diretamente ligado a esse grupo político, os reflexos desse cenário passam a fazer parte também do debate eleitoral no Paraná.