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A nova Assembleia do Paraná: PL cresce, PSD resiste e Moro terá de negociar

Mas o dado mais importante talvez esteja justamente naquilo que não aconteceu: a vitória de Sergio Moro para o governo do...

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Redação07/10/2026
A nova Assembleia do Paraná: PL cresce, PSD resiste e Moro terá de negociar

Eleição muda profundamente a correlação de forças na Alep, mas não entrega maioria automática ao governador eleito; PSD mantém 14 cadeiras e continua como uma das principais forças políticas do Estado

A eleição de 2026 produziu uma mudança importante na composição da Assembleia Legislativa do Paraná. A partir de 2027, a Casa terá uma nova correlação de forças, com o PL saltando de cinco para 14 deputados, o PSD passando de 15 para 14 e o PT avançando de sete para oito cadeiras. O resultado coloca PL e PSD empatados como as maiores bancadas da Assembleia.

Mas o dado mais importante talvez esteja justamente naquilo que não aconteceu: a vitória de Sergio Moro para o governo do Estado não significa que o novo governador terá uma maioria automática no Legislativo.

A nova Assembleia será mais fragmentada, mais renovada e, sobretudo, mais negociadora.

O salto do PL muda o jogo

O crescimento do PL é, sem dúvida, o principal fenômeno eleitoral da nova composição.

O partido, que tinha apenas cinco deputados na atual legislatura, elegeu 14 parlamentares para 2027. É um salto expressivo e representa uma mudança na presença da legenda dentro da política estadual.

O resultado também tem uma dimensão política evidente: o PL é o partido de Sergio Moro, eleito governador no primeiro turno.

Isso dá ao novo governo uma bancada própria muito mais robusta do que aquela disponível para o atual governo Ratinho Junior. Mas 14 deputados ainda estão longe de representar maioria em uma Assembleia de 54 cadeiras.

Moro, portanto, chega ao Palácio Iguaçu com força eleitoral, mas terá de transformar essa força em maioria parlamentar.

E essa construção começa justamente pelo diálogo com os outros partidos.

PSD perde uma cadeira, mas continua gigante

Se o PL foi o grande vencedor na composição partidária, o PSD não pode ser tratado como derrotado.

O partido de Ratinho Junior elegeu 14 deputados, apenas um a menos que os 15 que possui atualmente. Com isso, permanece empatado com o PL como maior bancada da Assembleia.

Isso é particularmente relevante porque o PSD deixa o governo estadual, mas não deixa o poder político.

Ratinho Junior termina seu segundo mandato com forte aprovação popular e uma estrutura política espalhada pelo Estado. O partido mantém presença expressiva na Assembleia, além de uma ampla rede de prefeitos e lideranças municipais.

E há outro detalhe importante: Curitiba continuará sob comando do PSD, com Eduardo Pimentel na Prefeitura.

Ou seja, a partir de 2027 haverá uma situação politicamente curiosa no Paraná: Moro estará no Palácio Iguaçu, mas o PSD continuará sendo uma das principais forças políticas da Assembleia, da capital e dos municípios.

Hussein Bakri pode ser uma peça-chave

É nesse ponto que a figura de Hussein Bakri ganha ainda mais importância.

O deputado foi reeleito para o quarto mandato com uma votação expressiva e passou os oito anos do governo Ratinho Junior como líder do Executivo na Assembleia.

Agora, Bakri lançou sua pré-candidatura à presidência da Alep.

Sua experiência pode fazer dele um personagem importante justamente na transição entre os dois governos.

Bakri conhece profundamente a Assembleia, conhece a bancada do PSD e participou durante oito anos da construção da relação entre o Legislativo e o governo Ratinho.

Ao mesmo tempo, sabe que a partir de janeiro o interlocutor no Palácio Iguaçu será outro.

A eleição da presidência da Assembleia, marcada para fevereiro de 2027, portanto, terá significado que vai muito além da escolha de um presidente. Será também um dos primeiros grandes testes da capacidade de Moro construir uma relação política com uma Assembleia que não será controlada pelo seu partido.

Moro terá de conquistar sua maioria

O próprio Hussein Bakri reconheceu essa realidade ao afirmar que o PSD e partidos próximos ao atual grupo governista somariam 34 parlamentares, mas que a construção da relação com Moro dependerá do diálogo.

Essa declaração merece atenção.

Ela indica que o PSD não está se colocando automaticamente na oposição ao futuro governo. Também não está oferecendo um cheque em branco.

É uma posição bastante pragmática: o novo governo terá de conversar, apresentar seus projetos e construir maiorias.

Para Moro, isso pode ser positivo.

Uma bancada de oposição sistemática seria um problema. Uma Assembleia fragmentada, mas aberta à negociação, pode ser administrada politicamente — desde que o governo tenha capacidade de articulação.

E esse talvez seja um dos maiores desafios do novo governador.

PT cresce, mas continuará na oposição

O PT também sai das urnas fortalecido numericamente.

A bancada passará de sete para oito deputados e será a terceira maior da Casa, embora bastante renovada: seis dos oito parlamentares eleitos pelo partido serão estreantes na Assembleia.

A tendência é que o partido mantenha uma posição de oposição ao governo Moro, especialmente em temas econômicos, privatizações e políticas públicas.

Mas o PT não terá tamanho suficiente para, sozinho, alterar a correlação de forças da Assembleia.

O verdadeiro jogo estará entre PL, PSD e os partidos médios, que poderão decidir votações importantes conforme cada projeto.

Uma Assembleia mais renovada

Outro dado importante é a renovação da Casa.

Dos 54 deputados eleitos, 23 são novos parlamentares, enquanto 31 conseguiram a reeleição. A taxa de renovação chega a 42,59%.

Isso significa que quase metade da Assembleia será formada por novos deputados.

E isso pode alterar não apenas a composição partidária, mas também as relações internas de poder.

Deputados estreantes precisarão construir espaço. Os reeleitos buscarão preservar posições. Partidos tentarão controlar comissões estratégicas. E a formação da Mesa Diretora será o primeiro grande teste dessa nova correlação.

O desaparecimento do União Brasil também chama atenção

Entre as mudanças menos comentadas, mas politicamente relevantes, está o desaparecimento do União Brasil da próxima Assembleia.

O partido possui atualmente sete deputados, mas não elegeu nenhum para 2027. Também deixam de ter representantes PSDB/Cidadania, PROS, Solidariedade e PSB.

O resultado é uma Assembleia concentrada em um número menor de forças.

PL e PSD terão 14 cadeiras cada. PT terá oito, PP seis, enquanto Novo, Podemos e Republicanos terão três cada. MDB ficará com duas e PDT com uma.

Essa configuração aumenta o poder de negociação dos partidos médios e torna a formação de blocos ainda mais importante.

A eleição acabou. A negociação começou

A nova Assembleia será, portanto, um dos grandes capítulos da política paranaense de 2027.

Moro chega ao governo com uma vitória expressiva nas urnas e com uma bancada do PL muito maior. Mas não terá maioria própria.

Ratinho Junior deixa o Palácio Iguaçu, mas seu grupo político permanece forte, com o PSD empatado com o PL na maior bancada da Assembleia, presença municipal espalhada pelo Estado e a Prefeitura de Curitiba.

E, no meio desse cenário, surge Hussein Bakri, que conhece os dois lados da equação: foi durante oito anos o principal articulador do governo Ratinho dentro da Assembleia e agora pretende presidir a própria Casa.

A disputa pela presidência da Alep poderá ser, portanto, mais do que uma eleição interna.

Poderá ser o primeiro grande teste da relação entre Sergio Moro e a força política construída por Ratinho Junior ao longo de oito anos de governo.

O Paraná mudou de governador.

Mas não mudou de correlação de forças políticas.

E é justamente nessa diferença que estará boa parte da política paranaense de 2027.